A culpa não é dos micróbios; é nossa

Atualmente perderam-se de vista muitos conhecimentos sobre as causas reais das doenças e descartaram-se muitos meios e terapias simples e eficazes para a recuperação da saúde, devido ao direcionamento dos estudos científicos pela teoria microbiana das doenças.

A teoria microbiana atribui a causa de inúmeras doenças aos micro-organismos como bactérias, bacilos e vírus, e leva a um desenvolvimento massivo de antibióticos e vacinas para combatê-los.

As bases da medicina moderna e, mais especificamente, o estudo das doenças infecciosas, fixaram-se, depois de 1850, em micro-organismos patogênicos, especialmente depois dos estudos e das descobertas de Luis Pasteur (químico e cientista francês) e Robert Koch (médico e cientista alemão) sobre os micróbios.

Com estes conhecimentos sobre os agentes infecciosos acreditava-se ter alcançado a compreensão definitiva sobre a origem das moléstias infecciosas e das epidemias que assolavam a humanidade.

Posteriormente, em 1928, Alexander Fleming, médico e cientista inglês, descobriu a penicilina – o primeiro antibiótico mundialmente conhecido.

Depois de 1940, constatou-se a grande eficácia da penicilina no tratamento de algumas infecções importantes e passou-se a produzi-la em larga escala. Seu uso generalizou-se e outros antibióticos começaram a ser pesquisados e desenvolvidos em todo o mundo.

Os antibióticos passaram, naquela época, a ser como uma panaceia, um milagre da medicina para salvar a humanidade de todas as doenças infecciosas e epidemias.

A partir daí, todos os esforços foram concentrados na pesquisa dos micro-organismos patogênicos e a sua relação com o surgimento das doenças, e o desenvolvimento de remédios capazes de eliminá-los tornou-se o carro-chefe da ciência médica e das indústrias farmacêuticas.

Esqueceu-se, entretanto, de que é o próprio ser humano, através de seus maus hábitos, que possibilita a entrada, a fixação e a proliferação de micro-organismos patogênicos em seu organismo. A visão fragmentada e descontextualizada das pesquisas feitas exclusivamente dentro dos laboratórios – sem a observação das inter-relações entre as infecções e o estilo de vida dos doentes – levou os cientistas a restringirem o tratamento das doenças infecciosas ao combate dos micro-organismos, ao invés de compreenderem e tratarem dos desvios nos hábitos de vida das pessoas, os quais formam um terreno propício para a invasão e a multiplicação dos micro-organismos patogênicos.

Devido à teoria microbiana, os cientistas se concentram atualmente em destruir micro-organismos, e não em compreender os estilos e os hábitos de vida que enfraquecem e tornam as pessoas vulneráveis a esses mesmos micro-organismos. Produtos artificiais e industrializados, o cigarro, o álcool, a vida anti-natural, os agrotóxicos e a poluição ambiental não têm mais nenhuma relação com as doenças infecciosas e os micróbios se tornaram os vilões absolutos.

As ações humanas foram magicamente esquecidas e substituídas por uma heróica luta contra o agente malígno: os micróbios.

Diferentes visões e perspectivas sobre saúde e doença

Antes de mais nada, é preciso saber que todos os grandes médicos da antiguidade sabiam que as causas das doenças eram as condições da mente, os maus hábitos e a exposição aos agentes nocivos. Os grandes médicos chineses, indianos, persas e gregos entendiam das interações entre o meio ambiente e as doenças, entre a psique e o corpo e entre os hábitos de vida e a saúde.

Naquela época não existiam antibióticos – ainda que algumas ervas, substâncias e terapias tivessem funções semelhantes no combate às infecções. Os remédios indicados eram, entre outros, banhos medicinais, correção da dieta, correção dos maus hábitos, as ervas, a acupuntura, a massagem.

E mesmo atualmente existem visões e descobertas de outros médicos e cientistas, além da visão e das descobertas da ciência ortodoxa.

Usando métodos científicos atuais, eles observaram e descobriram princípios bastante profundos que estão, inclusive, por trás das origens das próprias infecções. Eles comprovaram, por meio da ciência contemporânea, o que os grandes médicos da antiguidade já afirmavam: os micróbios não são em si mesmos as causas das doenças infecciosas; as doenças são decorrentes de mudanças importantes que ocorrem em nosso organismo, devido às nossas próprias ações, sentimentos e estilo de vida.

Esses médicos e cientistas perceberam que os micróbios somente se tornam patogênicos ou se proliferam de forma anormal em nosso organismo quando mudamos as condições naturais de nossos tecidos orgânicos (mucosas, sangue, nervos), alterando o seu pH, o seu estado de tensão, a sua temperatura e a sua higiene, ou seja, o seu estado natural.

Comprovaram também que muitos micro-organismos que habitam em nosso organismo são formas de vida que coexistem conosco simbioticamente, favorecendo inúmeras funções do nosso metabolismo, e que, sem eles, adoeceríamos. E estes micro-organismos não formam apenas as conhecidas floras bacterianas que vivem em nossos intestinos, vagina e outras partes. Esses médicos constataram que existem microrganismos ainda menores, que circulam no sangue e vivem em outros tecidos. Em condições normais, esses micro-organismos nos auxiliam em inúmeras funções metabólicas.

