Coreia do Norte substitui guardas de fronteira após fuga de desertor

A Coreia do Norte substituiu todos os seus guardas de segurança de fronteira após a fuga angustiante de um soldado norte-coreano, disse uma fonte à principal agência de notícias da Coreia do Sul.

O soldado, conhecido apenas por seu sobrenome, Oh, escapou sob uma chuva de balas e foi arrastado para segurança por soldados do Batalhão de Segurança do Comando das Nações Unidas em 13 de novembro, quando fugia para a Coreia do Sul através de uma das áreas mais bem guardadas na fronteira.

Soldados norte-coreanos olham em direção à Coreia do Sul na Zona Desmilitarizada, em Panmunjom, Coreia do Sul, em 27 de outubro de 2017 (Jeon Heon-kyun/Getty Images)
Soldados norte-coreanos olham em direção à Coreia do Sul na Zona Desmilitarizada, em Panmunjom, Coreia do Sul, em 27 de outubro de 2017 (Jeon Heon-kyun/Getty Images)

O soldado de 24 anos foi baleado pelo menos cinco vezes e permanece no hospital, recuperando-se de suas feridas, da desnutrição e de uma severa infestação de parasitas. Os médicos revelaram que ele também tem tuberculose inativa e hepatite B.

Na quinta-feira, uma fonte de inteligência disse à Yonhap News Agency que os guardas de fronteira norte-coreanos foram substituídos no que parece ser uma retribuição por sua ineficácia em impedir a fuga do desertor através da Área de Segurança Conjunta.

A possibilidade de que Oh também fosse um guarda de fronteira também pode ser um fator.

“Sinais foram detectados que a Coreia do Norte substituiu todos os oficiais de segurança de fronteira após a deserção”, disse a fonte. “Dada esta situação, os comandantes da unidade militar responsável e oficiais superiores podem ter sofrido punição.”

A fonte disse que os norte-coreanos parecem ter intensificado a sondagem de pessoas que entram e saem da Zona Desmilitarizada (ZDM).

Soldados sul-coreanos patrulham ao longo de uma cerca em Paju, perto da Zona Desmilitarizada que divide as duas Coreias, em 19 de dezembro de 2011 (Yonhap/AFP/Getty Images)
Soldados sul-coreanos patrulham ao longo de uma cerca em Paju, perto da Zona Desmilitarizada que divide as duas Coreias, em 19 de dezembro de 2011 (Yonhap/AFP/Getty Images)

A fonte disse que o regime também parece ter fechado temporariamente a ponte através da qual o desertor dirigiu para chegar ao lado norte da Área de Segurança Conjunta, onde soldados de ambos as Coreias permanecem de prontidão face-a-face.

Os guardas teriam feito cerca de 40 disparos na tentativa de deter Oh e duas vezes violaram o armistício que a Coreia do Norte assinou com o Comando das Nações Unidas (CNU) para interromper as hostilidades da Guerra da Coreia em 1953.

Nas descobertas divulgadas na quarta-feira, o CNU disse que a Coreia do Norte violou o armistício disparando através da Linha de Demarcação Militar que separa os dois países e quando um de seus soldados atravessou a linha em busca do desertor.

Oh dirigiu um jipe ​​ao longo da estrada que conduzia à Área de Segurança Conjunta, também conhecida como a aldeia da trégua de Panmunjom, atraindo a atenção dos guardas quando ele não parou num posto de segurança ao longo do caminho.

Ele então saltou do jipe ​​depois que este ficou atolado e correu a distância restante em direção a Linha de Demarcação Militar, enquanto guardas de fronteira norte-coreanos o perseguiam e atiravam.

Um desertor foge de soldados norte-coreanos que disparam contra ele na Área de Segurança Conjunta na fronteira entre as duas Coreias (UNC)
Um desertor foge de soldados norte-coreanos que disparam contra ele na Área de Segurança Conjunta na fronteira entre as duas Coreias (UNC)

Poucos norte-coreanos tentam desertar ao longo da fronteira do país com a Coreia do Sul, porque é uma área fortemente protegida com uma Zona Desmilitarizada de quatro quilômetros de extensão, cobrindo quase toda a divisão entre as Coreias.

Enquanto os dois países organizam discussões e intercâmbios por meio da Área de Segurança Conjunta, que está dentro da ZDM, ela também é bem fortificada, cheia de guardas e quase impossível de passar sem ser detectado. A maioria dos norte-coreanos foge pela fronteira menos vigiada do país com a China, onde o comércio e o movimento de civis são mais comuns.

Caminhões esperam na cidade fronteiriça chinesa de Dandong, na província de Liaoning, Nordeste da China, antes de atravessarem a Ponte da Amizade em direção à cidade norte-coreana de Sinuiju, em 5 de setembro de 2017 (Greg Baker/AFP/Getty Images)
Caminhões esperam na cidade fronteiriça chinesa de Dandong, na província de Liaoning, Nordeste da China, antes de atravessarem a Ponte da Amizade em direção à cidade norte-coreana de Sinuiju, em 5 de setembro de 2017 (Greg Baker/AFP/Getty Images)

Mas de acordo com um funcionário sul-coreano, acredita-se que Oh seja um sargento do exército que estava estacionado na Área de Segurança Conjunta, informou o Guardian.

Se for verdade, isso explicaria como ele conseguiu chegar tão perto da fronteira sem ser parado.

 
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