Cenas de guerra civil no terceiro ato contra aumento da passagem de ônibus no Rio

Manifestantes depredam centro da cidade fugindo de operação do Choque. Pedestres entram em pânico
Manifestantes voltam a protestar contra tarifa de ônibus no Rio (Cortesia de Felipe de Lima)
Cariocas voltam a protestar contra tarifa de ônibus (Cortesia de Felipe de Lima)

RIO DE JANEIRO – O terceiro ato contra o aumento das passagens de ônibus para R$ 2,95, que vigora desde 1° de junho no Rio de Janeiro, terminou em caos no centro da cidade nesta segunda-feira (10) à noite. O protesto, inicialmente pacífico, foi da Cinelândia à Uruguaiana e interditou algumas das principais avenidas da cidade, como a Rio Branco e a Presidente Vargas, resultando em confronto com a polícia e em vandalismo.

Cerca de 1.500 manifestantes se concentraram na Praça da Cinelândia por volta das 17h, em frente à Câmra Municipal, e, com cartazes e faixas onde se lia “Desculpe o trânsito, estamos lutando pelos seus direitos”, marcharam pela Avenida Rio Branco, Rua Araújo Porto Alegre, Avenida Presidente Antônio Carlos, Rua Primeiro de Março e, finalmente, Avenida Presidente Vargas. O trânsito foi liberado às 19h10.

O conflito começou quando um manifestante foi preso supostamente por desacato a autoridade na Avenida Presidente Antônio Carlos, em frente ao Fórum de Justiça do estado, e por, segundo a polícia, ter quebrado uma de suas motos. Um manifestante que presenciou de perto a detenção e não quis se identificar afirmou, no entanto, ser falsa a versão e que o jovem teria sido usado pelos policiais como bode expiatório para desencadear a repressão.

Os manifestantes reagiram soltando fogos de artifício e incendiando uma barricada montada com sacos de lixo para conter o avanço da Polícia Militar. Os policiais contornaram pelas adjacências e os alcançaram em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A essa altura os manifestantes já somavam 2.000 pessoas, com a adesão de pedestres no trajeto e a chegada de reforço convocado em tempo real pelas redes sociais.

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Neste ponto, a tropa de Choque começou a atirar balas de borracha e a jogar dezenas de bombas de efeito moral e granadas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, causando tumulto e correria. Os policiais também investiram com cassetetes e spray de pimenta para cima dos manifestantes.

A partir de então, alguns protestantes mais radicais começaram a reagir jogando pedras e quebrando tudo o que viam pela frente: janelas e pontos de ônibus, latas de lixo e bancos de rua, vidraças do edifício da Universidade Cândido Mendes, do Paço Imperial, da Igreja da Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé e do Centro Cultural Banco do Brasil, na Rua Primeiro de Março, e também do Banco Central, já na Avenida Presidente Vargas.  Paredes e ônibus foram pichados. Pedestres desesperados buscavam proteção atrás de carros estacionados e estabelecimentos fecharam.

Na Uruguaiana, a polícia encurralou os manifestantes e a estação do metrô fechou, causando pânico nos trabalhadores que voltavam para casa, mas que conseguiram embarcar após arrombarem a porta. Neste ponto os manifestantes se beneficiaram da mistura com pedestres e logo ressurgiram em massa, com 1.600 pessoas, após nova concentração em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, no Largo do São Francisco. A marcha retomou a Presidente Vargas com a perseguição seguindo pela avenida até a Faculdade Nacional de Direito por volta das 21h30, altura do Campo de Santana, na Central.

Tudo terminou na 4ª (Rua Praça da República, Central) e 5ª (Rua Mem de Sá, Lapa) Delegacias de Polícia Civil, transbordando de manifestantes, policiais, repórteres e advogados. Até 23h, pelo menos 37 pessoas haviam sido detidas, nove menores de idade.

Protestantes criticaram a violência da polícia e a violação do direito a se manifestar. “A polícia atacou com extrema truculência e de forma desproporcional”, afirmou o estudante secundarista Isaac Galvão, de 16 anos, um dos detidos. A Polícia Militar justificou, em nota, que a operação visou garantir o direito de ir e vir da população.

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