Com fim das Olimpíadas, resposta de Putin na Ucrânia é temida

Com a chama olímpica em Sochi extinta, todos os olhos se voltam para a resposta de Vladimir Putin para a agitação política na vizinha Ucrânia. A Ucrânia é crucial para a estratégia de Putin de estender o poder da Rússia na região, e enquanto a competição em Sochi prosseguia, qualquer intervenção de Putin teria sido impensável.

Enquanto atletas russos ganharam um filão de medalhas de ouro no fim de semana para colocar o país no topo do quadro de medalhas, o Parlamento controlado pela oposição ucraniana destituiu do poder o presidente Viktor Yanukovych, apoiado pela Rússia, e libertou a líder da oposição Yulia Tymoshenko.

As autoridades russas condenaram as mudanças – que incluem também a passagem de um projeto de lei de anistia para os manifestantes e a remoção do russo da lista de línguas oficiais.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou um comunicado no domingo dizendo que a oposição na Ucrânia violou um acordo alcançado entre os manifestantes e as autoridades ucranianas em 21 de fevereiro ao tomar o poder em Kiev, recusar-se a entregar as armas e continuar a contar com violência. Perto da meia-noite de domingo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia retirou o embaixador russo da Ucrânia.

A cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno na noite de domingo despertou novos medos na Ucrânia de que Putin possa usar força militar para responder à crise – provavelmente na Península da Criméia, que é parte da Ucrânia, mas onde interesses militares e civis da Rússia estão em jogo.

A Criméia, com uma população de cerca de 2 milhões, tem uma maioria russa de cerca de 60%, e é o lar da frota naval da Rússia no Mar Negro. É também um dos últimos redutos de forte oposição no Leste da Ucrânia à atual mudança política. Os medos são que o Kremlin responda a esta situação similarmente à invasão da região separatista da Geórgia, a Ossétia do Sul, em 2008.

A lei russa dá a Putin capacidade legal para tal ação militar. Em 2009, o Parlamento russo aprovou uma lei introduzida pelo então presidente Dmitry Medvedev que deu ao Estado o direito de usar a força militar para intervir em outros países onde “os interesses e a dignidade” de uma minoria russa estejam em risco.

A administração Obama advertiu Putin na sexta-feira contra uma possível intervenção militar. Num telefonema, o presidente Barack Obama pediu a Putin que buscasse uma solução política. A conselheira de segurança nacional de Obama, Susan Rice, disse no programa “Meet the Press” da NBC no domingo que seria um “erro grave” a Rússia usar força militar na Ucrânia.

Laços do Kremlin

Putin fechou um acordo multibilionário com Yanukovych em dezembro, amarrando-o perto do Kremlin. Líderes da oposição da Ucrânia disseram que esta influência está por trás da resposta enérgica do antigo governo da Ucrânia contra os manifestantes, que matou dezenas em confrontos com a polícia de choque na semana passada.

Os protestos na Ucrânia foram motivados pela decisão de Yanukovych de se alinhar com a Rússia e se afastar de um acordo comercial com a União Europeia em novembro passado.

 
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