“China trabalha em todos os níveis para ganhar influência na América Latina”, alerta comandante dos EUA

Almirante enfatizou a importância da relação entre a Argentina e os Estados Unidos, dois países que, entre outras coisas, compartilham um passado ligado à imigração e a desafios comuns

Por Alberto Peralta

O chefe do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, almirante Craig Faller, alertou em Buenos Aires na segunda-feira (24) os esforços da China para penetrar em todos os “níveis de poder a fim de ganhar influência e acesso” nos países de América Latina e Caribe.

Faller, que no final do ano passado assumiu o comando da divisão do Exército americano responsável pelas operações nessa região, advertiu o pessoal militar e diplomático da embaixada americana na Argentina sobre a crescente influência chinesa.

“A maior surpresa que tive (desde que assumi o cargo) foi perceber o grau em que a China trabalha todos os níveis de poder a fim de ganhar influência e acesso na América Latina e no Caribe”, disse Faller.

O almirante ressaltou que, diferentemente da China, a Argentina é um país que segue as leis, da mesma forma, segundo ele, que os Estados Unidos, mesmo que nem sempre seja “perfeito”.

Faller citou como exemplo o caso da empresa de telecomunicações chinesa Huawei, à qual o governo do presidente Donald Trump impôs sanções por colaborar com Pequim em práticas de espionagem.

O militar enfatizou como a empresa chinesa conseguiu abrir um processo contra Washington na esteira desse mal-entendido, que, segundo ele, seria “impensável” e poderia fazer as empresas americanas “como o Google” ficarem contra o regime de Xi Jinping.

Portanto, Faller considera que Washington e Buenos Aires sofrem as mesmas ameaças de outros países, que “não vêem a democracia da mesma maneira”.

“Francamente, Rússia, China e, embora não tanto aqui (na Argentina), o Irã”, disse ele.

O almirante, que chegou a Buenos Aires no domingo para iniciar uma viagem de cinco dias pela região, enfatizou a importância da relação entre a Argentina e os Estados Unidos, dois países que, entre outras coisas, compartilham um passado ligado à imigração e a desafios comuns, como o perigo de organizações criminosas internacionais.

“Uma associação deve beneficiar ambas as partes”, admitiu o militar, poucas horas antes de se encontrar com o ministro da Defesa argentino, Oscar Aguad.

 
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