Departamento de Estado dos EUA publica plano de combate às ameaças do regime chinês

PCC busca "substituir a ordem internacional estabelecida baseada em Estados-nação livres e soberanos por uma unidade de nações em deferência compartilhada à interpretação do PCC sobre o socialismo internacional"

Por Nicole Hao

O Departamento de Estado dos EUA divulgou recentemente um documento descrevendo as ameaças da China à ordem internacional e como combatê-las.

Em um relatório de 74 páginas, o Escritório de Planejamento de Políticas do Departamento de Estado examina como as ambições globais do Partido Comunista Chinês (PCC) desencadearam uma nova era de competição entre as grandes potências.

O departamento advertiu que o PCC busca “substituir a ordem internacional estabelecida baseada em Estados-nação livres e soberanos por uma unidade de nações em deferência compartilhada à interpretação do PCC sobre o socialismo internacional”.

O relatório cita como exemplos a coleta de dados de Pequim por meio de tecnologia intrusiva; o roubo de propriedade intelectual; a militarização do Mar da China Meridional para reivindicar direitos territoriais; a repressão das liberdades em Hong Kong; e negócios predatórios por meio de projetos de investimento da iniciativa Um Cinturão, Uma Rota.

O regime chinês exerce suas proezas econômicas para forçar os países a cumprir suas ordens e “fazer com que as sociedades e a política das nações estrangeiras se adaptem melhor às especificações do PCC”, diz o relatório.

O Departamento de Estado também observou que o regime de Pequim está desenvolvendo “um exército de classe mundial para rivalizar e, por fim, superar os militares dos EUA”, segundo o documento.

O relatório constatou que a esperança inicial dos Estados Unidos de que o envolvimento econômico com o regime chinês levaria o país a adotar a liberalização política não se concretizou. Em vez disso, o regime chinês se transformou em uma poderosa “ditadura marxista-leninista”, buscando influenciar outros países a servir “aos objetivos autoritários de Pequim”, diz o departamento.

Apesar da agressão da China, o relatório explica que o PCC tem fraquezas notáveis, algumas “endêmicas à autocracia”, como limitações à inovação, instabilidade econômica, corrupção e dificuldades em formar e manter alianças.

Em particular, o documento observa que no rastro da pandemia COVID-19, que se originou na cidade chinesa de Wuhan, Pequim induziu “uma crescente raiva internacional através do desprezo do PCC pela vida humana, indiferença ao bem-estar de outras nações e desrespeito às normas e obrigações internacionais”.

Na frente econômica, as vulnerabilidades do regime chinês também aumentaram.

O relatório cita a declaração do primeiro-ministro Li Keqiang de que cerca de metade de sua população – 600 milhões – tinha renda baixa ou média, o que significa que eles não tinham dinheiro para alugar um quarto em uma cidade chinesa de nível médio.

O desenvolvimento econômico da China levou à piora das condições demográficas, degradação ambiental e aumento da corrupção, enquanto o controle cada vez mais estrito sobre a população gerou mais protestos, observa ele.

A economia da China também é altamente dependente da exportação de seus produtos para os Estados Unidos e outros países, e do uso do dólar dos Estados Unidos para liquidar suas transações internacionais. Os setores de manufatura avançados do país também precisam importar microchips sofisticados e outros bens tecnológicos de alto valor dos Estados Unidos e de outras nações industriais avançadas.

“Isso deixa setores críticos da economia chinesa vulneráveis ​​a interrupções temporárias pela imposição de controles de exportação por governos estrangeiros”, afirma o documento.

Para combater as ameaças do PCC, os Estados Unidos devem fortalecer suas alianças, manter seus poderosos militares e educar seus cidadãos sobre o “escopo e implicações do desafio da China”.

A nova geração de funcionários do governo e estrategistas políticos dos EUA deve ser treinada para entender melhor o regime chinês, diz o departamento.

O relatório também diz que os Estados Unidos devem procurar se envolver com Pequim em termos de “justiça e reciprocidade”, enquanto “restringe e dissuade a República Popular da China [República Popular da China] quando as circunstâncias exigirem, e apoia aqueles que buscam a liberdade na China”.

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