China fecha acordo com EUA e diz que cessará roubo de propriedade intelectual

O acordo de segurança cibernética entre os Estados Unidos e a China é uma negociação onde não há confiança entre ambas as partes. Com a ameaça de sanções por parte dos Estados Unidos e suas declarações afirmando que esgotaram a paciência para ciberataques chineses, o líder do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi Jinping, concordou em parar com os ataques que têm roubado anualmente trilhões da economia dos EUA.

O acordo está sendo visto com pessimismo pela comunidade cibernética.

“Minha opinião é que eu só vou acreditar quando ver”, disse Darren Hayes, diretor de segurança cibernética e professor assistente na Universidade Pace, em entrevista por telefone.

Alguns especialistas acreditam que a ameaça de sanções contra empresas chinesas é algo tão significante que poderia, de fato, levar o Partido Comunista Chinês a cumprir o acordo. Entretanto, o PCC tem um longo histórico de dizer uma coisa e fazer outra.

“Eu sei que é uma prioridade para o governo dos EUA, porque eles estimam que trilhões de dólares foram roubados, mas este acordo não tem credibilidade”, disse Hayes.

Obama e Xi anunciaram o acordo durante uma conferência de imprensa conjunta realizada no dia 25 de setembro, e estabeleceram uma distinção entre operações de espionagem voltadas para o ganho econômico e aquelas destinadas exclusivamente para a espionagem.

Eles concordaram, segundo Obama, que nenhum dos países vai “conduzir ou conscientemente apoiar roubo cibernético de propriedade intelectual, incluindo segredos comerciais ou outras informações confidenciais de negócios para obter vantagens comerciais”.

De acordo com Obama, ele disse a Xi que  “a questão agora é se as palavras serão seguidas por ações”.

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Espiões cibernéticos serão supervisionados

O acordo cibernético vai estabelecer um sistema de diálogo de alto nível entre os Estados Unidos e o PCC.

De acordo com o informativo da Casa Branca, este diálogo bianual será usado como um mecanismo “para avaliar a oportunidade e a qualidade das respostas” caso um incidente ocorra. Em outras palavras, se os Estados Unidos detectarem um ataque cibernético que está sendo usado para roubar alguma negociação, eles irão comunicar ao PCC e os participantes do acordo irão analisar se a China de fato fez algo a respeito.

Apesar da supervisão, na superfície, o acordo parece ser “manco”. No entanto, analisando profundamente, pode não ser.

O contexto do acordo é que é importante, afirmou Dmitri Alperovitch, co-fundador e Diretor Técnico da Crowdstrike, uma empresa de tecnologia de segurança cibernética.

O PCC percebeu, disse em uma entrevista por telefone, “que se eles não admitissem esses pontos, seriam colocadas sanções nas empresas chinesas”.

Mesmo que as sanções não tenham sido mencionadas diretamente no acordo, os Estados Unidos estão reservando-as como uma opção caso os ataques cibernéticos do PCC para roubo de informação continuem.

Obama insinuou isso durante a conferência de imprensa com Xi. Ele disse: “Nós estaremos observando cuidadosamente para fazer uma avaliação sobre se houve ou não progressos nesta área”.

Se o PCC não cumprir, disse Obama, sanções e outras opções de retaliação ainda estão sobre a mesa. Também disse: “Eu indiquei ao presidente Xi que vamos aplicar essas e quaisquer outras ferramentas que temos em nossa caixa  para ir atrás de cibercriminosos, retrospectivamente ou prospectivamente.”

Novos alvos

Um dos principais problemas enfrentados pelo PCC é que estes sistemas de roubo econômico são enormes e profundamente entrelaçados com seus programas de crescimento econômico.

O Epoch Times expôs recentemente este sistema em uma reportagem investigativa. O roubo econômico do PCC é dirigido por uma legislação e realizado por hackers de redes privadas e militares de grande escala. A informação roubada é a engenharia reversa feita por uma rede de centenas de “centros de transferência de tecnologia” sob escritórios governamentais e acadêmicos. O sistema também recebe apoio de mais de 3.200 empresas de fachadas militares que operam nos Estados Unidos.

“Estamos falando de dezenas de milhares de pessoas envolvidas para realizar isso para o governo chinês, e dizer que isso vai parar hoje ou amanhã é um absurdo”, disse Hayes.

De acordo com Alperovitch, no entanto, o PCC pode não necessitar desmontar este sistema. Ele acredita que o programa possa resolver o problema de roubo econômico nos Estados Unidos, mas os hackers chineses ainda terão muitos alvos para escolher.

Alperovitch também disse que é improvável que o PCC desmantele sua rede de hackers militares. Em vez disso, “Eles apenas irão dar-lhes novas tarefas.”

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“Não vai reduzir o total da espionagem”, disse ele, observando que provavelmente veremos um aumento nos ataques cibernéticos que são classificados como espionagem convencional, e provavelmente haverá um aumento dos ciberataques chineses contra outros países.

A questão se apoia em dois elementos-chave do acordo. Em primeiro lugar, o acordo é, atualmente, apenas entre os Estados Unidos e a China, e as operações da PCC para roubar propriedade intelectual poderiam simplesmente mudar as atenções para as empresas fora dos Estados Unidos.

Em segundo lugar, o acordo não abrange os ciberataques que se enquadram na definição de espionagem à moda antiga.

“A linha [de pensamento] é que tem que ser para o benefício comercial”, disse Alperovitch.

Isto significa que ataques cibernéticos para roubar projetos militares americanos, dados pessoais de funcionários federais e ciberataques para monitorar autoridades norte-americanas e outras pessoas de interesse, não só não irão acabar, mas podem até aumentar.

“Acho que a esperança era só para reduzir a espionagem comercial”, disse Alperovitch. “Não há absolutamente nada que você possa fazer para impedir os chineses de roubar os planos do F-35 [jet fighter].”

Obama enfatizou essa diferença fundamental das operações durante uma rodada de negócios no dia 16 de setembro.

Ele disse que os Estados Unidos comunicou ao PCC, “Nós entendemos as funções tradicionais de inteligência para coleta de informação que todas as nações, incluindo nós, se dedicam “, mas observou que “é fundamentalmente diferente o seu governo ou seus procuradores se engajarem diretamente em espionagem industrial e roubo de segredos comerciais”.

 
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