Além disso, eles fizeram uma descoberta surpreendente: a de que os micróbios que causam as infecções são mutações ou evoluções inadequadas desses mesmos microrganismos saudáveis que vivem em nós. Estes se transformam em micro-organismos patogênicos quando passam a viver em um ambiente orgânico alterado, o qual modifica o seu padrão de vida e de comportamento, ocasionando uma evolução doentia dos mesmos, tornando-os incompatíveis com o nosso organismo, ou seja, gerando infecções, inflamações e tumores [1].

Estes cientistas e médicos também concluíram que uma vez que as condições alteradas do organismo sejam corrigidas, as infecções e outras doenças degenerativas se curam totalmente, sem o uso de antibióticos, vacinas ou outras drogas.

A conclusão científica a que eles chegaram foi a de que não são os micro-organismos os responsáveis pelas doenças, mas sim as alterações que produzimos em nosso organismo, que servem de terreno para a existência e a proliferação de microrganismos patogênicos; disso resultam tecidos inflamados, tensos, intoxicados, enfraquecidos, sujos, irritados e quimicamente desequilibrados.

O próprio Louis Pasteur, em seu leito de morte disse: “Bernard tinha razão, o micróbio não é nada, o terreno é tudo”.

Claude Bernard (1813-1878) foi um célebre médico francês, que fundou muitas bases da fisiologia moderna. Ele postulava que a saúde do organismo depende do seu próprio ambiente interno.

Na prática

De acordo com esses entendimentos, não são os micróbios os verdadeiros causadores das doenças, mas sim o corpo alterado (doente) que é capaz de oferecer um ambiente propício para a existência e o desenvolvimento dos micro-organismos patogênicos. Da mesma forma, as doenças degenerativas e neoplásicas são o resultado de alterações profundas no organismo, causadas pelas próprias pessoas.

Nada é ao acaso e nem as doenças surgem casualmente: são sempre a nossa mente, o nosso estilo de vida e o nosso estado orgânico que determinam se adoeceremos ou não. E para a cura verdadeira é preciso que os estados alterados, anormais e não-saudáveis do corpo e da mente sejam corrigidos.

Famosos médicos e terapeutas não só sabiam desses princípios empiricamente, como desenvolveram métodos e terapias naturais de efeitos maravilhosos para a desintoxicação e o fortalecimento orgânico, para o reequilíbrio da mente e do corpo, que resultam na recuperação total da saúde. Louis Kuhne, Adolf Just, Arnold Rickli, Sebastian Kneipp, Vincenz Priessnitz, Manuel Lezaeta Acharan, Edward Bach e outros grandes médicos e terapeutas padeceram de doenças graves, para as quais antibióticos, cirurgias e remédios químicos foram ineficientes. Suas experiências e aprendizados foram surpreendentes e transformadores, levando-os a curarem-se totalmente. Com base nessas profundas experiências e estudos científicos eles desenvolveram métodos e terapias curativas excepcionais.

Depois de tornarem-se sãos novamente, usando apenas meios naturais absolutamente acessíveis a todos os seres humanos, eles ofereceram a oportunidade a milhões de pessoas de reencontrarem a saúde, mesmo em doenças ditas incuráveis. Seus métodos, aparentemente simples, funcionam de modo excepcional em praticamente todos os tipos de doenças (degenerativas, infecciosas, neoplásicas; agudas, crônicas).

Entender seus princípios e aplicar suas terapias pode ser uma oportunidade única, até mesmo para quem está sem esperanças.

A medicina ortodoxa contemporânea é excelente para todos os tipos de traumas, necessidades cirúrgicas, terapias emergenciais e semelhantes. Seu conhecimento e eficácia no tratamento de doenças agudas e acidentes são inquestionáveis e maravilhosos.

Por outro lado, para a compreensão e a abordagem das doenças crônicas, degenerativas ou infecciosas recorrentes, as terapias naturais (ocidentais ou orientais), aplicadas por médicos naturopatas, naturólogos, terapeutas naturalistas são incomparáveis. Nestes casos, só essas abordagens sábias podem permitir o retorno à saúde definitiva.

Como dizem os naturalistas: “Não existem doenças. Existem doentes”. Ou seja: não existem doenças exteriores, mas sim, organismos adoecidos que desenvolvem ou abrigam doenças.

Quem quiser voltar a ser integralmente saudável precisa entender que o organismo, sendo biologicamente um ser natural, precisa de vida e de alimentos naturais. A mente, tendo uma natureza serena e sábia, precisa de paz e silêncio; o coração, tendo uma natureza humana e amorosa, precisa de relações fraternas e de viver a bondade na vida.

(1) Para conhecer melhor esse assunto pesquise: Antoine Béchamp, Guenther Enderlein e Wilhelm Reich.

Alberto Giovanni Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social

 
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