Centenas de fundos de crédito privado colapsam na China

Por Annie Wu, Epoch Times

Em meio a uma onda de protestos de cidadãos chineses que perderam recentemente seus investimentos em plataformas de empréstimo entre particulares (conhecido como P2P), outras milhares de pessoas dizem que seu dinheiro desapareceu em outra área do volátil setor financeiro da China: os fundos de crédito privado.

Em 8 de agosto, a Associação de Administração de Ativos da China, organização sob supervisão estatal, publicou uma nova lista de instituições com as quais “perdeu contato”, elevando o total de fundos privados com os quais “perdeu contato” para 170 desde o início do ano.

“Perdeu contato” significa que essas instituições não renovaram o registro com a associação nos últimos três meses como é exigido, e além disso elas não podem ser contatadas por telefone ou e-mail cadastrados. Aproximadamente 70% dessas instituições são de fundos de crédito privado ou de capital de risco, de acordo com uma análise feita pelo jornal chinês National Business Daily. O restante são principalmente de fundos de investimento livre, ou hedge fund.

Embora este ano o regime chinês tenha dado início a uma ofensiva contra a dívida e os investimentos de risco, suas tentativas de ajustar a regulamentação do setor financeiro do país ficaram aquém do esperado. Muitos fundos de crédito privado desmoronaram, e recentemente foi revelado que alguns eram fraudulentos.

Por exemplo, suspeita-se que Yazhou Juejin, com sede em Pequim, opera um esquema Ponzi, de acordo com matéria divulgada pelo jornal estatal China Fund e pelo site de notícias financeiras First Financial. Um esquema Ponzi é uma sofisticada operação fraudulenta de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos (“lucros”) aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. Desde a criação da Yazhou Juejin em março de 2016, a empresa recebeu dezenas de bilhões de iuanes em financiamento, e em 2017 seus investidores obtiveram rendimentos de mais de 60%.

Mas em junho os investidores descobriram que não podiam retirar seus fundos: o site da companhia saiu do ar e ninguém conseguia contatar o “representante legal” — geralmente o diretor — da empresa Liu Zhiyuan.

De acordo com a plataforma online de notícias financeiras FToutiao, mais de 5.000 pessoas podem ter sido enganadas por companhias fraudulentas cujos fundos totalizam 15 bilhões de iuanes. Muitos funcionários da Liu Zhiyuan também tinham investido na empresa.

Outro fundo de crédito privado na lista de “contatos perdidos” é a Zhong Jing Guo Tou, sediada na cidade sulista de Shenzen, que ofereceu contratos com taxa de juros de 8,3% para investimentos de seis meses e 9,3% de 12 meses, com pagamentos mensais de juros. No mês passado, espalhou-se a notícia de que a empresa estava atrasada nos pagamentos de juros para os investidores.

O National Business Daily informou também que o acionista majoritário da empresa, Bund Holding, com sede em Xangai, está em dificuldades financeiras.

De acordo com o site de notícias financeiras Quanshang Zhongguo, o valor total dos investimentos na empresa é de aproximadamente 1,8 bilhão de iuanes, incluindo um determinado investidor com 780 milhões de iuanes. Outros investidores também podem ter perdas de milhões de iuanes.

Uma matéria de 5 de agosto do Financial Times descreve que alguns desses fundos com os quais se “perdeu contato” são na realidade parte de grupos maiores que também operaram as plataformas P2P conflitantes que recentemente colapsaram, e que estão agora sob investigação policial.

Muitas plataformas fecharam recentemente sem explicação, o que levou investidores que perderam dinheiro a procurar uma compensação junto à Comissão Reguladora Bancária da China. No entanto, seus esforços foram em vão porque as autoridades de Pequim mandaram a polícia acabar com os protestos.

No final de julho, investidores que perderam dinheiro em fundos particulares do Fuxing Group se reuniram em uma filial do Banco de Xangai para solicitar um reembolso, de acordo com o Financial Times. O acionista majoritário do conglomerado fugiu, deixando 25 bilhões de iuanes (3,7 bilhões de dólares) de investimentos no limbo.

 
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