Cantora e comediante enfrentam problema com liderança da China

Depois de uma reunião política anual ter concluído esta semana, o Partido Comunista Chinês anunciou em 25 de janeiro os mais de dois mil membros de seu órgão de assessoria política, chamado de “Conferência Consultiva Política do Povo”.

Faltando da lista estão alguns nomes notáveis ​​ligados ao ex-líder chinês Jiang Zemin, sinalizando que sua influência no Partido Comunista continua a minguar e esmorecer.

A Conferência inclui quadros do Partido Comunista que trabalham no campo das artes e entretenimento. Song Zuying, uma popular cantora folclórica, já havia sido selecionada anteriormente para a Conferência três vezes consecutivas, mas desse vez ela perdeu.

Qual é sua conexão com Jiang Zemin? Ela é uma amante dele.

Uma cantora no poder

Song Zuying conheceu Jiang Zemin no início da década de 1990 e foi rapidamente propelida à fama. Um livro de 2015 publicado em Hong Kong, intitulado “Mãe Tigre: Song Zuying”, detalhou quantos altos funcionários a procuraram para ganhar o favor de Jiang, incluindo o ex-chefe do departamento de propaganda Li Changchun, o general Xu Caihou e o vice-ministro das relações exteriores Li Zhaoxing.

Song Zuying tinha tanto poder que ganhou o apelido de “contra-almirante” enquanto servia na agora extinta companhia “Song e Dança” dentro da marinha chinesa.

No palco, ela reinou suprema na Gala do Ano Novo Chinês, produzida pela emissora estatal CCTV todos os anos, atuando por 24 anos contínuos, graças ao patrocínio político de Jiang Zemin.

China, Jiang Zemin, Song Zuying, Zhao Benshan, Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, corrupção - A cantora popular chinesa Song Zuying (centro) se apresenta durante uma gala de celebração do 90º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês no Grande Salão do Povo em Pequim em 28 de junho de 2011 (Feng Li/Getty Images)
A cantora popular chinesa Song Zuying (centro) se apresenta durante uma gala de celebração do 90º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês no Grande Salão do Povo em Pequim em 28 de junho de 2011 (Feng Li/Getty Images)

Mas, quando o atual líder Xi Jinping chegou ao poder em 2012, Jiang Zemin e seus associados perderam seu domínio.

Um por um, os funcionários do Partido Comunista Chinês leais a Jiang Zemin foram expurgados sob a campanha anticorrupção de Xi Jinping.

Em 2014, Song Zuying foi abruptamente excluída de se apresentar na Gala da CCTV, sinalizando sua queda. Ela não foi convidada de volta desde então.

De acordo com a Bowen Press, uma mídia chinesa no estrangeiro, desde 13 de janeiro deste ano, Song Zuying está sendo investigada por autoridades militares e anticorrupção, sob alegações de que ela usou fundos militares e do Ministério da Cultura para financiar seus concertos solo no exterior. No início dos anos 2000, ela realizou concertos em Sydney, Austrália; Viena, Áustria; Washington, D.C., Estados Unidos; e muito mais.

Um comediante em apuros

Outro associado de Jiang Zemin que não foi incluído no órgão consultivo do Partido Comunista Chinês é Zhao Benshan, um comediante bem conhecido que também se apresentou frequentemente na Gala da CCTV.

Desde 2013, a mídia estatal chinesa publicou reportagens sobre o caso ilícito de Zhao Benshan e Song Zuying. Os sinais da queda de Zhao das graças do regime começaram em outubro de 2014, quando ele desapareceu das sessões municipais, provinciais e nacionais do Partido Comunista sobre artes e entretenimento.

China, Jiang Zemin, Song Zuying, Zhao Benshan, Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, corrupção - Zhao Benshan (centro) participa da sessão de abertura da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês no Grande Salão do Povo em Pequim em 3 de março de 2015 (Feng Li/Getty Images)
Zhao Benshan (centro) participa da sessão de abertura da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês no Grande Salão do Povo em Pequim em 3 de março de 2015 (Feng Li/Getty Images)

Zhao Benshan e Song Zuying desenvolveram uma estreita relação durante seus anos de participação nos mesmos eventos da Gala da CCTV, de acordo com a mídia estatal.

Mas seus erros foram além disso. Zhao Benshan tinha laços políticos com o desgraçado ex-secretário do Partido Comunista na cidade de Chongqing, Bo Xilai. Bo era um fiel assecla de Jiang Zemin, que conspirou com o ex-chefe da segurança pública Zhou Yongkang e outros para tentar um golpe que removesse Xi Jinping e permitisse que a facção de Jiang ganhasse o poder do regime.

Um artigo de 2015 do jornalista chinês Jiang Weiping detalhou como Bo Xilai permitiu que Zhao Benshan acumulasse mais de 1 bilhão de yuanes (US$ 160,6 milhões) em riquezas ilegítimas. Zhao também estava envolvido no plano de golpe de Bo Xilai. Bo prometeu a Zhao que ele ganharia a posição de ministro da cultura se o golpe fosse bem-sucedido, de acordo com Jiang Weiping.

Colaborou: Gu Qing’er

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