China faz manobras e dispara mísseis no entorno de Taiwan

É o maior exercício militar da história

Por Álvaro Alfaro, EFE

Menos de 24 horas após a visita da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, à Taiwan, a China iniciou manobras militares, com o disparo de mísseis balísticos de longo alcance, ação que foi considerada um “bloqueio” pelo governo autônomo da ilha.

As manobras provocaram o fechamento do espaço marítimo e aéreo em seis áreas ao redor de Taiwan, uma delas, a cerca de 20 quilômetros da costa de Kaohsiung, principal cidade ao sul da ilha.

Os exercícios, que serão realizados até o próximo domingo, incluíram práticas de disparo de artilharia de longo alcance, com “múltiplos tipos de mísseis convencionais”, diante da costa de Taiwan.

O Comando do Teatro de Operações do Leste do Exército Popular de Libertação (o exército chinês), considerou que as manobras foram completadas “com êxito”.

Segundo o porta-voz do órgão, Shi Yi, os exercícios tinham como objetivo “colocar à prova a precisão” dos mísseis e sua “capacidade de exclusão aérea”.

Ainda no início da tarde (hora local), foi encerrado o bloqueio do espaço aéreo e marítimo na região das costas do oeste de Taiwan, conforme detalhou o representante do Comando de Operações.

A porta-voz do Ministério dos Exteriores da China, Hua Chunying, defendeu que as manobras são “necessárias, justas e resolutas” e servirão como “advertência aos provocadores”, entre os quais, citou rebeldes de Taiwan.

Além disso, o representante da Chancelaria garantiu que o aviso também serve para “forças externas que se intrometem nos assuntos internos da China”.

O Ministério da Defesa de Taiwan garantiu que tomou “conhecimento instantâneo” do lançamento de mísseis, graças a tarefas de reconhecimento e vigilância, e condenou as manobras por ações que visam “perturbar a paz na região”.

Por causa dos exercícios, o aeroporto de Taoyuan, o mais importante de Taiwan, cancelou ao menos 40 voos durante toda a quinta-feira, de acordo com a imprensa local.

Autoridades taiwanesas recomendaram que a população tome medidas de prevenção. O governo da capital, Taipei, pediu aos moradores que baixem um aplicativo para celular que indica os 5 mil refúgios antiaéreos da cidade.

A China reivindica a soberania de Taiwan, que considera uma província rebelde desde que nacionalistas do Kuomintang se refugiaram ali, em 1949, após derrota na guerra civil contra os comunistas.

 

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