Cientistas estão desconcertados diante do ressurgimento de osso misterioso em seres humanos

Por Simon Veazey

Os cientistas estão perplexos com o ressurgimento do que eles assumiram ser um osso extra, que havia sido extindo, atrás do joelho.

Na virada do século, em torno de uma em cada dez pessoas, tinha uma fabela – um osso em forma de feijão que, como a rótula, é encaixado nos tendões.

Os cientistas supunham que a taxa na população permaneceu estável ou havia caído. Mas a pesquisa revelou agora que quase quatro em cada dez pessoas – quase quatro vezes mais do que há 100 anos – possuem o osso extra.

Os pesquisadores analisaram mais de 21.000 registros de joelhos, abrangendo 150 anos de mais de 27 países.

“Não sabemos qual é a função da fabela – ninguém nunca olhou para ela!”, Disse Michael Berthaume, principal autor do estudo no Imperial College London em um comunicado.

“A fabela pode se comportar como outros ossos sesamoides para ajudar a reduzir o atrito dentro dos tendões, redirecionando as forças musculares ou, como no caso da rótula, aumentando a força mecânica desse músculo. Ou pode não fazer nada.”

O pequeno osso da fabela é encontrado em um tendão da articulação do joelho (Colégio Imperial de Londres)

Os resultados foram publicados no Journal of Anatomy em 17 de abril e mostraram que em 1918, as fabelas estavam presentes em 11,2% da população mundial. Em 2018, elas estavam presentes em 39%.

A fabela é um osso sesamoide – o termo usado para ossos que crescem dentro do tendão. A rótula é o maior osso sesamoide do corpo humano.

Berthaume disse: “somos ensinados que o esqueleto humano contém 206 ossos, mas nosso estudo desafia isso. A fabela é um osso que não tem função aparente e causa dor e desconforto a alguns, podento exigir remoção caso cause problemas.

(esq-dir): grandes, médias e pequenas fabelas ossificadas nos joelhos direitos de três sujeitos femininos (Colégio Imperial de Londres)

“Talvez a fabela logo seja conhecida como o apêndice do esqueleto”, disse Berthaume.

O estudo encontrou uma correlação estatística entre a presença do osso e artrite. Aqueles com osteoartrite no joelho eram duas vezes mais propensos a ter o osso extra, o que também pode atrapalhar durante a cirurgia no joelho. A questão interessante é o porquê de seu retorno em massa”, disse Berthaume.

Uma teoria é nutrição. “Encontramos evidências de ressurgimento da fabela em todo o mundo e uma das poucas mudanças ambientais que afetaram a maioria dos países do mundo é uma melhor nutrição”.

Outra teoria é que o osso não é tão inútil quanto se pensava, pois pode fornecer alguma vantagem mecânica, como acontece nos macacos do mundo antigo, onde ele age como rótula.

Berthaume disse: “O humano comum, hoje, é mais bem nutrido, o que significa que somos mais altos e mais pesados. Isso veio com mais tibiais e músculos da panturrilha maiores – mudanças que colocam o joelho sob pressão crescente. Isso poderia explicar por que as fabelas são mais comuns agora do que eram antes. ”

Um homem é retratado correndo em uma estrada. (Pixabay)

Há muito se sabe que os ossos se desenvolvem e fortalecem em resposta a forças mecânicas.

Os pesquisadores especulam que uma fabela pode se formar sob a influência de certas forças mecânicas. No entanto, eles acreditam que é provável que haja um elemento genético – nem todas as pessoas podem ter a capacidade de formar um dos ossos extras.

 
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