Direitos Humanos discutidos em Genebra: China sem resposta

Uma câmera de vídeo mostra Yang Yuquan, um porta-voz do Tribunal Intermediário Popular de Chengdu, proferindo o veredito do ex-chefe de polícia Wang Lijun à imprensa em Chengdu em 24 de setembro de 2012. (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

A Freedom House relatou recentemente que no ano passado o regime chinês intensificou seus esforços para bloquear a internet. Mas nas últimas duas semanas, esses esforços se tornaram ainda mais vigorosos.

Muitos chineses do continente que têm usado softwares para “escalar a parede”, referindo-se a romper o bloqueio da internet, ou o “grande firewall” do regime, e têm encontrado uma internet muito lenta e dificuldade para acessar os websites que permitem navegar livremente na internet.

Várias coisas aconteceram recentemente na China que podem fazer o regime querer restringir o acesso à web. Xi Jinping, o indicado próximo líder chinês, desapareceu por duas semanas e especulações sobre o assunto foram suprimidas.

A controvérsia sobre as ilhas Senkaku, ou Diaoyu como são conhecidas na China, precisa ser cuidadosamente manipulada para que os protestos instigados por oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC) não explodam fora de controle.

E no dia 8 de novembro, o 18º Congresso Nacional do PCC ocorrerá, quando a mudança da liderança chinesa, que ocorre uma vez em cada dez anos, introduzirá os novos dirigentes do PCC.

Mas o fortalecimento do bloqueio da internet está provavelmente relacionado à 21ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, no Palais des Nations, em Genebra, Suíça.

O Conselho de Direitos Humanos se reuniu de 10-28 setembro e a atrocidade da colheita forçada de órgãos de pessoas vivas se tornou um tema quente na reunião.

Reuniões em Genebra

Em 18 de setembro, duas organizações não-governamentais (ONGs) no Conselho de Direitos Humanos apresentaram relatórios sobre o crime da colheita de órgãos de praticantes vivos do Falun Gong na China e pediram que as Nações Unidas investigassem imediatamente.

Em 19 de setembro, ‘China Livre: A coragem de acreditar’ e ‘Entre a vida e a morte’, dois documentários premiados que relatam a perseguição aos praticantes do Falun Gong e a colheita de seus órgãos por dinheiro, foram exibidos no local.

Representantes de vários países bem como representantes das ONGs assistiram aos filmes e se juntaram à discussão após o show.

Em 21 de setembro, os dois filmes foram exibidos novamente na Assembleia Geral do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra durante a apresentação de um filme patrocinado pela Organização Mundial para as Mulheres.

Membros do Conselho de Direitos Humanos e representantes das ONGs presentes ficaram entusiasmados que a atrocidade da colheita de órgãos do Falun Gong foi finalmente discutida pela primeira vez na Assembleia Geral do Conselho de Direitos Humanos.

Muitos dos presentes em Genebra disseram que para pressionar a ONU e a comunidade internacional a irem à China investigar, mais atividades que expõem a atrocidade devem ser realizadas em todo o mundo.

Salvando o Partido

Enquanto isso, a exposição de seu crime no conselho internacional de direitos humanos para mais de 200 países foi certamente um duro golpe para o regime chinês. Os altos níveis do PCC não tinham ideia de qual seria a resposta da comunidade internacional.

Vários analistas têm apontado que a perseguição ao Falun Gong é uma questão central enfrentada pela liderança do PCC. A colheita forçada de órgãos de pessoas vivas é o crime mais cruel usado contra os praticantes do Falun Gong.

Os indivíduos que foram recentemente os mais poderosos da China, como o ex-líder chinês Jiang Zemin e os membros de sua facção, incluindo Zhou Yongkang, Zeng Qinghong, Luo Gan, Bo Xilai e Liu Qi, estão implicados na atrocidade, bem como hospitais militares e o aparato da segurança pública. O envolvimento de altos oficiais do PCC na colheita de órgãos representa um perigo para o próprio PCC.

Desde que Wang Lijun, o ex-chefe da polícia de Chongqing, tentou desertar para os Estados Unidos, uma batalha pela supremacia se intensificou no PCC entre a facção de Jiang Zemin e a do atual líder chinês Hu Jintao, do premiê Wen Jiabao, de Xi Jinping e seus diversos apoiadores.

Apesar de Hu Jintao, Wen Jiabao e Xi Jinping terem gradualmente ganhado uma posição superior, eles optaram por não responsabilizar a facção de Jiang Zemin pelo crime da colheita de órgãos. Eles perceberam que a exposição desta atrocidade também destruiria para sempre a legitimidade do PCC de governar a China.

Hu Jintao, Wen Jiabao e Xi Jinping escolheram para salvar o PCC. Assim, vimos sentenças leves dadas a Gu Kailai, a esposa de Bo Xilai, pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood e a Wang Lijun por sua tentativa de deserção e outros crimes. Nenhum deles foi acusado de envolvimento na colheita de órgãos, que nem sequer foi mencionada.

Da mesma forma, o chefe da segurança pública chinesa Zhou Yongkang ainda está livre para falar como deseja na televisão e visitar países estrangeiros, apesar de as forças de segurança sob Zhou Yongkang estarem profundamente implicadas na colheita de órgãos. Ele também teria tramado como Bo Xilai tomar o poder num golpe de Estado.

As duas facções chegaram a um acordo para salvar o PCC em meio a sua luta. O aumento recente da censura na internet é parte do acordo entre as facções para esconder a colheita de órgãos. No entanto, a censura na internet não pode ir muito além e nada pode ficar escondido para sempre.

Com o contínuo desenvolvimento de novos softwares que quebram o bloqueio da internet, mais e mais pessoas na China descobrirão a verdade. E como a comunidade internacional se torna mais consciente das atrocidades do PCC, especialmente da colheita de órgãos de pessoas vivas, o PCC enfrentará pressões como nunca antes.

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