Discutindo moedas em pauta novamente

Renminbi visa status de moeda de reserva
Um pôster mostra diferentes notas de dólar no Museu Financeiro em Nova York em 3 de dezembro de 2004 (Spencer Platt/Getty Images)

A discussão de analistas e da mídia sobre a possibilidade de a moeda chinesa substituir o dólar norte-americano como moeda de reserva mundial foi especialmente forte no início de 2012, mas depois diminuiu. No entanto, parece que o tema está ganhando força novamente, com o Fórum Econômico Mundial (WEF) discutindo o assunto num comunicado em 26 de janeiro.

“É improvável que a moeda chinesa, o RMB, se internacionalize no curto prazo”, afirma o anúncio do WEF.

O anúncio fala sobre a China ter estabelecido uma zona especial como teste para a internacionalização do RMB. Nenhuma informação adicional foi fornecida nem qualquer raciocínio a respeito do porquê o RMB se tornaria ou não uma moeda internacional num futuro próximo.

“A moeda chinesa, o renminbi (RMB), provavelmente não substituirá o dólar dos EUA como moeda de reserva mundial, exceto possivelmente num prazo muito longo”, disse o ex-secretário do tesouro norte-americano Lawrence Summers, segundo o anúncio recente do WEF.

Concordando com a avaliação de Summers sobre a internacionalização do RMB, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma num relatório de março de 2012 que “é improvável que o RMB se torne uma reserva de moeda importante – muito menos desafie a prevalência do dólar – a menos que possa ser livremente convertido e a China adote uma conta de capital aberto”.

Durante um fórum econômico recente em Hong Kong, Zhu Min, diretor-adjunto do FMI e um chinês que já ocupou posições de alto escalão no Banco da China e no Banco Popular da China, confirmou que o RMB está em processo de alcançar o status de moeda de reserva mundial, conforme relatado pelo ‘Want China Times’, um website de Taiwan.

Fases necessárias para a ascensão do renminbi

Para o RMB ser aceito como moeda de reserva, vários passos têm de ser dados, segundo um artigo de fevereiro de 2012 na VOX, um website dedicado à pesquisa e análise de política econômica.

Primeiro, a moeda tem de alcançar o status internacional, envolvendo a aceitabilidade do RMB chinês no comércio transfronteiriço e em operações financeiras. Então, tem de haver um fluxo livre e não controlado de entrada e saída de ativos líquidos da China, tal como dinheiro, contas bancárias, ações ou títulos. Em suma, as contas de capital não podem enfrentar qualquer governo ou outras restrições e tem que ser totalmente orientadas para o mercado.

Finalmente, para a moeda chinesa se tornar uma moeda de reserva, ela deve ser “possuída em quantidades significativas por governos e instituições, a fim de ajudar nas operações do mercado global”, diz um artigo do website DaveManuel.com.

Para alcançar o status de moeda de reserva, o Estado chinês tem de satisfazer certos critérios, tal como contas de capital aberto, uma taxa de câmbio flexível, um mercado aberto que tenha poucas ou nenhuma restrição, bem como a internacionalização de sua moeda que atualmente não é regida apenas pelo mercado.

Questões que impedem que o Estado chinês alcance seu objetivo incluem seu controle estatal absoluto sobre o setor bancário chinês, barreiras regulatórias que impedem o desenvolvimento de um mercado financeiro saudável e uma taxa de câmbio rigidamente controlada, segundo o artigo do FMI.

“A China ainda vacila quando se trata das dimensões fundamentais do desenvolvimento do mercado financeiro e as fraquezas de seu sistema financeiro são susceptíveis de impedir seus passos para elevar sua moeda a um status internacional”, afirma o artigo do FMI.

Estilo ‘dividir para conquistar’ do regime chinês

A China tem tentado alcançar seu status de moeda de reserva, segundo um artigo em 29 de janeiro do website ‘Gains, Pains & Capital’ com o título, “A China ameaçou uma guerra cambial se o Fed não parar de imprimir [dinheiro]”.

