Chipre busca evitar colapso econômico e saída da zona do euro é possível

Chipre discute opções com credores domésticos e internacionais; oficiais dizem que saída do euro é possível
O presidente cipriota Nicos Anastasiades é abordado pela imprensa no Parlamento em Nicosia em 18 de março de 2013 (Yiannis Kourtoglou/AFP/Getty Images)

Rumores e especulações abundam enquanto o Chipre busca evitar o colapso do sistema bancário e a inadimplência nacional. Após o Parlamento rejeitar uma ajuda inicial da União Europeia (UE) em 19 de março, o país está agora em negociações com a Rússia, União Europeia e credores domésticos.

De acordo com um artigo da publicação alemã Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), funcionários da UE disseram em 19 de março numa teleconferência que dois dos maiores bancos do Chipre estão em perigo de colapso. Devido a sua situação financeira precária, isso provavelmente empurrará as finanças públicas além do precipício, com consequente inadimplência e saída da zona do euro.

Líderes cipriotas e funcionários da UE concordaram com um plano em 16 de março para um empréstimo de US$ 13 bilhões ao Chipre para recapitalizar seus bancos e evitar esse cenário. O plano, no entanto, incluía uma provisão de US$ 7,5 bilhões, a ser confiscada dos detentores de depósitos no Chipre, para complementar o empréstimo oficial.

Este plano foi rejeitado no Parlamento em 19 de março, mas os bancos permanecerão fechados e operações bancárias pela internet estarão congeladas pelo menos até quinta-feira, mas o mais provável é que isso dure até que uma solução se apresente. Enquanto isso, a Associated Press (AP) relatou que os cipriotas podem usar cartões de débito e crédito, bem como caixas eletrônicos, para fazerem compras básicas.

O Banco Central e o Tesouro cipriotas “prepararam um plano de contingência, eles estão monitorando os fluxos de depósitos diariamente e tomarão medidas necessárias se for o caso”, disse Jörg Asmussen, um executivo alemão do Banco Central Europeu (BCE), no domingo, segundo o Wall Street Journal.

O jornal também informou que três oficiais europeus disseram que o Chipre se prepara para implementar medidas de controle de capital para conter saídas de depósito. As medidas serão necessárias se nenhuma solução for encontrada e caso o Chipre fique inadimplente e saia do euro.

O ex-ministro da economia alemão Rainer Brüderle pensa que esta é uma possibilidade real, mas que o problema poderia ser contido. “Acho que isso poderia ser tratado adequadamente com os instrumentos que temos à mão”, disse ele a FAZ, mas acrescentou que esse cenário “não é desejável”.

Enquanto isso, o Chipre negocia em várias frentes para evitar a falência e o colapso de seu sistema bancário. Estes são os fatos mais relevantes:

• A UE continua disposta a dialogar, mas insiste que o Chipre tem de financiar parte do resgate. Isso é problemático, pois o parlamento e a população rejeitaram definitivamente um imposto-sobre-depósitos. “Temos a obrigação de encontrar uma solução em conjunto”, disse a chanceler alemã Angela Merkel.

• O BCE disse que apoiará o sistema bancário cipriota “dentro do quadro atual”, mas o verdadeiro teste para o banco central só virá quando os bancos reabrirem. O BCE terá então que substituir os depósitos retirados do Chipre com liquidez de emergência, mas isso só seria possível se o Chipre aceitar o acordo da UE.

• O arcebispo Chrysostomos, o chefe da igreja cipriota disse que estava preparado para hipotecar a propriedade da igreja e trocar os processos com títulos do governo. O arcebispo saudou a rejeição do imposto-sobre-depósitos e disse, “A riqueza da Igreja está à disposição do país.”

• O ministro das finanças cipriota Michael Sarris está atualmente em Moscou para conversações sobre o recebimento de ajuda da Rússia. Os russos detêm 20-30% dos depósitos no Chipre e seriam afetados por um imposto-sobre-depósitos. Sarris negocia soluções alternativas que poderiam incluir um investimento da Gazprom, a empresa de energia russa. Outra proposta inclui trocar os depósitos bancários por títulos de reservas inexploradas de gás natural do Chipre. “Estaremos aqui até algum tipo de acordo”, disse Sarris a AP.

• Se nenhuma solução for encontrada, o Chipre provavelmente ficará inadimplente, sairá do euro e desvalorizará sua nova moeda local.

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