Criaturas bizarras de contos antigos: podem ser reais?

O universo é cheio de mistérios que desafiam o nosso conhecimento atual. Em “Além da Ciência”, o Epoch Times coleta histórias sobre alguns estranhos fenômenos para estimular a imaginação e abrir a mente para novas possibilidades. Elas são reais? Você decide.

Em antigos relatos históricos, é difícil distinguir o mito da realidade. Isso ocorre porque os antigos utilizavam complicados modos de descrição que confundem o leitor moderno. Às vezes, os relatos misturam fatos e ficção. Também podemos ver a distorção dos fatos ao longo do tempo, como se historiadores estivessem brincado de ‘telefone sem fio’ ao longo dos séculos.

Leia também:
Exaltando as virtudes dos povos antigos
Seis invenções ancestrais que desafiam o conhecimento atual
Físico proeminente comprova que viajar no tempo é possível

Algumas criaturas relatadas por esses contos vão além das mais surreais fantasias modernas. No entanto, elas são descritas com muita naturalidade ao lado de eventos, pessoas, lugares e animais reais.

Aqui estão duas criaturas, uma levemente estranha, e outra realmente muito estranha.

Centícora

A característica mais marcante do Centícora, também conhecido como Eale ou Yale, são seus chifres giratórios. Ele foi primeiramente mencionado por Plínio, o Antigo (23-79 d.C.), no seu livro “História Natural” (Livro VIII). Ele descreve o Centícora como sendo: “Do tamanho de um hipopótamo, com rabo de elefante. Possui coloração preta ou marrom escuro, mandíbulas como a de um javali. Tem chifres móveis, com mais do que meio metro de comprimento. Em batalha, ele pode os manter firmes ou movê-los. Assim, os chifres podem ser perigosos ou não, dependendo da necessidade”.

Esta criatura não é tão diferente de algumas que conhecemos hoje. Poderia Plínio estar tentando descrever um antílope, um gnu ou uma criatura similar a partir de relatos de segunda mão?

Representação de um Centícora (Heraldic Clip Art/Wikimedia Commons)
Representação de um Centícora (Heraldic Clip Art/Wikimedia Commons)

Hugh Stanford London, autor de vários livros sobre heráldica, se interessou pelo Centícora devido ao seu aparecimento no brasão de armas da Família real britânica. Séculos após a menção de Plínio, o Centícora apareceu novamente em bestiários medievais, e na sala de armas do filho caçula do Rei Henrique IV, John, Duque de Bedford e Conde de Kendal.

London escreveu que “O Yale [ou Centícora] também foi incluído entre os animais que foram introduzidos no telhado da Capela de St. George, no Castelo de Windsor, em 1925 a mando do rei, e.. ele foi um dos 10 animais que a rainha deixou exposto na Abadia de Westminster, no momento de sua coroação, e que agora estão no grande salão em Hampton Court”.

Leia também:
Artefatos misteriosos de Laos inspiram lenda de gigantes
Nove criaturas fascinantes e únicas de Madagascar
Uma viagem fascinante à arte do século 17

A.H. Longhurst, que estudou a história indiana, disse a London que o Centícora pode ser baseado em uma criatura mítica conhecida há milhares de anos no sul da Índia, a Yali. Yali é muitas vezes descrita como uma combinação de elefante, cavalo e leão. A forma do Centícora tem variado bastante, mas, observou London, “Uma característica é constante: sua habilidade de girar os chifres, girando um para frente enquanto o outro fica para trás para proteção”.

A Universidade de Yale não é nomeada por causa da criatura, mas sim por causa do fundador Elihu Yale. Mas, o mítico Centícora, ou Yale, aparece em alguns lugares no campus, como na bandeira do reitor da Universidade. O marechal da procissão que convoca os graduados também possui um bastão com uma escultura da cabeça de um Yale no topo.

Blêmias

A 19 edição do Dicionário de Frases e Fabulas (Brewer’s Dictionary of Phrase and Fable) define Blêmias como: “Uma antiga tribo nômade Etíope mencionado por escritores romanos como habitantes de Nubia e do alto Egito. É dito que eles não possuem cabeça, seus olhos e boca estão no peito.”

Um ilustração de um Blemmye nas Crônicas de Nuremberg, 1500
Um ilustração de um Blemmye nas Crônicas de Nuremberg, 1500

O dicionário menciona Blêmias em sua entrada para Caora: “Um rio foi descrito pelos viajantes Elisabetanos, e nas margens dele, habitava um povo cujas cabeças cresceram sob seus ombros. Seus olhos estavam em seus ombros, e suas bocas no meio de seus seios.”

Parece que os Blêmias certamente eram uma tribo de pessoas consideradas uma ameaça para a fronteira sul e para segurança interna do Egito no período romano. Eles se engajaram em conflitos com os romanos dos séculos 3 e 4 d.C.

Criaturas semelhantes a humanos, em contos, são frequentemente representações distorcidas de pessoas estrangeiras, estranhas ou ameaçadoras para aqueles que os descreveram.

Asa Mittman descreveu os Blêmias alegoricamente em “Maps and Monsters in Medieval England”(Mapas e monstros na Inglaterra medieval): “Suas cabeças, o assento espiritual, afundaram em seus corpos carnais. O Blêmia é um homem que se tornou um corpo puramente físico, uma entidade material, cujo olhos no peito são, tomando emprestado de Leonardo Da Vinci, janelas apenas para o corpo.” Estas representações monstruosas podem simplesmente mostrar que estas pessoas são depravadas ou desumanas, de acordo com a opinião dos cronistas.

 
Matérias Relacionadas