China deve prestar contas perante a ONU por violações dos direitos humanos (Vídeo)

"A China só é capaz de se livrar das acusações de violações dos direitos humanos em grande escala porque outros países permitem que isso aconteça, e muitos deles têm interesses bilaterais e econômicos”

Por Epoch Times

Ativistas de direitos humanos pediram às Nações Unidas e seus Estados membros que pressionem a China a prestar contas das violações contra grupos étnicos e religiosos, incluindo tibetanos e uigures.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU se reunirá pela terceira vez desde 2009, e pela primeira vez com Xi Jinping no poder, em uma Revisão Periódica Universal (UPR), quando então ele terá que responder sobre as denúncias. A UPR ocorrerá entre os dias 5 e 19 de novembro, em um processo que envolve uma revisão dos relatórios de Direitos Humanos de todos os Estados membros da ONU.

“A situação neste momento no Tibete foi de mal a pior, com Xi Jinping no comando”, disse Tenzin Khampo, co-diretor da Associação da Juventude Tibetana na Europa, segundo a Reuters.

“A China passará por sua terceira revisão periódica universal, e queremos que desta vez as Nações Unidas responsabilizem a China. Se as Nações Unidas fracassarem de novo, será um fracasso para toda a humanidade, e isso nós não aceitaremos, porque como as Nações Unidas realmente existem para a proteção dos direitos humanos, se eles tratam os direitos humanos desta maneira todas as vezes, será uma vergonha para toda a humanidade”, acrescentou Khampo.

No início deste ano, os jornais Free Tibet e Tibete Watch detalharam “casos de detenções arbitrárias, torturas, mortes em prisões, bem como violações generalizadas da liberdade de expressão, movimento e religião dos tibetanos. Muitas dessas violações se agravaram desde que a China realizou sua última UPR em 2013″, relatou o Free Tibet.

Em um documento publicado em abril de 2018, o Departamento de Estado dos Estados Unidos denunciou a China por manter centros de educação, hospitais psiquiátricos, centros de detenção não oficiais conhecidos como “prisões negras”, que afetam grupos étnicos e religiosos como tibetanos, uigures e membros da prática espiritual do Falun Dafa, além dos advogados de defesa que enfrentam o regime comunista.

Praticantes do Falun Dafa em Bangaluru, Índia, em um protesto silencioso em 21 de julho de 2018 (Veeresh/NTD Índia)
Praticantes do Falun Dafa em Bangaluru, Índia, em um protesto silencioso em 21 de julho de 2018 (Veeresh/NTD Índia)

A República Popular da China (RPC) é um Estado autoritário no qual o Partido Comunista Chinês (PCC) é a autoridade suprema. “Os membros do PCC ocupam quase todas as principais posições do governo e dos aparatos de segurança. A autoridade máxima fica com o Bureau Político (Politburo) do Comitê Central do PCC e seu Comitê Permanente de sete membros. Xi Jinping continuou ocupando os três cargos mais poderosos como Secretário Geral do PCC, presidente do Estado e Presidente da Comissão Militar Central”, diz o documento.

Xi Jinping, líder do regime comunista chinês (Feng Li/Getty Images)
Xi Jinping, líder do regime comunista chinês (Feng Li/Getty Images)

“A repressão oficial das liberdades de expressão, religião, movimento, associação e reunião dos tibetanos na Região Autônoma do Tibet (TAR) e outras áreas tibetanas e de uigures e outras minorias étnicas na Região Autônoma Uigur de Xinjiang piorou muito” , acrescenta o relatório, destacando “prisões e processos judiciais agilizados sem o devido processo legal, em nome da luta contra o terrorismo e o extremismo”.

Jovens monges tibetanos em 14 de julho de 2015, no platô tibetano do condado de Madou em Qinghai, na China (Kevin Frayer/Getty Images)
Jovens monges tibetanos em 14 de julho de 2015, no platô tibetano do condado de Madou em Qinghai, na China (Kevin Frayer/Getty Images)

Em agosto, um grupo de peritos de Direitos Humanos da ONU disse que a China mantém até 1 milhão de uigures em um sistema secreto de “campos de reeducação” em Xinjiang, onde recebem doutrinação política.

“É hora de os Estados de todas as regiões não afrouxarem a pressão; mas para assegurar que haja o tipo de escrutínio que é apropriado e justificado como em qualquer outro país do mundo, a China não deve ser considerada acima da lei, por isso, encorajamos os Estados Unidos em seus compromissos bilaterais e também aos Estados de todas as regiões, para que responsabilizem a China por essas violações, usando todos os instrumentos à sua disposição”, disse John Fisher, diretor em Genebra da Human Rights Watch.

Encenação da extração forçada de órgãos na China de praticantes do Falun Dafa, durante uma manifestação pedindo o fim da perseguição ao Falun Dafa em Ottawa, Canadá, em 2008 (Epoch Times)
Encenação da extração forçada de órgãos na China de praticantes do Falun Dafa, durante uma manifestação pedindo o fim da perseguição ao Falun Dafa em Ottawa, Canadá, em 2008 (Epoch Times)

“Uma de nossas maiores preocupações é a falta de coragem política e a autocensura que muitos países demonstram ao não responsabilizar a China pelas violações massivas dos direitos humanos. Quando observamos a escala das violações que ocorrem em Xinjiang, região com mais de um milhão de uigures presos, se este fosse qualquer outro país do mundo, teríamos uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos, teríamos apelos para a criação de um mecanismo de monitoramento, uma missão de investigação… Mas por ser a China, as respostas foram silenciadas. É hora de mudar isso. A China só é capaz de se livrar das acusações de violações dos direitos humanos em grande escala porque outros países permitem que isso aconteça, e muitos deles têm interesses bilaterais e econômicos”.

 
Matérias Relacionadas