Descrição do assalto a Inzá, na Colômbia, por quadrilheiros do PCC-FARC, em 1965

Corria o dia 17 de março de 1965 quando a mais de 170 quilômetros de Popayán, proveniente da “república independente de Riochiquito”, Pedro Antonio Marín Marín, cognome “Tirofijo”, junto com 120 quadrilheiros, entre eles quatro mulheres – armados de carabinas San Cristóbal, bombas, granadas e facões – assaltaram um ônibus inter-municipal de Rapido el Cauca, na localidade El Hato. Após culminar sua ação se dirigiram a Inzá e saquearam o humilde município. Um total de 16 pessoas foram assassinadas.

Não obstante, umas horas antes do assalto ao ônibus – que cobria a rota Belalcázar-Popayán – os assaltantes capitaneados por Tirofijo passaram por El Guadualejo e sequestraram Antonio López, Emilio Fajardo, Carlos Fajardo e Vicente Sánchez. Após meia hora de caminhada chegaram à fazenda El Rodeo e sequestraram Angélica Chaux e uma menor. Seguiram caminhando até chegar a El Crucero onde arrasaram a loja de Emigdio Andrade e sem duvidar, o tomaram como refém junto com seus filhos Edgar, Gonzalo e Marcos. Os comunistas e seus sequestrados prosseguiram caminhando e em Las Piedras um morador do lugar, Carlos Narváez, perguntou o que estava acontecendo. Sem mais, foi sequestrado. A estamparia sangrenta logo ia começar. Ao chegar en El Hato, jurisdição do município caucano [1] de Inzá, o bando do PCC-FARC viu ao longe uma frota. Então, temerosos de que alguns de seus sequestrados dessem uma voz de alerta, Tirofijo ordenou que assassinassem, com o corte de flanela, Carlos Narváez, Emigdio Andrade e seus três filhos.

Não só Tirofijo comandou os 120 quadrilheiros. Também o acompanharam na praxis do marxismo Luis Alberto Morantes Jaimes, cognome “Jacobo Arenas”, membro do Comitê Central do PCC-FARC e Wilson Rubiano, uma das mãos direitas de José de Jesús Rojas Rivas, cognome “Capitão Cartagena”, lugar-tenente de Tirofijo, e ao mesmo tempo parente de outro bandido comunista Teófilo Rojas Varón, cognome “Chispas”. Sobre “Cartagena” falaremos mais adiante. Lembremos que nessa ocasião Tirofijo, como revela Álvaro Delgado no livro “Todo tiempo pasado fue peor”, já era membro do Comitê Central do PCC-FARC.

Para conseguir deter o ônibus, os marxistas puseram várias pedras sobre a estrada. Um dos 22 passageiros, o agente de polícia Juan Cruz, observou que os criminosos estavam encapuzados e armados, e sem duvidar disparou sua arma de dotação sem conseguir ferir ou dar baixa em algum do bando. Os comunistas dispararam e crivaram de balas o agente Demetrio Cortés, Reinaldo Córdoba, Ómar Hurtado Guerrero, José Guerrero e Mario Otálora, atacadista da Caixa Agrária de Inzá que foi rematado a facão. Do ônibus a troika sequestrou Neftalí González, ex-prefeito de Inzá e uma filha de Ómar Hurtado Guerrero. E como se fosse pouco, as vítimas foram despojadas de seus pertences.

Entre os passageiros assassinados estavam as religiosas Blanca Ruiz Jaramillo e Zuliana Arroyave Palacio, pertencentes à congregação Mães Missionárias de Maria Imaculada e Santa Catarina de Sena, fundada pela recentemente canonizada Madre Laura Montoya. As irmãs dirigiam a escola de artes de uma comunidade indígena. Depois de se conhecer a notícia do assalto a Inzá, a superiora da congregação, María Margarita Ochoa, disse que “os bandoleiros não sabiam que as irmãs viajavam no ônibus, pois não as teriam matado”. Também revelou que várias delas haviam visitado os bandoleiros e que especialmente Tirofijo lhes havia emprestado cavalos para que pudessem se mobilizar pelos caminhos de ferradura da “república independente de Marquetalia”.

Alguns ocupantes do ônibus que conseguiram escapar das balas e dos afiados facões (como Jesús Perafán, Segundo Castillo, juiz segundo de Inzá – que também enfrentou os comunistas mas foi ferido -, o agente Juan Cruz, um camponês e o ajudante da frota) correram para Inzá para avisar as autoridades municipais. Foram um pouco mais de dois quilômetros. Sem perder tempo, Liborio Peña Castillo, prefeito de Inzá, Luis Otálora Cuenca, tesoureiro municipal, Higinio Gutiérrez, guarda de rendas e Lindolfo Alberto Gamboa, agente de polícia, acataram rapidamente o chamado de auxílio e se dirigiram para socorrer as vítimas. Entretanto, a ajuda não se materializou: Tirofijo, Jacobo Arenas e Wilson Rubiano, que iam com suas miras ao desguarnecido Inzá, massacraram o valente quarteto.

