“A China está comprando o Brasil”, diz Bolsonaro

Como conservador de direita, se vencer as eleições, Bolsonaro poderá alterar as relações entre o Brasil e a China

Por Nicole Hao, Epoch Times

“A China não compra no Brasil. A China está comprando o Brasil”, disse Jair Bolsonaro, candidato de direita nas eleições presidenciais do Brasil, em entrevista à TV Band em 9 de outubro, referindo-se ao principal investidor estrangeiro e parceiro comercial do país latino-americano.

Na entrevista, Bolsonaro falou sobre seu compromisso com a privatização, prometendo não estendê-la à Petrobras nem ao setor elétrico.

A partir dos anos 1930, o Brasil iniciou um programa de nacionalização que contribuiu para um forte crescimento econômico até os anos de 1980. Na década de 1990, a privatização foi introduzida para reduzir o déficit público, melhorar a eficiência econômica e o desenvolvimento. No entanto, as políticas fracassaram porque o governo não conseguiu equilibrar os interesses das diferentes partes.

O déficit do governo brasileiro em 2017 era equivalente a 7,8% do PIB nacional, e Bolsonaro estava fazendo campanha sob a bandeira da privatização para salvar a economia do país.

Os conglomerados mencionados por Bolsonaro representam duas das maiores empresas estatais brasileiras. A Petrobras controla 99% da capacidade de refino de petróleo do Brasil e colabora com empresas chinesas.

Em julho de 2018, a estatal Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC) assinou uma carta de intenções com a Petrobras para a realização do projeto da refinaria Comperj, um acordo que se seguiu à assinatura de um contrato entre a CNPC e a Petrobras em 2017 para desenvolver em conjunto o cluster Marlim no Brasil, a maior descoberta de petróleo no país.

A Comperj, projeto petroquímico multibilionário que data de 2004, foi suspenso em 2015 em meio à investigação de corrupção da operação Lava Jato; a Petrobras, dona do projeto Comperj, investiu 14 bilhões de dólares.

Enquanto isso, a operação Lava Jato — ainda em andamento — envolveu muitos altos funcionários, incluindo o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o ex-governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Em abril de 2017, o Tribunal de Contas da União anunciou que havia encontrado evidências de irregularidades na licitação e o pagamento de suborno no valor de 544 milhões de reais (146 milhões de dólares) pagos pela construção da Comperj.

A carta de intenções não menciona quanto a CNPC investirá na Comperj, mas mostra a estreita cooperação entre a China e o Brasil.

Desde 2009, a China tem sido o maior parceiro comercial do Brasil devido ao “rápido aumento da demanda por matérias-primas e produtos agrícolas”, segundo a fundação alemã Friedrich Ebert Stiftung.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, os chineses exportam para o Brasil equipamentos mecânicos, equipamentos de informática e comunicação, instrumentação, têxteis, aço e ferramentas de transporte, e importa minério de ferro, soja, petróleo bruto, celulose e óleo de soja.

O comércio bilateral entre China e Brasil aumentou de 6,7 bilhões de dólares em 2003 para 368,5 bilhões em 2017, dos quais a China importou 150,8 bilhões e exportou 217,7 bilhões.

No primeiro semestre de 2018, a China investiu 1,5 bilhão no Brasil, incluindo investimentos em duas usinas hidrelétricas, projetos de serviços de transmissão e transformação de energia, projetos de abastecimento de água e outras empresas, informou Xinhua, agência oficial de notícias controlada pelo Partido Comunista Chinês.

Em comparação com os 589 milhões de dólares em 2017, o investimento chinês aumentou 161% em 2018.

Como conservador de direita, se vencer as eleições, Bolsonaro poderá alterar as relações entre o Brasil e a China. Bolsonaro, 63 anos, venceu o primeiro turno com 46% em 7 de outubro. Seu concorrente, o candidato de esquerda Fernando Haddad, conquistou 29% dos votos.

 
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