Publicado em - Atualizado em 18/10/2017 às 13:16

Companhia aérea chinesa transporta órgãos em grande escala

Modus operandi levanta questões sobre a extração ilegal de órgãos

Stand da China Southern Airlines na Feira de Aviação da China em Zhuhai, Província de Guangdong, em 13 de novembro de 2014 (Johannes Eisele/AFP/Getty Images)

Stand da China Southern Airlines na Feira de Aviação da China em Zhuhai, Província de Guangdong, em 13 de novembro de 2014 (Johannes Eisele/AFP/Getty Images)

Na China, as companhias aéreas estão sendo usadas para transportar uma carga macabra: órgãos humanos.

Em um relatório divulgado em 4 de outubro, o serviço estatal chinês China News Service anunciou que, em maio de 2016, a China Southern Arilines habilitou uma rota rápida nos aeroportos de todo o país para transportar órgãos humanos e que já havia transportado com sucesso mais de 500 deles.

O artigo chamou a atenção para as entregas em todo o país, do noroeste de Xinjiang a Hangzhou, sudeste da China — para a realização de cirurgias de transplantes de órgãos.

Nos últimos anos, pesquisas independentes e reportagens próprias do Epoch Times revelaram como a indústria chinesa de transplantes disparou quando o ex-líder chinês Jiang Zemin lançou uma perseguição nacional contra a prática espiritual do Falun Dafa (também conhecida como Falun Gong), durante o qual muitos adeptos foram presos e condenados à prisão.

Os pesquisadores concluíram que o regime chinês aproveitou a demanda internacional por cirurgias de transplantes e se enriqueceu usando praticantes do Falun Dafa e outros presos de consciência — uigures, tibetanos e cristãos — como um banco de órgãos vivos. Para garantir que os órgãos sejam mantidos no estado mais saudável, a remoção ocorre frequentemente enquanto o coração da vítima ainda está batendo, resultando na morte da vítima em consequência da perda de sangue e do trauma.

A Organização Mundial para Investigar a Persecução ao Falun Dafa (WOIPFG, da sigla em inglês) divulgou um relatório em julho afirmando que pelo menos 100 hospitais na China ainda continuam realizando entre centenas e milhares de cirurgias de transplante de órgãos a cada ano. O curto tempo de espera e a completa satisfação da demanda permanece inalterado, indicando que a prática de subtração forçada de órgãos persiste, concluiu a organização.

"Retirada ilegal de órgãos", representação deste crime na China pelo artista Dong Xiqiang, óleo sobre tela (Centro de Arte de Cultura Tradicional)

“Retirada ilegal de órgãos”, representação deste crime na China pelo artista Dong Xiqiang, óleo sobre tela (Centro de Arte de Cultura Tradicional)

Investigações anteriores da WOIPFG revelaram que as forças armadas chinesas controlam o sistema de extração forçada de órgãos e conduzem a grande maioria das cirurgias de transplante em hospitais militares ou hospitais ligados a militares.

No entanto, esta notícia sobre a entrega dos órgãos através de companhias aéreas revela que pode haver outro canal para o transplante de órgãos, disse Wang Zhiyuan, porta-voz da WOIPFG. “O crescimento explosivo da indústria de transplantes continua. Os segredos obscuros dos transplantes de órgãos ainda não foram completamente expostos”, disse ele.

Enquanto o regime chinês procura mostrar ao mundo que a China possui um sistema padrão para o transplante de órgãos, notícias recentes apenas suscitam mais perguntas.

“Com a rota rápida, eles querem garantir que os órgãos sejam transportados o mais rápido possível. O objetivo é promover suas conquistas. Mas a questão importante é: de onde esses órgãos são originários? Existe transparência quanto ao modo de obtenção desses órgãos?”, disse Huang Shiwei, vice-diretor da Associação de Taiwan para o Cuidado Internacional de Transplantes de Órgãos. A organização procura aumentar a conscientização sobre a remoção forçada de órgãos e desencorajar o turismo médico de transplante para a China.

A mídia estatal informou anteriormente que as companhias aéreas transportavam órgãos para as fronteiras do país, para lugares como Kashgar e Ghulja na província de Xinjiang.

Em particular Ilshat Hassan, presidente da Associação Uigur-Norte-Americana, está preocupado com o fato de que a retirada forçada de órgãos está ocorrendo em Xinjiang, onde a etnia uigur constitui a maior parcela da população.

Nos últimos meses, Hassan recebeu informações de familiares cujos filhos estudam na Universidade de Xinjiang, alegando que seus entes queridos estão desaparecidos.

Eles temem que seus filhos tenham se tornado vítimas da remoção ilegal de órgãos. “A polícia local e a universidade não conseguem encontrá-los. Aonde foram? Só podemos relacioná-lo com a extração forçada de órgãos em larga escala”, disse ele.

Colaborou: Tang Xianya

Assista a esta interessante entrevista:

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