Sem nenhum obstáculo os terroristas marxistas do PCC-FARC seguiram seu rumo. Ao avistar o povoado, a metade dos quadrilheiros rodeou o município. Alguns destruíram o telégrafo e outros ficaram em vigilância nas vias de acesso enquanto os restantes acompanharam Tirofijo. O telegrafista de Inzá, de sobrenome Casas, conseguiu se esconder e em pouco tempo consertou o avariado telégrafo e enviou uma angustiada mensagem: “Estão nos matando, estão nos matando”. Os quadrilheiros localizaram Casas que nervoso conseguiu sussurrar: “Me localizaram… me localizaram”. A comunicação foi cortada. Porém, o chamado chegou às portas das Tropas do Batalhão Junín em Popayán e do Tenerife em Neiva.

Apossado de Inzá, Tirofijo ordenou libertar os sequestrados. A subida da quadrilha comunista ao inerme povoadinho coincidiu com a missa das seis que oficiava o pároco, Anselmo Salamero. Inflamados, os socialistas “cientistas” interromperam o ofício religioso e ordenaram aos fiéis que saíssem e se reunissem na praça principal. O sacerdote reclamou com Tirofijo por suas ações. O bandido lhe informou que não temesse, que não ia matar ninguém pois vinha “reunir todas as pessoas do povoado porque ia lhes falar da necessidade de apoiar seu movimento, dirigido a defender as pessoas pobres e camponesas contra as oligarquias, e lutar pelo derrocamento do atual regime da Frente Nacional e demais governos que lhe sigam”. Um morador do lugar reconheceu Pedro Antonio Marín Marín e lhe disse: “Tirofijo”. O membro do Comitê Central do PCC-FARC lhe espetou: “Tirofijo agora, não: Marulanda”. Por outro lado, Tirofijo se “desculpou” pelo assassinato das duas religiosas. Como vemos, pedir “desculpas” não é nada novo para os comunistas.

Com as pessoas do município aterrorizadas, Tirofijo arrotou sua vulgata marxista: “Não se trata de matar senão de uma revolução. O governo é culpado pela grande carestia. Vai-se lutar para derrubar este governo”. Ao terminar, outro dos pistoleiros também vomitou seu discurso revolucionário e asseverou que “o movimento triunfará este ano (1965)”. Alguns habitantes revelaram depois que este último homem era um barbudo e com um sotaque estranho: era nada menos que um cubano que era conhecido nas hostes de Tirofijo como “o cubano”. Ele não foi o único estrangeiro que participou do assalto: esteve um venezuelano que era conhecido como “Pompeyo”. A chegada de agentes estrangeiros comunistas à Colômbia não era estranho em absoluto naquela época. Por certo, quatro dias depois do assalto a Inzá, o DAS expulsou do país a venezuelana Ana Lucía Bocaranda, militante do grupo terrorista marxista Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), braço armado do Partido Comunista da Venezuela. Acusada de estar em contato permanente com diversos bandos marxistas da Colômbia, encontrou-se com ela, além disso, propaganda de um dos ídolos assassinos que a esquerda tem venerado com ardor sectário: Fidel Castro.

Entre arenga e arenga, os quadrilheiros do PCC-FARC repartiram grande quantidade de volantes. Em um deles louvaram seu provável “movimento guerrilheiro do bloco sul do país” e batizaram a quadrilha de Tirofijo como “Comando Jacobo Prías Alape”. Nessa folha ordenaram: “Camponeses: colaborem com as guerrilhas. Elas te assegurarão a vida e teus bens. Os guerrilheiros não ofendem camponeses e atuam somente em defesa de suas próprias vidas. Camponeses: esperamos todos os teus informes e a revolução lhes saberá agradecer”. No papel mimeografado apareciam os nomes de Manuel Marulanda Vélez, Isauro Yosa –também membro do Comitê Central do PCC-FARC- Isaías Pardo, Darío Lozano, Rogelio Díaz, Luis Pardo, José Gonzalo Sánchez, Leovigildo Rodríguez, Parmenio Mazo, Tarsicio Guaraca, Alirio Cortés, Federico Aldana, Rigoberto Losada, Israel Valderrama, Elcerio González, Luis López e Isidoro González. Em outra folha volante elogiaram o assalto a Simacota perpetrado por seus pares do ELN e alentaram os soldados do Exército a que se unissem à luta revolucionária para que se “libertassem” da “exploração” da “oligarquia”.

Após finalizar a cantilena, Tirofijo, Jacobo Arenas e Wilson Rubiano, junto com seus sequazes, continuaram o rito marxista: queimaram os arquivos da prefeitura e do tribunal principal, roubaram da Caixa Agrária 67 mil pesos, do Banco Postal 1.500 pesos, da Tesouraria municipal furtaram mais de 30 mil pesos e destruíram as máquinas de escrever. Também desmantelaram os armazéns do senhor Benigno Rodríguez e do senhor Jorge Prieto, e roubaram as armas do posto de Polícia. Para que os ajudassem em suas maldades, os comparsas do triunvirato totalitário libertaram os presos da prisão municipal. Todo o horror durou três horas. O botim foi carregado, segundo o Coronel Hernando Currea Cubides, por 30 índios paeces. No livro “Tirofijo: los sueños y las montañas 1964-1984” de Carlos Arturo Ruiz, cognome “Arturo Alape”, antigo militante do PCC-FARC, ele afirma que foram 80 indígenas que carregaram o botim. Era de conhecimento público que os índios paeces eram recrutados à força e tratados como escravos pelos comunistas.

