China enfrenta uma crise econômica inevitável

Milhares buscam trabalho num feira de empregos em Hefei, província de Anhui, Leste da China em 25 de fevereiro (STR/AFP/Getty Images)

A economia chinesa sofreu uma desaceleração recente, o que não é surpresa para os economistas que têm estado de olho nos problemas fundamentais das políticas macroeconômicas do país. A reforma econômica da China no final de 1970 configurou o sistema de tal forma que o fracasso era inevitável.

As duas políticas no coração do modelo econômico chinês têm sido a excessiva dependência do investimento e das exportações, apoiados por taxas de juros artificialmente baixas.

O alto investimento do regime chinês e de investidores estrangeiros em infraestrutura e capacidade de produção tem sido um dos principais motores do crescimento do produto interno bruto (PIB) da China.

A parcela de investimento como parte do PIB passou de 35,1% em 2000 para 48,4% em 2011. Em contraste, o investimento em outros países em geral diminuiu para um nível entre 15% e 29%. Simplificando, em outros países, as pessoas estão, em sua maioria, comprando e vendendo. Na China, o governo está principalmente construir coisas.

O investimento maciço na China foi estimulado em parte por taxas de juros artificialmente baixas. Depois de contabilizar a inflação, essas taxas foram de zero ou negativas. Em outras palavras, dinheiro livre. Esse dinheiro, obedientemente fornecido por bancos estatais, foi injetado em infraestrutura, desenvolvimento imobiliário e outros grandes projetos industriais.

O setor de aço pode produzir 900 milhões de toneladas por ano, superando a demanda em cerca de 160 milhões de toneladas. A capacidade tem sido impulsionada em 50%, ou 300 milhões de toneladas, desde 2008. Como resultado do excesso de capacidade, um terço das empresas siderúrgicas perdeu dinheiro nos primeiros sete meses de 2012.

Isso não significa, no entanto, que a produção parou. A saída de aço corresponde a 8% do PIB e um fracasso na produção de aço atingiria os números da economia severamente. Então, as siderúrgicas ainda estão em funcionamento a 95% da capacidade, produzindo bens que ninguém compra.

O setor de energia solar da China tem talvez o pior excesso de capacidade. Como resultado de incentivos distorcidos, a produção de painéis solares tem operado a uma taxa 20 vezes a demanda nacional total e duas vezes a demanda mundial, segundo algumas estimativas.

A sobrecapacidade assola outros setores, incluindo manufatura, mineração, alumínio, minério de ferro, cimento e outros. O crescimento nessas áreas simplesmente destrói riquezas. Recursos são consumidos para investimentos que têm pouco uso produtivo e não gerarão fluxos de caixa significativos.

As taxas de juros extremamente baixas fizeram tudo isso possível. As empresas estatais, que precisam de muito dinheiro, podem pedir emprestado tanto quanto queiram com baixo custo. Aqueles que poupam seu dinheiro – famílias e trabalhadores – estão efetivamente subsidiando estas operações por meio de seus depósitos bancários, porque têm poucos lugares para colocar seu dinheiro.

Eles têm um outro lugar: o mercado imobiliário. Para a maioria das pessoas, o investimento em imóveis é o único lugar onde podem obter uma taxa razoável de retorno financeiro, superior à inflação de preços ao consumidor. Como resultado, o grande investimento em habitação criou uma bolha enorme.

O investimento em imóveis representava 13% do PIB da China em 2011, enquanto a receita de venda de terras responde por 30-50% das receitas dos governos locais.

Isso também criou cidades fantasma, como Ordos na Mongólia Interior, apelidada de “cidade vazia da China”, depois que repórteres do Al-Jazeera mostraram vastos e vazios complexos comerciais e inúmeras casas desabitadas.

Com taxas de desocupação de 30% em alguns lugares e preços que muitas vezes estão muito distante do poder de compra do chinês médio, o setor de habitação está encontrando problemas e muitos desenvolvedores estão fechando as portas. Um declínio no mercado imobiliário criará desemprego e deprimirá outros setores da economia que dependem do mercado imobiliário.

Baixas taxas de juros, alto custo de vida para o povo e o controle dos recursos pelas indústrias vinculadas ao Estado significam que a média das famílias chinesas tem pouco poder de compra.

Assim, de 1990 a 2011, a participação do consumo no PIB da China passou de 47% para 34%. Nos Estados Unidos, o consumo representa cerca de 70% do PIB.

O modelo econômico que a China tem dependido por um longo tempo não tem funcionado mais. Mais investimentos estão tendo menos retorno e em muitos casos simplesmente destroem riquezas.

O único caminho adiante é aumentar o consumo em proporção ao PIB. Isso, no entanto, exigirá reverter as distorções no sistema econômico construído em torno das famílias e facções do Partido Comunista, que se beneficiam imensamente do atual regime.

A ausência de reformas significativas, ou seja, sem uma transformação fundamental do modelo de crescimento econômico do país, o sistema implodirá.

Tianlun Jian, PhD, escreve regularmente sobre economia chinesa e aconselha o Epoch Times em economia. Seu blogue é Chineseeconomictrend.blogspot.com.

Com reportagem de Pingping Yu.

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