CDC sinaliza mudanças no cronograma de vacinas da COVID-19, em parte para lidar com a inflamação cardíaca

Cronograma recomendaria que a população recebesse a quarta dose três meses após a terceira

Por Zachary Stieber 

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) delinearam, no dia 4 de fevereiro, uma mudança esperada no cronograma de vacinas contra a COVID-19 para pessoas com sistema imunológico fraco e sinalizou que uma alteração está chegando à população em geral para tentar reduzir o número de casos de inflamação cardíaca pós-vacinação.

O CDC afirmou ao seu painel consultivo de vacinas que planeja ajustar as orientações para pessoas com sistema imunológico comprometido, um grupo que não responde tão bem às vacinas quanto a população em geral e é a única população que é aconselhada a receber quatro doses das vacinas de RNA mensageiro (mRNA) da Pfizer ou Moderna.

A atual recomendação do CDC para os imunocomprometidos afirma que eles devem receber três doses de uma vacina de mRNA dentro de dois meses e uma quarta dose pelo menos cinco meses após a terceira dose.

O cronograma revisado recomendaria que a população recebesse a quarta dose três meses após a terceira.

Para os destinatários da população que receberam a vacina Johnson & Johnson de dose única, a orientação atualizada afirma que eles devem receber uma segunda dose pelo menos 28 dias após a vacinação e uma terceira dose dois meses depois.

A atualização de orientação se aplica a pessoas com 18 anos ou mais que receberam as vacinas Johnson & Johnson ou Moderna e pessoas com 12 anos ou mais que receberam a vacina da Pfizer.

A justificativa para o ajuste inclui pequenos estudos que indicam que os imunocomprometidos estão mais protegidos se receberem a quarta injeção mais cedo, declarou Elisha Hall, especialista em educação em saúde do CDC, ao painel do Comitê Consultivo em Práticas de Imunização.

O objetivo é “ajudar essa população que pode não estar tão bem protegida a receber sua dose de reforço mais cedo, principalmente com preocupações com a resposta imune inicial, perda de proteção ao longo do tempo e alta transmissão comunitária devido à variante Ômicron”, afirmou ela.

A Ômicron é a variante dominante do vírus do PCC (Partido Comunista Chinês) nos Estados Unidos. O vírus do PCC causa a COVID-19.

As vacinas já estavam diminuindo em proteção ao longo do tempo contra a infecção enquanto a variante Delta era dominante no país, e tiveram um pior desemprenho contra a cepa Ômicron.

Um frasco da vacina contra a COVID-19 da Moderna, em Los Angeles, na Califórnia, no dia 15 de dezembro de 2021 (Frederic J. Brown/AFP via Getty Images)
Um frasco da vacina contra a COVID-19 da Moderna, em Los Angeles, na Califórnia, no dia 15 de dezembro de 2021 (Frederic J. Brown/AFP via Getty Images)

A Dra. Camille Kotton, especialista em doenças infecciosas do Hospital Geral de Massachusetts e membro do painel, afirma ter visto muitos pacientes imunocomprometidos nos últimos dois meses que “seguiram todas as regras”, incluindo o calendário de vacinação recomendado, mas ainda foram infectados com o vírus.

A orientação atualizada “ajudará dramaticamente”, declarou ela.

A outra mudança provável se aplicaria ao público em geral e trata do período de tempo que decorre entre a primeira e a segunda dose das vacinas de mRNA. Ambas possuem um esquema primário de duas doses.

Atualmente, a segunda dose da Pfizer é recomendada cerca de 21 dias após a primeira, e a segunda dose da Moderna é recomendada cerca de 28 dias após a injeção inicial. No entanto, os dados de vigilância mostram que entre muitos grupos etários, particularmente os jovens do sexo masculino, que receberam as vacinas, houve uma taxa de inflamação cardíaca mais alta do que o esperado.

Dados do Canadá e da Inglaterra, que estenderam o intervalo, sugerem que um período de tempo prolongado entre a primeira e a segunda dose aumentou a eficácia da vacina e reduziu as taxas de miocardite e pericardite, duas formas de inflamação cardíaca que surgiram após a vacinação com mRNA.

“O intervalo mais longo resultou em taxas mais baixas de miocardite, enquanto o intervalo mais curto teve taxas mais altas de miocardite e pericardite”, afirmou a Dra. Bryna Warshawsky da Agência de Saúde Pública do Canadá.

A Dra. Grace Lee, médica do Hospital Infantil Lucile Packard e presidente do painel consultivo, afirma que os dados apresentados “são bastante convincentes de que um intervalo prolongado não é apenas potencialmente mais seguro do ponto de vista da miocardite, mas também potencialmente mais eficaz”.

Os dados referem-se a quando a Delta era a variante dominante em grande parte do mundo. A Ômicron ultrapassou a Delta em dezembro de 2021 nos Estados Unidos.

Alguns países interromperam ou restringiram o uso das vacinas de mRNA, particularmente as da Moderna, entre os jovens devido a problemas de inflamação do coração, mas as autoridades de saúde dos EUA até agora continuam a recomendar as vacinas para todos os americanos com 5 anos ou mais, afirmando que as vacinas evitam mais hospitalizações do que os casos de inflamação do coração que elas causam.

O painel do grupo de trabalhadores das vacinas contra a COVID-19, após analisar os calendários de vacinas alterados de vários países, endossou um intervalo de oito semanas entre a primeira e a segunda dose de uma série primária da vacina de mRNA. O CDC ainda não decidiu se seguirá o conselho.

Se alterado, o cronograma revisado pode afetar milhões de pessoas. Cerca de 33 milhões de americanos com idades entre 12 e 39 anos permanecem não vacinados, assim como dezenas de milhões de americanos em faixas etárias mais avançadas. O que também adiaria as doses de reforço, que atualmente são recomendadas cinco meses após a série primária da Moderna ou da Pfizer, e dois meses após a injeção inicial da Johnson & Johnson.

O Dr. Walid Gellad, professor de medicina da Universidade de Pittsburgh, chamou a mudança esperada como de “grande importancia”.

Ao mesmo tempo, é “perturbador” que “demore tanto para que as políticas dos EUA alcancem outros países”, escreveu Gellad, que não está no painel, no Twitter.

Os membros do painel declararam esperar que a mudança ajude a convencer as pessoas não vacinadas a receber uma injeção.

“Acho que oferece um nível de segurança e também demonstra ao público que estamos muito focados em fazer isso da maneira certa”, afirmou o Dr. Oliver Brooks, diretor médico da Watts HealthCare Corp.

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