China: investigação de 8 executivos bancários expõe corrupção generalizada

A China recentemente abriu seu sistema financeiro para mais aquisição estrangeira, permitindo que os investidores estrangeiros assumam participações de controle em empresas de títulos, seguros, gestão de ativos e de derivativos. O relaxamento das regras de aquisição foi bem-vindo por muitas instituições financeiras nos Estados Unidos. No entanto, o ambiente de investimento pode não ser muito favorável, dada a recente onda de investigações que levaram os executivos de bancos chineses a serem demitidos.

Cai Guohua, presidente do banco Hengfeng, um dos 12 bancos comerciais de capital aberto na China, está atualmente sob investigação por “violações graves da disciplina” do Partido Comunista Chinês (PCC), um eufemismo bastante usado para corrupção, informou a publicação chinesa Caixin em 28 de novembro.

Cai Guohua também foi destituído de sua outra posição, como secretário do Partido no banco, segundo o jornal estatal Xinhua. Nesse último posto, por hora ele será substituído por Wang Hua, o ex-secretário-geral da província de Shandong.

Essa notícia segue-se a uma série de escândalos no ano passado em torno de altos executivos no banco. Primeiro, um escândalo de desfalque revelou que Luan Yongtai, então chefe do Hengfeng, havia desviado 21 milhões de yuanes (cerca de US$ 3,18 milhões). Luan, em seguida, denunciou Cai por embolsar 38 milhões de yuanes (cerca de US$ 5,74 milhões) por meio do sistema de bonificação da empresa, dando a si mesmo um salário e um bônus mais elevados sem a aprovação do conselho administrativo ou dos acionistas, de acordo com o portal de notícias chinês Sina.

Então, a publicação de negócios chinesa Caixin expôs que Cai, que anteriormente foi vice-prefeito de Yantai, uma cidade na província de Shandong, havia transferido ilegalmente 43 bilhões de yuanes (cerca de US$ 6,5 bilhões) dos fundos de investimento do banco para empresas de fachada na tentativa de tomar o controle do banco Hengfeng do maior acionista na época, que era o órgão estatal Comissão de Supervisão e Administração de Ativos de Yantai.

Embora Luan tenha sido deposto de sua posição em dezembro de 2016, Cai parece ter conseguido esquivar-se de um processo legal até agora.

China, corrupção - Um prédio de escritórios do banco Hengfeng, também conhecido como Evergrowing Bank, em Xangai (Takatoshi Kurikawa/Shutterstock)
Um prédio de escritórios do banco Hengfeng, também conhecido como Evergrowing Bank, em Xangai (Takatoshi Kurikawa/Shutterstock)

A corrupção no banco Hengfeng dificilmente foi um incidente isolado. Em fevereiro, Yang Dongping, membro do comitê do Partido e diretor de risco do Banco de Comunicações, um dos maiores bancos da China, foi disciplinado com “shuangkai“, ou seja, foi expulso do Partido e despojado de seu cargo público (como diretor de risco).

A agência de controle anticorrupção do PCC, o Comitê Central de Inspeção Disciplinar (CCID), descobriu que Yang havia concedido empréstimos ilegalmente a empresários privados e em troca embolsado dinheiro para si e seus parentes, de acordo com o People’s Net, a versão online do jornal estatal Diário do Povo.

No Banco da Mongólia Interior, um banco comercial estatal com ativos totais de 118,6 bilhões de yuanes (cerca de US$ 17,9 bilhões), o ex-vice-diretor Yan Cheng foi expulso do Partido em abril, depois que uma investigação do CCID descobriu que ele desviou fundos públicos e recebeu subornos, disse o website do CCID.

Presidentes e CEOs de bancos estatais e de bancos de capital aberto são considerados membros seniores do Partido e possuem cargos ministeriais e vice-ministeriais dentro da hierarquia do PCC. Geralmente, o presidente ou CEO também atua como o secretário do Partido no banco, encarregado da organização do Partido dentro do banco, a qual discute e intervém nas políticas centrais do banco e difunde a ideologia do Partido.

Em maio, Yang Jiacai, um assistente de Guo Shuqing, atual presidente da Comissão de Regulamentação Bancária da China, foi demitido após ser descoberto que ele aceitou subornos e usou sua posição ilegalmente para ajudar seu filho com seus negócios.

Em agosto, Li Changjun, ex-chefe do ramo de Pequim do Banco de Exportação-Importação, foi expulso do Partido e destituído do cargo, de acordo com a agência estatal de notícias Xinhua, após ser considerado culpado de receber suborno e negociar sexo por favores políticos. O banco, um dos três bancos institucionais da China incumbido de implementar as políticas estatais, é subordinado ao Conselho do Estado do PCC.

Também em agosto, Yao Zhongmin, vice-presidente e vice-chefe do comitê do Partido no Banco de Desenvolvimento da China, outro banco sob a jurisdição do Conselho do Estado, foi condenado a 14 anos de prisão e a uma multa de 3,5 milhões de yuanes (US$ 528.920), de acordo com Xinhua, por ajudar “suas entidades relacionadas” a obterem empréstimos enquanto aceitou ilegalmente subornos no total de 36,19 milhões de yuanes (cerca de US$ 5,47 milhões).

Em setembro, Wang Jianhua, secretário do Partido no Banco de Jiangsu, um banco comercial regional com ativos no valor de 1.563 bilhões de yuanes (cerca de US$ 236 bilhões), foi expulso do Partido após ser descoberto que ele adquiriu imóveis ilegalmente a preços baixos, recebeu subornos e envolveu-se em relacionamentos inadequados com duas mulheres, de acordo com o website do CCID.

Em 6 de novembro, Lin Xiaoxuan, diretor de informações do China Minsheng Bank, o primeiro banco comercial de capital aberto estabelecido em 1996 e de propriedade principalmente de empresas não governamentais, foi expulso do Partido, segundo o website do CCID, por aceitar subornos e ilegalmente ajudar outros a obterem benefícios financeiros.

A corrupção desenfreada pode não ser a única preocupação para as instituições financeiras estrangeiras que buscam investir na China. Recentemente, a Bloomberg advertiu contra a maior participação estrangeira nas empresas financeiras chinesas, chamando a abertura da China de “uma armadilha”, uma vez que a economia chinesa está desacelerando.

 
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