Por informes de inteligência, as autoridades descobriram que o assalto a Inzá foi planejado em um Pleno comunista celebrado em dezembro de 1964 na “república independente de Riochiquito”, domínio de Ciro Castaño Trujillo, membro do PCC-FARC. Tirofijo havia chegado lá fugindo depois que a Força Pública recuperou a “república independente de Marquetalia”. No livro de Arturo Alape ele conta que quem planejou o assalto a Inzá foram Tirofijo e Ciro Castaño. Para conseguir seu intento tinham enviado com antecedência várias “comissões” para que indagassem sobre a localização da prefeitura, do quartel de Polícia e da Caixa Agrária.

Seria ingênuo pretender que o PCC-FARC fosse o único bando que estava envolvido no terrorismo comunista naqueles anos. Dois dias antes do assalto a Inzá outro bando terrorista marxista, o Exército de Libertação Nacional (ELN), havia assassinado dois humildes camponeses: Leonel Barbosa e sua esposa Marina García Barbosa. Proprietários de uma parcela localizada perto do rio Guayabito, nas cercanias do município de Cimitarra, Santander, uma quadrilha armada – composta por três homens, uma mulher e um menor – havia irrompido na residência dos Barbosa exigindo que lhes dessem comida. O senhor Leonel saiu da casa e se escondeu em um matagal, os marxistas se deram conta do fato e tocaram fogo no improvisado esconderijo. O senhor Barbosa morreu carbonizado. Sua esposa, horrorizada, foi auxiliá-lo mas no momento foi executada com várias descargas de metralhadora.

Não obstante, o Exército continuava na batalha contra os bandos terroristas comunistas. Em Armenia, Quindío, durante a segunda semana de fevereiro de 1965, militantes do bando marxista do chefe bandoleiro Jesús Eliécer Sepúlveda Estrada, cognome “La Gata” – que estava sob a direção do PCC – haviam assaltado o Banco do Comércio e roubaram 400 mil pesos. As autoridades lhes seguiam o rastro e no mesmo dia em que Tirofijo assaltava Inzá, vários agentes do F-2, em combinação com unidades da VIII Brigada do Exército, localizaram a guarida dos anti-sociais. Era uma casa localizada na capital do Quindío. Após fazer vários chamados para que se rendessem, três dos cinco quadrilheiros tentaram atacar as autoridades mas foram abatidos. Os outros dois comparsas de “La Gata” não opuseram resistência e foram detidos.

O órgão de propaganda do PCC-FARC, Voz Proletaria, promoveu e tergiversou o assalto a Inzá. Sem papas na língua, defendeu Tirofijo arguindo que havia ficado “claro que não foram os homens de Marulanda (Tirofijo) que atacaram o ônibus, senão que a agressão saiu do ônibus”. E que o assassinato das religiosas havia sido algo “acidental”.

A posição do PCC-FARC acerca do assalto a Inzá mudou com o tempo? No citado livro de “Arturo Alape” as desculpas emergem sem mudar um ápice da primeira impostura. Em outro livro intitulado “Colombia y las FARC-EP: origen de la lucha guerrillera, testimonio del comandante Jaime Guaraca” de Luis Alberto Matta Aldana, o “comandante” segue a linha mentirosa imposta por seu partido. Quer dizer, o espírito autocrítico está totalmente ausente. E guardam o mais absoluto silêncio acerca do assassinato da família Andrade e dos sequestros que antecederam o assalto do ônibus de Rápido el Cauca.

Prometemos dizer algumas palavras sobre “capitão Cartagena”. Três dias depois do massacre de Inzá, o PCC-FARC sequestrou Harold Eder. Enquanto inspecionava sua fazenda Quebradaseca em Corinto, Cauca, 30 homens armados raptaram o ex-ministro de Estado. Seu guarda-costas, o detetive do DAS Nepomuceno Álvaro Patiño Millán foi assassinado ao tentar evitar o sequestro. Com o Exército procurando Tirofijo por terra e ar pela recente matança, o caminho ficou livre para que os velhos alunos de Mao e Lenin conseguissem realizar o crime. Quem planejou o sequestro do famoso industrial caucano foi José de Jesús Rojas Rivas, cognome “Capitão Cartagena”. A parte operacional, com ajuda de quadrilheiros de Tirofijo, foi encarregada ao chefe bandoleiro Telmo Avilio Fernández, cognome “Capitão Tijeras”, que militava no delinquencial MOEC. Não obstante, na última semana de março de 1965 os comunistas sofreriam outro revés: a “república independente do Pato” foi recuperada pelo Exército colombiano.

Nota da tradutora:

[1] Relativo ao estado Cauca

Tradução: Graça Salgueiro

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