Congresso Nacional chinês também tem seus perdedores

O político chinês Du Qinglin, retratado aqui em Pequim em 2005, teria sido deixado de fora do Politburo recentemente por apoiar o político chinês desgraçado Bo Xilai, segundo analistas (Goh Chai Hin/Getty Images)

Por trás de cada personagem sombrio que entrou no Comitê Permanente do Politburo na mudança recente da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC), há uma história de intriga e negociatas. A guerra política do PCC também cria sua parcela de perdedores, é claro, e cada fracasso também tem sua história. O compromisso político entre facções rivais esmagou, ou em alguns casos apenas aleijou, as ambições de uma série de autoridades comunistas esperançosas.

As vítimas foram registradas em todos os lados: A facção associada ao ex-líder chinês Jiang Zemin viu um de seus soldados de confiança perder uma promoção-chave, a facção associada com os príncipes, ou filhos de líderes revolucionários, falhou em conseguir dois poderosos postos militares e a promoção de dois oficiais mais orientados à reforma, associados com o grupo de Hu Jintao, o líder do PCC que deixa o cargo, e que foram excluídos do Comitê Permanente em favor de homens de Jiang Zemin.

Mestre espião deixado de lado

Observadores do sistema político da China não ficaram muito surpresos quando Du Qinglin, o ex-diretor do Departamento da Frente Unida, que além de construir alianças com grupos não-comunistas também dirige uma rede de espionagem no estrangeiro, não entrou para o Politburo.

Rumores vazaram para a imprensa internacional chinesa indicando que Du Qinglin poderia ser feito vice-premiê e garantir um assento no Politburo, o comitê de 25 membros que fica logo abaixo da liderança suprema.

Os problemas de Du Qinglin provavelmente estavam intimamente relacionados à sua relação de amizade com Bo Xilai, um oficial desgraçado do PCC, e por seu suposto papel no golpe que Bo Xilai planejava com o ex-chefe da segurança pública Zhou Yongkang.

Desde os anos 90, quase todos os ex-diretores do Departamento da Frente Unida se tornaram membros do Politburo num momento ou outro. Du Qinglin assumiu o comando do departamento em 2007, mas foi posto de lado num movimento surpresa em setembro, depois que Ling Jihua, um confidente de Hu Jintao, foi transferido do Secretariado para chefiar o departamento, substituindo Du Qinglin.

Príncipes militares frustrados

Dois membros proeminentes da aristocracia vermelha tinham tudo pronto para desempenhar um papel importante na reformulação da política militar do PCC, mas para seu desgosto perderam sua oportunidade de entrar no Comitê Militar Central (CMC), o órgão do PCC que controla os militares.

Liu Yuan, o filho de Liu Shaoqi, um colaborador próximo em certa época de Mao Tsé-tung, e Zhang Haiyang, filho de Zhang Zhen, um ex-general sênior do Exército de Liberação Popular, deixaram claro que tinham a intenção de desafiar a liderança atual.

“O conselheiro de Liu Yuan culpou abertamente a liderança por ser muito fraca e não resolver qualquer problema, não ser capaz ou qualificada”, disse Cheng Xiaonong, um ex-assessor do líder chinês deposto Zhao Ziyang que agora vive nos Estados Unidos.

A mensagem deles foi, “em outras palavras, é a nossa vez”. Como filhos de revolucionários que viram o PCC conquistar a China, estes homens veem a liderança do PCC como seu patrimônio. “Os príncipes iniciaram a luta”, diz Cheng Xiaonong.

Liu Yuan e Zhang Haiyang faziam parte de um conluio que foi desmantelado na maior parte com a destruição política do Bo Xilai. “Bo Xilai era um desafiador representando vários príncipes, a segunda geração vermelha”, diz Cheng Xiaonong.

Em vez de seguir o protocolo e permitir que o novo Politburo selecionasse os novos membros do CMC, Hu Jintao se antecipou e fez dois generais, Xu Qiliang e Fang Changlong, vice-presidentes. Isso foi amplamente visto como uma decisão incomum.

“Foi um sinal para todos os delegados do Congresso do PCC que agora os novos vice-presidentes pertencem aos novos líderes e não tem relação com Liu Yuan e Zhang Haiyang.”

O fato de que eles não foram promovidos também “reflete um esforço para consolidar militares profissionais que são leais ao PCC e não estão envolvidos na política interna chinesa”, segundo Jonathan Pollock, do Instituto Brookings de Washington, falando num fórum recente.

Essa passagem por cima dos membros da aristocracia vermelha, no entanto, não significa que o PCC agora está no caminho da reforma e da modernização. Dois camaradas que têm uma reputação de serem mais orientados para as reformas não entraram no Comitê Permanente, o órgão político mais poderoso da China.

O político chinês Li Yuanchao no 18º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês em Pequim em novembro (Feng Li/Getty Images)

‘Reformadores’ deixados de fora

Wang Yang e Li Yuanchao estavam alinhados com o grupo de Hu Jintao, mas foram deixados de fora do Comitê Permanente, aparentemente devido à influência do ex-líder Jiang Zemin, que interferiu para que um número de seus protegidos estivesse no comitê.

“Todo mundo está se perguntando: o que aconteceu com Li Yuanchao e Yang Wang que não entraram no Comitê Permanente”, disse Li Cheng, um estudioso da elite política chinesa do Instituto Brookings, em entrevista à BBC chinesa.

“Li Yuanchao representava muitas forças sociais, incluindo intelectuais liberais, forças que pedem reforma política, estudantes que retornam de estudos no exterior ou estudantes universitários que se tornam camaradas nas vilas”, disse ele. “Isso atrairá numerosas críticas dos intelectuais.”

Em vez disso, a maioria dos homens que integraram o Comitê Permanente tem históricos conservadores e pouco inspiradores e não são susceptíveis de promover políticas que façam qualquer coisa para perturbar o status quo.

Wang Yang promoveu um número de políticas relativamente orientadas à reforma em Guangdong, dando palestras sobre como o papel do PCC não deve ter tão grande na vida das pessoas comuns, e também reprimiu oficiais corruptos.

Assim, de acordo com o Apple Daily de Hong Kong, Wang Yang estava fora da séria disputa para este Comitê Permanente há algum tempo, porque algumas de suas políticas amedrontaram grupos de interesse no regime. Li Yuanchao, no entanto, teria sido sacrificado para garantir que Liu Yuan e Zhang Haiyang não entrariam no Comitê Militar Central.

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Nota do Editor: Quando o ex-chefe de polícia de Chongqing, Wang Lijun, fugiu para o consulado dos EUA em Chengdu em 6 de fevereiro, ele colocou em movimento uma tempestade política que não tem amenizado. A batalha nos bastidores gira em torno da postura tomada pelos oficiais em relação à perseguição ao Falun Gong. A facção das mãos ensanguentadas, composta pelos oficiais que o ex-líder chinês Jiang Zemin promoveu para realizarem a perseguição ao Falun Gong, tenta evitar ser responsabilizada por seus crimes e continuar a campanha genocida. Outros oficiais têm se recusado a continuar a participar da perseguição. Esses eventos apresentam uma escolha clara para os oficiais e cidadãos chineses, bem como para as pessoas em todo o mundo: apoiar ou opor-se à perseguição ao Falun Gong. A história registrará a escolha de cada pessoa.

 
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