Dados históricos de produção anual no website da Secretaria de Cunhagem e Impressão do Departamento do Tesouro dos EUA indicam que, em 2010, 6,38 bilhões de notas de diferentes valores foram impressas com a maioria (1,9 milhões) sendo notas de US$ 100. Em 2011, 5,7 bilhões de notas foram impressas com a maioria (2,9 bilhões) sendo notas de US$ 1. Em 2012, 8,4 bilhões de notas foram impressas com a maioria (3,0 bilhões) sendo notas de US$ 100.

“Mas de volta à China e a sua gigantesca criação de dinheiro. […] Em outras palavras, enquanto todo mundo se concentra no Tio Ben e em sua mísera criação de 1 trilhão de dólares de base monetária em 2013 […] a China terá criado bem mais do que o dobro da quantidade presente de dinheiro apenas neste ano!”, afirma um artigo de 8 de fevereiro do website Zero Hedge.

Considerando a revelação acima sobre a máquina de impressão de dinheiro do Estado chinês, surge a pergunta: Por que o regime chinês aponta o dedo para a criação de dinheiro dos EUA enquanto faz silêncio sobre sua própria impressão de dinheiro e sobre a mesma política de outros países?

De acordo com um artigo de 4 de fevereiro do website ‘Gains, Pains & Capital’, “Coletivamente, os Bancos Centrais do mundo injetaram mais de 10 trilhões de dólares no sistema financeiro desde 2007. Esta impressão de dinheiro resultou numa enorme expansão dos balanços do Banco Central, espalhou inflação no sistema e não fez nada para resolver os problemas fundamentais de solvência.”

Observadores políticos e especialistas de mercado afirmam que o ataque do Estado chinês sobre os esforços dos EUA de imprimir dinheiro criam mais tensão entre os bancos centrais. Semeando discórdia entre os bancos centrais do mundo, o regime chinês poderia conseguir ser premiado com o status de moeda de reserva mundial sem ter de enfrentar tudo o que foi exigido de nações que alcançaram esse status.

“A China está bem consciente do potencial do yuan, razão por que a nação tem projetado cuidosa e metodicamente sua emergência nos mercados globais na última década”, sugere um artigo de 12 de fevereiro no website Money Morning.

Abordagem única para alcançar seus objetivos

“Devido a seu tamanho e força econômica, a China tem adotado uma abordagem única, o que chamamos de ‘liberalização de conta de capitais com características chinesas’”, diz um artigo da VOX.

O regime chinês passará do controle aberto sobre as contas de capital para uma combinação de controles abertos e flexíveis (controle nos bastidores) até 2017, assim entrincheirando-se no fórum de comércio internacional.

Uma série de artigos afirma que o Estado chinês aumentará suas participações em ouro de forma significativa para potencializar o valor de sua moeda.

“A nação dragão tenta posicionar o yuan ou renminbi como moeda de reserva global alternativa e grandes reservas de ouro são essenciais para isto ser alcançado”, sugere um artigo de 4 de fevereiro no website BullionStreet.

Importância de alcançar status de moeda de reserva

“Quando a moeda de um país específico é de fato moeda de reserva, o poder econômico e a influência desta nação são automaticamente difundidos globalmente”, diz um artigo de 28 de dezembro de 2012 no website InflationData.com.

Qualquer moeda que conseguiu o status de moeda de reserva mundial imediatamente após melhorou em valor e importância. A demanda pela moeda aumenta, porque a moeda é usada no comércio internacional e em atividades de financiamento.

Em sentido inverso, quando um país perde seu status de moeda de reserva mundial, a demanda mergulhará e também o valor da moeda. O comércio e empréstimos internacionais ficariam mais caros, aumentando a vulnerabilidade econômica da nação. A importação de bens e serviços se tornaria mais cara, reduzindo a renda disponível da população.

“Uma perda do status de moeda de reserva seria um desastre econômico para os EUA […] Se o status de moeda de reserva [dos EUA] for perdido para a China, o prejuízo econômico seria agravado pelo fato de que a maioria dos bens de consumo norte-americanos é importada da China”, segundo um artigo do InflationData.com.

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