China enfrentará custos se Rússia invadir Ucrânia, afirma conselheiro de segurança nacional dos EUA

'Pequim acabará assumindo alguns dos custos de uma invasão russa da Ucrânia e eles devem calcular isso'

Por Frank Fang 

A China arcaria com alguns dos custos se a Rússia invadir a Ucrânia, alertou o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, no domingo.

“Acreditamos que Pequim acabará assumindo alguns dos custos de uma invasão russa da Ucrânia e que eles devem calcular isso ao considerar seus compromissos com o governo russo nas próximas semanas”, afirmou Sullivan ao “Meet the Press” da NBC. ”

Os Estados Unidos ameaçaram sanções contra a Rússia, visando o governo russo, líderes militares, assim como empresas nos setores bancário e financeiro do país.

Essas possíveis sanções, declarou Sullivan, “teriam um impacto na China porque afetariam o sistema financeiro da Rússia, que obviamente também envolve a economia chinesa”.

Os comentários de Sullivan vêm poucos dias após o líder chinês, Xi Jinping, e o presidente russo Vladimir Putin se encontrarem pessoalmente em Pequim, a capital da China. Os dois divulgaram uma longa declaração após suas conversas, acusando agentes não identificados de “interferirem nos assuntos internos de outros estados”.

A declaração também se junta à China na oposição da Rússia ao “novo alargamento da OTAN”. Além disso, alega que duas nações limítrofes desfrutam de um forte vínculo, pois “a amizade entre os dois Estados não tem limites” e “não há áreas ‘proibidas’ de cooperação”.

A tensão entre a Ucrânia e a Rússia aumentou nos últimos dias. De acordo com a Reuters, autoridades dos EUA afirmaram que a Rússia possui 70 por cento do poder militar necessário para uma invasão em larga escala da Ucrânia.

Além de mais de 100.000 soldados russos na fronteira leste da Ucrânia, o número de grupos táticos do batalhão russo aumentou de 60 para 83 nas últimas duas semanas, segundo a Reuters.

Lançadores de mísseis Iskander do exército russo assumem posições durante exercícios na Rússia, no dia 25 de janeiro de 2022 (Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia via AP)
Lançadores de mísseis Iskander do exército russo assumem posições durante exercícios na Rússia, no dia 25 de janeiro de 2022 (Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia via AP)

Sullivan também afirmou ao “This Week” da ABC, no domingo, que acha que a China está ciente de que “não está em posição de compensar a Rússia pelas perdas econômicas que resultariam de nossas sanções”.

“Se a Rússia optar por seguir em frente, não apenas terá um custo estratégico para a Rússia, mas se a China for vista como tendo apoiado, terá alguns custos para a China também aos olhos do mundo, aos olhos da Europa e aos olhos de outros países que estão observando agora e enviando uma mensagem clara de que preferem ver a diplomacia à guerra”, afirmou Sullivan.

Sullivan comentou sobre a longa declaração sino-russa enquanto se pronunciava à “Fox News Sunday”, no dia 6 de janeiro.

Na semana passada, o senador Josh Hawley (Republicano do Missouri), em uma carta ao secretário de Estado, Antony Blinken, afirmou que o governo Biden deveria reconsiderar seus compromissos no exterior, diante das crescentes ameaças representadas pelo Partido Comunista Chinês (PCC) no Indo-Pacífico.

“Os Estados Unidos possuem interesse em manter a independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia. E devemos entregar urgentemente à Ucrânia a assistência necessária para se defender contra o acúmulo militar da Rússia e outras ameaças”, explicou o senador.

“Entretanto, nosso interesse não é tão forte, a ponto de justificar o compromisso dos Estados Unidos de ir à guerra com a Rússia pelo destino da Ucrânia. Em vez disso, devemos ajudar a Ucrânia de uma maneira que se alinhe aos interesses americanos em jogo e preservar nossa capacidade de negar a hegemonia chinesa no Indo-Pacífico”, acrescentou.

“Se a China for bem-sucedida, poderá aproveitar os recursos dessa região para impulsionar ainda mais sua ascensão, enquanto restringe o acesso dos EUA a muitos dos mercados mais importantes do mundo”, escreveu ele. “Devemos fazer menos nesses teatros secundários para priorizar a negação das ambições hegemônicas da China no Indo-Pacífico.”

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