Crise leva um milhão de famílias à queda na escala social, segundo ABEP

De 2015 para 2016, um milhão de famílias (4 milhões de pessoas) baixaram de classe social, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (ABEP) e publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, em sua edição de 29 de maio. Segundo a pesquisa, uma parcela da população que estava na classe C1 foi para a C2. Uma outra parte caiu da C2 para os grupos D/E.

Isto foi resultado do congelamento salarial e do desemprego que acertaram em cheio o poder aquisitivo, causando recessão. Com a queda do consumo, caiu também a receita de impostos.

Conforme admitido pelo próprio IBGE, a inflação de 10,6% não foi recuperada, na maior parte dos casos, pelos salários dos trabalhadores regidos pela CLT e dos funcionários públicos.

Deve-se somar a esse resultado os índices inflacionários mensais de janeiro a maio deste ano. Somente 29% da mão de obra ativa brasileira que recebe salário mínimo e os aposentados e pensionistas do INSS conseguiram recuperar a elevação do custo de vida constatada em 2015. Para o restante da população, as perdas salariais se acumularam e continuam se acumulando.

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Classes de renda

O Estado de São Paulo fala ainda sobre como é a divisão da mão de obra ativa (100 milhões de homens e mulheres) por classes de renda.

O Brasil tem cerca de 57 milhões de famílias. A classe A é constituída por 3% da população. A classe B1 por 5%. A B2 por 15%. A C1 por 23%. A C2 por 27. Por fim, o grupo comparativamente preponderante, classes D/E, camada na qual se situam 29% dos brasileiros.

Na classe A encontram-se as famílias (não pessoas, mas o conjunto de 4 pessoas) com renda mensal de 20,9 mil reais. Na B1 as famílias de salários mensais de 9,2 Mil. Logo após, a B2 unindo grupos familiares que recebem 4,8 mil mensais. Em seguida, a classe C1 dos que ganham 2,7 mil. Abaixo a C2 com 1 mil e 600 reais. Por fim, os grupos D/E, com rendimentos na faixa do salário mínimo.

Ocorre que 56% dos grupos familiares têm vencimentos de 1 a 2 salários mínimos. Considerando-se a proporção de 1 a 3 SM, esse conjunto representa 79% dos que trabalham no Brasil. Somente 8% têm salários que podem ser considerados como classe média. Trata-se aqui de renda média familiar, resultado da soma dos salários de 4 pessoas em média.

A parcela dos que recebem mais de 9,2 mil reais está abaixo de 10%. Se esticarmos a faixa de renda, neste caso individual, para reunir aqueles cujos salários ultrapassam 20 salários mínimos, acharemos só 0,8% da população.

 
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