Chegou a hora do Canadá enfrentar o desafio da China comunista

Desde que a China se tornou membro da Organização Mundial do Comércio, o Canadá perdeu milhares de empregos industriais

Por Rahul Vaidyanath, Epoch Times

O Canadá deve se ater a valores universais, como o Estado de direito, em seus negócios diplomáticos e econômicos com a China comunista. Convenientemente, isso significa adotar uma abordagem mais “americana” para lidar com o regime chinês.

É inaceitável que a China ameace o Canadá simplesmente porque o país seguiu a lei e efetuou a prisão da CFO da Huawei, Meng Wanzhou. Pode-se pensar que a China ameaça porque não considera que o sistema de justiça e o sistema político devam ser duas coisas separadas. No entanto, num país democrático de Estado de direito, eles são. Na verdade, o regime chinês ameaça porque acha que pode e acredita que suas ameaças darão frutos.

Um discurso considerável está em andamento há algum tempo nos Estados Unidos sobre a ameaça da China à democracia ocidental, ao avanço tecnológico e até mesmo às capacidades militares.

Agora, os Estados Unidos – encabeçados pelo governo Trump – implementaram uma suspeita inerente e duradoura direcionada ao regime chinês.

“A China entende a força, eles entendem a dor”, disse o CEO da China Beige Book International, Leland Miller. E é isso que os Estados Unidos estão demonstrando. O regime chinês está reduzindo as tarifas sobre as importações de automóveis dos Estados Unidos, comprando soja americana e, supostamente, reconsiderando sua campanha imperialista Made in 2025.

Compare isso com a abordagem do Canadá nos últimos anos – que tem sido descrita como ingênua – em relação à influência da China na empreitada para minar as democracias. Além disso, o Canadá continua relutante em tomar uma posição forte contra a participação da Huawei na construção de redes 5G de próxima geração. Isso ocorre apesar das advertências dos funcionários dos Estados Unidos e da proibição da Huawei de realizar atualizações no 5G por aliados com ideias semelhantes aos Estados Unidos, na Austrália e na Nova Zelândia.

A China comunista está tentando intimidar o Canadá porque acha que pode. Claro, o Canadá não tem o poder econômico dos Estados Unidos, mas os dois países estão na mesma página quando se trata do Estado de direito.

Isso foi confirmado indubitavelmente em 14 de dezembro, quando a ministra de Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, disse que não há parceiros mais próximos no mundo do que o Canadá e os Estados Unidos. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse que seu país vai trabalhar para libertar dois canadenses detidos ilegalmente na China após a prisão de Meng.

Independentemente do impacto – se houver – que a prisão de Meng tenha nas relações sino-americanas, um período de turbulência precisa ser atravessado para que uma dinâmica respeitável seja alcançada. Há uma tonelada de madeira para cortar: não é apenas o déficit comercial, mas também os princípios desagradáveis do modelo de crescimento da China: subsídios e monopólio estatais, aquisição forçada e roubo de tecnologia estrangeira, acesso restrito ao mercado interno para concorrentes estrangeiros.

O Canadá precisa entender que o esquema do regime chinês – ou seu modelo de crescimento econômico, para ser mais educado – é roubar, replicar e substituir. Isso foi detalhado para os senadores dos Estados Unidos em uma reunião do comitê judiciário em 12 de dezembro: roubar a propriedade intelectual de uma empresa estrangeira, copiar a tecnologia e suplantar a empresa estrangeira no mercado chinês – e talvez um dia, no mundo.

Desde que a China se tornou membro da Organização Mundial do Comércio, o Canadá perdeu milhares de empregos industriais. A China se tornou o segundo maior parceiro comercial do Canadá, mas aqueles que vêem crescimento do dólar enquanto buscam uma economia massiva em direção ao crescimento baseado no consumo, não conseguem entender os riscos de um relacionamento mais profundo com a China comunista.

Talvez as últimas ameaças do embaixador chinês do Canadá Lu Shayenas, ao afirmar que um acordo de livre comércio enfrente novos obstáculos (à luz da prisão de Meng), possam realmente ser uma das coisas mais úteis que ele tenha feito. Caso o governo canadense leve isso a sério, o Canadá poderá evitar um grave erro.

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