Publicado em - Atualizado em 01/11/2017 às 14:36

Comunismo hoje na China

O mundo livre deve examinar por que está apoiando as violações sistemáticas dos direitos humanos do partido-Estado comunista

Uma visão panorâmica do Grande Salão do Povo durante o encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista no Grande Salão do Povo em Pequim, na China, em 24 de outubro de 2017 (Lintao Zhang/Getty Images)

Uma visão panorâmica do Grande Salão do Povo durante o encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista no Grande Salão do Povo em Pequim, na China, em 24 de outubro de 2017 (Lintao Zhang/Getty Images)

Em meados do século XX, muitos pensavam que o comunismo soviético poderia substituir a democracia como a ideologia política dominante em todo o mundo. Hoje, misericórdia, apenas cinco países comunistas permanecem em todo o mundo, coexistindo com cerca de 188 outras nações — uma maioria com governança democrática de diferentes tipos. Os cinco são a China, Cuba, Laos, Coreia do Norte e Vietnã, mas o foco aqui será sobre a China.

Com 89 milhões de membros, o Partido Comunista Chinês (PCC) é o maior partido político do mundo, maior que toda a população da Alemanha. A China ainda é o país mais populoso do mundo e agora possui a segunda maior economia e um terço dos bilionários mundiais. No entanto, devido a sua enorme população (cerca de 1,388 bilhão), o PIB per capita no ano passado foi inferior a US$ 7.000, apenas 55% da média mundial, demonstrando que ainda tem um longo caminho a percorrer.

Com 89 milhões de membros, o Partido Comunista Chinês (PCC) é o maior partido político do mundo

Como a Coreia do Norte e a Rússia, o partido-Estado na China pretende ser uma democracia. Isaac Stone Fish, um colega sênior sobre relações sino-americanas do U.S. Asia Society’s Center, escreve: “Pequim continua insistindo ─ apesar da falta de eleições livres e justas, mídia sem censura ou um poder judicial independente ─ que é uma democracia… Mas… mentir para as pessoas não é a base sólida que a boa governança faz. Nos sete anos em que vivi na China, nenhum chinês que não fosse um mercenário do Partido Comunista pôde me dizer com um semblante sincero que eles estavam vivendo em uma democracia”.

Wei Jingsheng, do movimento chinês pró-democracia, observa da América sobre a existência de democracia dentro do próprio partido: “A Constituição do Partido Comunista Chinês afirma claramente: todo o país da China deve obedecer à liderança do PCC, todo o PCC deve obedecer ao Comitê Central do PCC… Algumas pessoas disseram que Deng Xiaoping criou uma atmosfera democrática dentro do PCC… (Ele) foi aposentado em casa à força (em 1989) quando ele promoveu alguns poucos idosos aposentados que eram tão bravos quanto ele, e portanto eles foram capazes de remover o secretário-geral do Partido Comunista, bem como decidir usar o Exército do Povo para matar o povo. É esta a ‘democracia dentro do Partido Comunista’?”

“Nos sete anos em que vivi na China, nenhum chinês que não fosse um mercenário do Partido Comunista pôde me dizer com um semblante sincero que eles estavam vivendo em uma democracia” ─ Isaac Stone Fish, U.S. Asia Society’s Center

Em 2006, a Coalizão para Investigar a Perseguição do Falun Gong na China (CIPFG, na sigla em inglês) solicitou a David Matas e a mim, como voluntários, para investigar reclamações persistentes de pilhagem/tráfico de órgãos de praticantes do Falun Gong. Nós lançamos dois relatórios e um livro, ‘Bloody Harvest’, e continuamos a investigar. (Nosso relatório revisado está disponível em 18 idiomas em www.david-kilgour.com). Determinamos que, para 41.500 transplantes realizados nos anos 2000-2005 na China, o fornecimento, para além de qualquer dúvida razoável, foi de prisioneiros de consciência do Falun Gong.

