Cidadãos chineses novamente defendem praticante do Falun Gong

A primeira petição de 300 aldeões da vila de Zhouguantun, na cidade de Botou, província de Hebei, pedindo a libertação do praticante do Falun Gong, Wang Xiaodong abalou o topo da liderança chinesa. (The Epoch Times)562 indivíduos pedem às autoridades pela libertação de comerciante

Pela segunda vez em dois meses um grupo de cidadãos chineses na província de Hebei se levantou em defesa de um conterrâneo e praticante do Falun Gong detido injustamente por oficiais chineses. Desta vez, acredita-se que o praticante esteja em grande perigo devido a abusos.

Em abril, representantes de 300 famílias na vila de Zhouguantun, que vieram a ser chamados de “300 bravos”, assinaram uma petição pedindo a libertação de Wang Xiaodong, um praticante do Falun Gong.

Em 29 de maio, num tribunal da cidade de Tangshan, que fica a cerca de 113 km da vila de Zhouguantun, um advogado de praticantes do Falun Gong, Zheng Xiangxing, apresentou uma petição com 562 assinaturas pedindo a libertação de Zheng.

Como a petição da vila de Zhouguantun, a da cidade de Tangshan foi assinada pelos peticionários, usando seus nomes verdadeiros e contendo suas impressões digitais impressas com cera vermelha.

Usando seus nomes reais e impressões digitais, os cidadãos desafiaram a perseguição realizada pelo regime chinês ao Falun Gong, enfrentado possível assédio ou até coisa pior a fim de apoiar um praticante local do Falun Gong.

‘Um bom homem’

Na petição da cidade de Tangshan, os peticionários escreveram, “Sabemos que Zheng Xiangxing é um bom homem e nos beneficiamos muito em conhecê-lo, por isso estamos escrevendo para expressar nossos sentimentos.”

Quando Zheng começou a praticar o Falun Gong em 2002 ou 2003, ele tinha um temperamento ruim, segundo um artigo num website do Falun Gong, o Minghui. Os peticionários elogiaram a generosidade de Zheng e sua bondade.

Zheng era dono de uma pequena loja que vendia produtos eletrônicos e costumava consertar os aparelhos eletrônicos das pessoas de graça, não importa onde os tivessem comprado.

Os peticionários explicam: “Independente de quem possui o aparelho, se houver um problema, Zheng Xiangxing parará imediatamente o que está fazendo e o reparará. Se o conserto for demorar algum tempo, ele deixará as pessoas usarem seu próprio equipamento […] ele começa a repará-los o mais rápido possível e não cobra nenhuma taxa.”

Muitas vezes, Zheng é perguntado por que ele repara aparelhos de graça e os peticionários escreveram que ele responde, “Nós compramos os aparelhos elétricos para tornar a vida mais fácil, como você pode usá-los se não for corrigido rapidamente?”

“Ele diz isso e depois faz o que diz”, escreveram os peticionários, “porque ele serve os outros com entusiasmo […] Ele tem integridade comercial, negocia justamente, está sempre entusiasmado, é gentil com os outros e causa uma boa impressão em seus clientes.”

Abuso

Segundo o Minghui, Zheng foi preso em 25 de fevereiro, quando duas policiais chegaram a sua loja dizendo que precisavam reparar uma bicicleta elétrica. Quando Zheng abriu a porta, agentes que esperavam do lado de fora correram para dentro, prenderam-no e saquearam a loja, removendo dois caminhões de mercadorias.

Zheng foi detido no Centro de Detenção do condado de Tanghai por mais de um mês, onde foi submetido a abusos físicos e maus tratos. Segundo o Minghui, Zheng emagreceu severamente, sua respiração tornou-se superficial e ele estava em estado crítico.

A situação de Zheng tornou-se ainda mais grave em 6 de abril, quando foi transferido para o Hospital Ankang da cidade de Tangshan, que é um hospital psiquiátrico. Praticantes do Falun Gong detidos nesse hospital foram injetados com drogas tóxicas desconhecidas, segundo o Minghui.

Um praticante detido lá emagreceu severamente após as injeções. Outro sofreu um derrame e ainda outro um colapso mental. As injeções deixaram outro em grande dor, desorientado e incapaz de mover os olhos ou na língua.

Quando Zheng foi transferido para o hospital, a polícia cobrou 10 mil yuanes (1,571 dólares) de sua família pelo “tratamento” que ele receberia.

O Falun Gong foi primeiramente ensinado publicamente em 1992 e em 1999 entre 70 e 100 milhões de pessoas praticavam o Falun Gong na China, segundo as autoridades chinesas. A prática envolve fazer cinco exercícios de meditação e viver de acordo com os princípios da verdade, compaixão e tolerância.

Em 25 de abril de 1999, o então chefe do Partido Comunista Chinês, Jiang Zemin, escreveu uma carta exigindo a repressão ao Falun Gong. Jiang descreveu sua preocupação com o grande número de pessoas praticando o Falun Gong e seu medo de que o povo da China preferisse o ensino do Falun Gong à ideologia comunista.

Reparando a injustiça

As ações dos aldeões da vila de Zhouguantun, que os cidadãos da cidade de Tangshan parecem ter imitado, receberam amplo apoio dentro e fora da China.

O fundador do website chinês de direitos humanos 64tianwang.com, Huang Qi, conhece os riscos de se posicionar na China. Ele passou 8 dos últimos 12 anos numa prisão na China por defender tais direitos.

Em 30 de maio, Huang comentou sobre as ações dos “300 bravos” da vila de Zhouguantun. Huang disse que a situação atual mudou completamente em relação aos últimos 12 anos, quando a perseguição ao Falun Gong foi lançada pela primeira vez, e que agora as pessoas se atrevem a falar abertamente sobre temas sensíveis, como resolver a situação do Falun Gong.

Huang acredita que o regime chinês deve refletir sobre seus erros do passado em face do crescente descontentamento do povo chinês e corrigir as injustiças históricas que cometeu, como a perseguição ao Falun Gong e o Massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em 1989.

Nota do Editor: Quando o ex-chefe de polícia de Chongqing, Wang Lijun, fugiu para o consulado dos EUA em Chengdu em 6 de fevereiro, ele colocou em movimento uma tempestade política que não tem amenizado. A batalha nos bastidores gira em torno da postura tomada pelos oficiais em relação à perseguição ao Falun Gong. A facção das mãos ensanguentadas, composta pelos oficiais que o ex-líder chinês Jiang Zemin promoveu para realizarem a perseguição ao Falun Gong, tenta evitar ser responsabilizada por seus crimes e continuar a campanha genocida. Outros oficiais têm se recusado a continuar a participar da perseguição. Esses eventos apresentam uma escolha clara para os oficiais e cidadãos chineses, bem como para as pessoas em todo o mundo: apoiar ou opor-se à perseguição ao Falun Gong. A história registrará a escolha de cada pessoa.

 
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