Coreia do Norte intensifica suas ameaças de guerra

Um ativista sul-coreano marca uma foto do jovem líder norte-coreano Kim Jong-Un (esquerda), durante uma manifestação recente anti-Coreia do Norte realizada em Seul (Jung Yeon-Je/AFP/Getty Images)
Um ativista sul-coreano marca uma foto do jovem líder norte-coreano Kim Jong-Un (esquerda), durante uma manifestação recente anti-Coreia do Norte realizada em Seul (Jung Yeon-Je/AFP/Getty Images)

WASHINGTON – A Coreia do Norte renovou sua retórica na terça-feira, dizendo que se prepara para atacar o Havaí, Guam e os Estados Unidos continental. Analistas dizem que é um padrão familiar de busca de atenção, mas, com um novo líder no leme do isolado regime, ninguém pode se dar ao luxo de ignorar suas ameaças.

“A coisa mais assustadora para muitas pessoas é: ‘E se fizermos uma avaliação incorreta?’ E se assumirmos que é o mesmo e é realmente algo diferente”, disse o professor Steven Weber, analista político e de segurança da Universidade da Califórnia–Berkeley.

Num comunicado divulgado pela mídia estatal, o alto comando militar da Coreia do Norte disse que as unidades de foguetes de artilharia e de longo alcance seriam preparadas para atacar os EUA, as bases militares dos EUA e a Coreia do Sul.

“O Comando Supremo do Exército Popular Coreano colocará em alerta máximo todas as unidades de artilharia de campo, incluindo unidades estratégicas de foguetes e de artilharia de longo alcance, que estão programadas para atacar bases das tropas agressoras imperialistas norte-americanas nos EUA continental, Havaí, Guam e outras zonas operacionais no Pacífico, bem como todos os alvos inimigos na Coreia do Sul e arredores”, diz o comunicado militar publicado no website da Agência Central de Notícias Coreana (ACNC).

“Tudo será reduzido a cinzas e chamas assim que o primeiro ataque for desencadeado”, afirmam os militares norte-coreanos.

O Pentágono descreveu a declaração como “retórica belicosa”, já que os Estados Unidos seriam totalmente capazes de se defender e a seus aliados, especialmente o Japão e a Coreia do Sul.

“A Coreia do Norte não conseguirá nada com ameaças ou provocações, isso somente a isolará ainda mais e minará os esforços internacionais pela paz e a estabilidade no nordeste da Ásia”, disse Cathy Wilkinson, a porta-voz do Departamento de Defesa para Assuntos de Segurança da Ásia e Pacífico, num e-mail.

Padrão de provocação

Weber diz que a Coreia do Norte [também conhecida como República Popular Democrática da Coreia] normalmente busca atenção por meio de retórica e provocação quando sente que está sendo ignorada pelas grandes potências.

“Eles fazem barulho e criam confusão quando isso gera algum interesse para obter novas concessões”, disse ele numa entrevista por telefone.

Outros apontam para a eleição de um novo líder na Coreia do Sul. A primeira presidente mulher da República da Coreia, Park Geun-hye, tomou posse em fevereiro deste ano.

“Há um padrão para testar os novos presidentes sul-coreanos que assumem o cargo”, disse o Dr. Victor Cha, analista sobre a Coreia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, num fórum sobre a Coreia do Norte.

As ameaças recentes podem também estar relacionadas às sanções econômicas impostas pela ONU e os exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. As sanções afetam o principal banco de troca estrangeira de Pyongyang. Elas se destinam a secar os fundos do programa nuclear da Coreia do Norte. Os exercícios envolveram 13 mil tropas sul-coreanas e norte-americanas e terminaram na semana passada.

Mas é o novo líder de 30 anos, Kim Jong-Un, que assumiu a liderança em dezembro de 2011 após a morte do pai, está criando mal-estar entre os analistas de segurança.

Assim como seu pai Kim Jong-Il, o jovem Kim mantem-se em sintonia com a única força unificadora do empobrecido país, os militares. Como líder militar, ele é responsável pela quarta maior força militar em atividade e a pela maior força de artilharia no mundo e pouco se sabe sobre suas aspirações ou capacidades.

“Ele não é claramente conhecido”, disse Weber, “Todos tentam descobrir algo.”

Tensão crescente

Kim Jong-Un tem demonstrado mais agressividade do que o pai. Sob a nova liderança, o Norte realizou três testes nucleares, o mais recente no mês passado. Os militares também tem apresentado capacidade de mísseis balísticos intercontinentais e confrontado a Coreia do Sul, incluindo afundar um navio da Marinha sul-coreana.

“A grande incerteza com o novo líder no poder é: isso é o mesmo jogo ou algo diferente?”, questionou Weber.

O Leste da Ásia está em fase explosiva com grandes poderes vulneráveis a qualquer “erro de cálculo ou conflito involuntário” e a Coreia do Norte poderia muito bem ser o gatilho, disse ele.

“Este é o lugar mais perigoso do mundo para interações de poder”, disse Weber.

Num anúncio no início deste mês, o Secretário de Defesa norte-americano Chuck Hagel disse que o Pentágono aumentaria a capacidade de defesa de mísseis dos EUA em 50%, em grande parte para se proteger contra ataques da Coreia do Norte que, segundo ele, fizeram avanços significantes.

O fortalecimento verá mais 14 interceptores de terra implantados na Costa Oeste, em Fort Greely, no Alasca e na Base Vandenberg da Força Aérea na Califórnia, disse Hagel.

Walter Sharp, ex-comandante-general das Forças Combinadas dos EUA, acredita que o tempo está se esgotando para a Coreia do Norte.

Com os Estados Unidos e seus aliados focados no diálogo e em pouca retaliação às provocações no passado, a Coreia do Norte agora está “capacitada e mais disposta” a ameaçar os Estados Unidos e a Coreia do Sul, disse ele.

“Acredito que é hora de mudar o equilíbrio e forçar a Coreia do Norte a mudar”, disse ele num fórum da CSIS na semana passada.

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