Catador brasileiro constrói escola para crianças: ‘paga tudo com o próprio dinheiro!’

'Fiz uma promessa que se minha vida tivesse continuidade eu ajudaria as pessoas'

Por Celeste Armenta

Após passar por uma experiência de vida ou morte, um coletor de recicláveis do manguezal realizou a promessa de ajudar as pessoas, se sobrevivesse. Após 33 anos, ele continua cumprindo sua palavra e financia, com seu próprio dinheiro, uma escola no Brasil.

Sebastião Pereira Duque, com 66 anos, mora em Olinda, em Pernambuco, no Brasil, desde 1973, onde é catador de recicláveis no manguezal da região. Aos 33 anos, Pereira sofreu um ataque a faca ao qual achou que não sobreviveria.

Após essa experiência, o homem resolveu se comprometer: “Fiz uma promessa que se minha vida tivesse continuidade eu ajudaria as pessoas”, segundo o Razões Para Acreditar.

Pereira, então, iniciou um modesto projeto educacional que chamou de “Nova Esperança”. Inicialmente, o espaço da escola era um terreno baldio, que com doações e a colaboração da comunidade passou a ser um espaço com 2 salas de aula e um local para recreação, noticiou a mídia local, Leia Ja.

O modesto homem percebeu a falta de espaços educativos onde as famílias trabalhadoras pudessem deixar seus filhos. Além disso, as escolas municipais só aceitam crianças a partir dos 6 anos.

“O ensino é onde está a nossa luz, o nosso caminho. Só penso no futuro das crianças, que Deus ilumine o caminho delas, pois ainda hoje, apesar de todas as dificuldades, ele está iluminando o meu”, afirma Pereira.

Antes da pandemia global causada pelo vírus do PCC, o patógeno que causa a COVID-19, os 4 professores da escola atendiam 100 crianças, entre 2 e 6 anos. Para prevenir infecções, o número foi reduzido para 40 crianças, divididas em 2 turmas, e as aulas ministradas de judô e capoeira foram suspensas, segundo o Razões Para Acreditar.

Jacqueline Cavalcanti é uma das professoras do “Nova Esperança” há 10 anos. Ela recebe parte da contribuição que os pais dão à escola todo mês, apenas R$40.

“A Câmara Municipal só começa a acolher crianças a partir dos seis anos, e aqui já aceitamos a partir dos dois. Eles têm convivência, aprendem o que é uma escola, como se comportar, passam a reconhecer as letras nas ruas”, declarou Cavalcanti.

Para sustentar financeiramente a escola, Pereira trabalha de forma independente coletando resíduos de manguezais, e a contribuição dos pais é direcionada à pagar os professores.

“Eu não tiro um centavo das crianças. Esta taxa é para professores. E tudo na escola é de minha responsabilidade. Lanche, copo descartável, caderno, argila, água, luz. Eu pago por tudo”, afirmou Pereira.

Pereira ficou órfão aos 4 anos de idade e em seguida começou a trabalhar no campo. Além da escola “Nova Esperança”, o catador ajudou a construir 30 casas para pessoas da comunidade que precisavam de um lar. Tudo com materiais doados.

O catador encontrou uma forma de se manter ativo ajudando sua comunidade, e além da escola, também realiza a restauração de cadeiras de rodas, produz muletas e quando possui roupas ou alimentos, doa. Ele tem a filosofia de nunca aceitar dinheiro e, quando insistem, pede o equivalente em material de construção.

“As pessoas pensam que eu faço algo, mas não faço. Somos nós que fazemos. Todos compartilhando, nos unindo, dando uma mão, ficamos maiores”, afirma Pereira.

Entre para nosso canal do Telegram

Assista também:

 
Matérias Relacionadas