Praticantes de Falun Gong exibem retratos dos mortos na perseguição na China durante a marcha do Dia Mundial do Falun Dafa ao longo da 42nd Street, em Nova York, em 13 de maio de 2016 (Samira Bouaou/Epoch Times)

Praticantes de Falun Gong exibem retratos dos mortos na perseguição na China durante a marcha do Dia Mundial do Falun Dafa ao longo da 42nd Street, em Nova York, em 13 de maio de 2016 (Samira Bouaou/Epoch Times)

David Matas e eu visitamos uma dúzia de países para entrevistar praticantes do Falun Gong que conseguiram escapar de ambos: dos campos e do país. Eles nos disseram que trabalharam em condições assustadoras por até 16 horas diárias nesses campos, sem pagamento e escassa comida, superlotação, privação de sono e tortura. Os presos fazem uma gama de produtos para exportação como subcontratados para empresas multinacionais, incluindo decorações de natal e brinquedos para restaurantes do McDonald’s. Isso constitui uma irresponsabilidade corporativa flagrante e uma violação das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC); isso também demanda uma resposta efetiva de todos os parceiros comerciais da China.

O ex-secretário de Estado canadense para a Ásia-Pacífico, David Kilgour, apresenta um relatório revisado sobre o assassinato continuado de praticantes do Falun Gong na China por seus órgãos, com o advogado e co-autor do relatório, David Matas, em segundo plano, em 31 de janeiro de 2007 (Epoch Times)

O ex-secretário de Estado canadense para a Ásia-Pacífico, David Kilgour, apresenta um relatório revisado sobre o assassinato continuado de praticantes do Falun Gong na China por seus órgãos, com o advogado e co-autor do relatório, David Matas, em segundo plano, em 31 de janeiro de 2007 (Epoch Times)

James Mann, autor de ‘The China Fantasy: Why capitalism will not bring democracy to China’ (‘A fantasia da China: por que o capitalismo não trará a democracia para a China‘) e ex-chefe de escritório de Pequim do Los Angeles Times, escreve: “Os governos democráticos em todo o mundo precisam colaborar com mais frequência em condenar a repressão chinesa, não apenas em reuniões privadas, mas em público também… Por que haveria uma rua de sentido único em que os líderes chineses enviassem seus próprios filhos às melhores escolas dos Estados Unidos, enquanto bloqueiam advogados em casa? O regime chinês não vai se abrir devido ao nosso comércio com ele”.

“Os governos democráticos precisam condenar a repressão chinesa. O regime chinês não vai se abrir devido ao nosso comércio com ele” ─ James Mann, ex-chefe de escritório de Pequim do Los Angeles Times

O primeiro-ministro Wen Jiao-bao observou antes de deixar o cargo em 2012: “Sem o sucesso da reforma estrutural política, é impossível para nós instituir completamente reformas econômicas estruturais. Os ganhos que fizemos… podem ser perdidos… e tamanha tragédia histórica como a Revolução Cultural pode acontecer de novo”.

Governos, investidores e empresários também devem examinar por que eles estão apoiando a violação de tantos direitos humanos básicos para aumentar o comércio e o investimento com a China. Isso resultou principalmente na terceirização de empregos nacionais para a China e aumentos contínuos dos déficits comerciais e de investimentos bilaterais. Estamos tão focados no acesso a bens de consumo baratos que ignoramos os custos dos meios humano, social e natural pagos pelos chineses explorados ​​para produzi-los?

Estamos tão focados no acesso a bens de consumo baratos que ignoramos os custos dos meios humano, social e natural pagos pelos chineses

Muitos cidadãos chineses procuram as mesmas coisas que o resto do mundo: segurança e seguridade, respeito, educação, bons empregos, governança democrática e um bom ambiente natural. O partido-Estado precisa acabar com suas violações sistemáticas dos direitos humanos e começar a tratar seus parceiros comerciais com respeito se o século XXI for para desenvolver a harmonia e a coerência.

David Kilgour, advogado de profissão, serviu na Câmara dos Comuns do Canadá por quase 27 anos. No Gabinete de Jean Chrétien, foi secretário de Estado par a África e América Latina e secretário de Estado para a Ásia-Pacífico. É autor de vários livros e co-autor com David Matas de ‘Bloody Harvest: The Killing of Falun Gong for Their Organs’

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