Desafios para o segundo mandato de Obama

Presidente pretende se concentrar na dívida nacional e implementar estratégia pessoal como ponto-chave durante seu segundo mandato
Senhor observa movimento na Bolsa de Valores de Nova York um dia após a reeleição de Obama
(Allison Joyce / Getty Images)

Os mercados não se animaram com a reeleição do presidente Barack Obama. Os índices S&P 500 e Dow Jones tiveram ambos queda de 2,4%. Os investidores estão observando as medidas do presidente para combater a dívida e o desemprego americano.

“Não tenham dúvidas: sim, uma enorme soma de dinheiro foi gasto nas campanhas e, sim, muitas promessas foram feitas com os candidatos procurando diferenciar-se. Todavia, após uma agitação inicial, isso é essencialmente um “déjà vu” para os investidores “, escreveu o chefe-executivo da empresa de investimentos PIMCO, Mohamed El-Erian, em nota aos seus clientes. Ele observa que o rombo fiscal, as tensões no Oriente Médio e a crise da dívida europeia ainda são problemas à espera de solução.

O presidente tem relativamente pouca influência sobre a crise da dívida europeia. No entanto, há várias questões-chave para serem resolvidas em seu segundo mandato.

O “penhasco” fiscal ameaça a recuperação econômica

Em um esforço para reduzir a dívida nacional, o Congresso americano aprovou a legislação que foi apelidada de “penhasco fiscal”. Isso significa que a partir de 2013, ocorrerão cortes de gastos automáticos e aumentos de impostos com ganhos estimados em 667 bilhões de dólares, ou 4,3% do PIB.

Quando a lei foi aprovada em 2011, os políticos esperavam que a economia estivesse fortalecida quando o momento dos cortes automáticos e aumentos de impostos chegasse. Entrento, hoje a economia ainda está frágil. Uma contração fiscal de 4,3% do PIB poderia desencadear uma nova recessão.

“Com o ‘status quo’ mantido, o dividido governo volta a trabalhar para resolver o problema da ‘Multuamente Assegurada Destruição Fiscal”, disse Michael Cembalest, chefe de estratégia da JP Morgan Asset Management.

Ele ressalta que um Congresso dividido entre um Senado democrata e um Parlamento republicano não facilitará para o presidente encontrar uma solução rápida e duradoura. Existem maneiras e razões para se adiar ou anular alguns dos cortes, porém isso aumentaria ainda mais a dívida nacional, que chegou a 102% do PIB no momento.

Principais estratégias

O Secretário do Tesouro Timothy Geithner já confirmou que não aceitará um segundo mandato. O desejo de amenizar as diferenças entre republicanos e democratas no Congresso, provavelmente, determinará qual candidato assumirá essa posição-chave.

Erskine Bowles, chefe de gabinete de Clinton na Casa Branca, poderia ser uma opção que corresponda a esse critério. Comentaristas dizem que Bowles tem a experiência e credibilidade necessárias para trabalhar em conjunto com os republicanos. Pelo menos a experiência existe, pois ele presidiu a comissão para redução do déficit em conjunto com o republicano Alan Simpson, que acabou em fracasso.

Outra opção é o atual chefe de equipe de Obama, Jack Lew. A vantagem é que ele já está familiarizado com a maneira de trabalhar de Obama. É dito que ele tem bons contatos com os congressistas, incluindo vários republicanos.

Outro posto-chave a ser preenchido é o presidente do Federal Reserve (FED), banco central americano. Muitos analistas de mercado apoiam a ideia de que a flexível política monetária de Ben Bernanke ajudou Obama a se reeleger. Bernanke apresentou ao mercado o chamado programa de “flexibilização quantitativa”, muitas vezes em momentos cruciais, quando ambos os mercados de ações e a economia não estavam indo bem.

“Os investidores gostariam de experimentar um ‘feitiço do tempo’ – encontrando todos os dia um FED hiperativo (ainda lutando para compensar a falta de formulação de políticas com a paralisia de outras entidades) que continua ser seu melhor amigo”, escreve El-Erian, que espera que o FED permaneça no modo acomodatício.

O termo de Bernanke termina no início de 2014. Obama disse que iria oferecer-lhe um terceiro mandato, mas a especulação fomenta que Bernanke não aceitará. É dito que o ex-professor de Princeton está cansado do difícil ambiente macroeconômico e da falta de cooperação do Congresso.

De qualquer maneira, o candidato que substituirá Bernanke provavelmente continuará com a atual política do FED de prover dinheiro fácil. Larry Summers, que costumava ser secretário do Tesouro do presidente Clinton, é um deles. Ele foi um dos principais proponentes da desregulamentação bancária no final da década de 1990 e é improvável que perturbe a indústria, apertando a política monetária.

Janet Yellen seria outra possível escolha, atualmente vice-presidente do FED. Ela poderia simplesmente continuar com as políticas atuais, sem prejudicar o funcionamento interno da entidade.

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