Campanha anticorrupção do regime chinês já eliminou 16 generais

Dezesseis altos oficiais militares chineses em cinco das sete regiões militares, na academia militar e no poderoso Comitê Militar Central (CMC) estão sob investigação desde o início de 2014, informou a mídia estatal China Military Online em 15 de janeiro.

Seis dos dezesseis expurgados foram acusados de violar a disciplina do Partido Comunista Chinês, enquanto outros nove foram acusados de violações da lei e crimes mais graves.

Violações da lei e da disciplina partidária são normalmente sinônimos de corrupção na China. E a corrupção no serviço militar chinês está frequentemente associada a oportunidades de promoção na carreira.

Sete dos oficiais purgados são originários das regiões militares de Chengdu, Pequim, Jinan, Shenyang e Lanzhou – deixando as regiões militares de Nanjing e Guangzhou incólumes até o momento.

O vice-comandante Yang Jinshan da Região Militar de Chengdu foi expurgado junto com Jin Wei, o vice-comissário político do distrito militar do Tibete, e Yong Wonyong, o ex-comissário político do distrito militar de Sichuan.

A Região Militar de Chengdu tem estado sob os holofotes desde a queda de Bo Xilai, o chefe do Partido Comunista Chinês na megacidade de Chongqing.

Fang Wenping, ex-comandante do distrito militar de Shanxi da Região Militar de Pequim; Zhang Qibin, o ex-vice-chefe de pessoal da Região Militar de Jinan; e Fan Zhangbi, o vice-comissário político da Região Militar de Lanzhou, foram todos derrubados.

Na Região Militar de Shenyang, Zhang Daixin, o ex-vice-comandante do distrito militar de Heilongjiang também foi removido.

O Departamento Geral de Logística do Exército da Libertação Popular (ELP), que recentemente fez manchetes por estar envolvido na extração forçada de órgãos, assistiu a queda de dois de seus altos oficiais: o vice-chefe de gabinete Fu Linguo e o vice-ministro Liu Zheng.

Os institutos de instrução militar parecem não estar imunes à corrupção. Ma Xiangdong, diretor do departamento político no Colégio Político de Nanjing; Wang Minggui, ex-comissário político do Colégio do Comando de Defesa Aérea do ELP; e Guo Xiaoyan, vice-comissário político da Faculdade de Engenharia da Informação, foram demovidos.

O Segundo Corpo de Artilharia, que controla os mísseis nucleares balísticos e convencionais da China, teve dois de seus oficiais colocados sob investigação – Yu Daqing, o vice-comissário político, e Chen Qing, o vice-chefe do Corpo.

Dos dezesseis, somente Cheng Qing foi oficialmente condenado e sentenciado à prisão perpétua por acusações de suborno e corrupção, informou a mídia estatal People’s Net em 15 de janeiro.

Até agora, o oficial de mais alta patente derrubado na campanha anticorrupção do líder chinês Xi Jinping é Xu Caihou, o ex-vice-presidente do Comitê Militar Central, o órgão do Partido Comunista Chinês que controla as forças militares da China. Ele foi expulso do Partido em junho do ano passado e a preparação de seu julgamento está em curso desde outubro de 2014.

Segundo o Ming Pao, um jornal sediado em Hong Kong, que citou uma fonte não identificada em Pequim, outra lista de oficiais corruptos está sendo preparada e será publicada em breve.

Wen Zhao, um comentarista político da emissora New Tang Dynasty Television (NTDTV), acredita que esta lista é o prelúdio para uma nova rodada de investigações ainda mais aprofundadas.

“Qualquer general na China que deseja ser promovido não pode subornar apenas uma pessoa, porque o Comitê Militar Central [CMC] é dirigido por pelo menos duas pessoas. Qualquer promoção deve ser acordada entre os dois vice-presidentes do CMC.”

Para obter mais controle sobre os militares chineses, Xi Jinping também tem como alvo outro ex-vice-presidente do CMC, o general Guo Boxiong.

 
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