Corrupção: executivos de estatal chinesa fazem refeição de U$3600 com dinheiro público

A maior central elétrica da China pertence ao estado, serve cerca de 85% da população e gera enormes rendimentos – o suficiente para que seus principais executivos se deem ao luxo de desfrutar de refeições no valor de milhares de dólares.

Li Ruge, o membro da Corporação Elétrica da China, e  Xu Peng, chefe de contabilidade da corporação, gastaram 22,5 mil yuan ($3.600) de fundos públicos em uma única refeição, de acordo com a investigação publicada no dia 25 de março pela Comissão Central para Inspeção da Disciplina – CCDI, a agência anticorrupção da China.

O relatório anunciou que os dois receberam avisos sérios do partido, foram obrigados a devolver o valor da refeições, e também  foram presos para serem investigados.

Uma refeição de $3,600 não é nada para a Corporação Elétrica da China, como nota a mídia continental chinesa Caixin. A companhia é dona de 88% das redes elétricas da China e fornece eletricidade para mais de 1.1 bilhões de chineses do continente (de uma população de 1.37 bilhões), e gera mais de dois trilhões de yuan por ano ($322 milhões por ano).

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A corrupção é desenfreada na companhia que gera a eletricidade pública, pois não existe ninguém para supervisionar os executivos de alto escalão, e o que não falta são pessoas para oferecer presentes e subornos, afirma a Caixin. Contudo, desde que a campanha anticorrupção iniciada pelo líder Xi Jinping e liderada por Wang Qishan começou a investigar a empresa do ramo elétrico no ano passado, uma parte dos altos executivos foi detida.

Este ano, o sistema de energia está mudando o foco de sua atenção para a Companhia Elétrica do Sul da China, uma companhia estatal listada na Fortune 500, na posição 115º a nível global no ano de 2014. Esta empresa fornece as cinco maiores províncias chinesas de Guangdong, Guanxi, Yunnan, Guizhou e Hainan.

O departamento responsável por investigar a corrupção anunciou penalizações a mais de 10 oficiais da empresa Companhia Elétrica do Sul da China no dia 27 de março, por apropriação indevida de fundos públicos e abuso de poder visando o lucro pessoal. Por exemplo, o diretor do Departamento de Fornecimento de Energia de Zongshan, Wang Haobo, abusou da sua posição para realizar projetos pessoais e conseguir lucro; e Ouyang Xiuxu, um executivo do Departamento de Fornecimento de Energia de Tianzhu, secretamente cobrou taxas aos seus clientes para obter lucro pessoal.

A Rede de Energia de Guangdong, maior companhia de rede elétrica do sul da China, tem sido a mais visada pela campanha anticorrupção, de acordo com as mídias estatais. Pelo menos três executivos de alto escalão da Rede de Energia de Guangdong foram investigados este ano, incluindo o ex-director Liao Jianhua, o ex-secretário do Partido Comunista Huang Jiannjun e o representante do Partido Lei Liebo.

Mais recentemente, Qi Daicai, diretor e administrador geral da Companhia Elétrica do Sul da China, foi investigado por “violação das normas de conduta”, de acordo publicação no website oficial da agência anticorrupção no dia 30 de março.

Qi Daicai, membro do comitê do Partido Comunista de 51 anos recebeu o grau de doutor pela Universidade Tsinghua, e nunca deixou o ramo da indústria de energia chinesa durante toda a sua carreira, de acordo com o seu currículo público.

Ainda que o website do departamento do governo não diga a razão pela qual Qi está sendo investigado, provavelmente irão ser descobertas evidências de suborno, desvio de fundos públicos e abuso de poder. Estas são, normalmente, as razões pelas quais os oficiais são demitidos.

 
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