Campanha anticorrupção na China deixa vários postos vazios no governo

Com a campanha anticorrupção do líder chinês Xi Jinping a todo vapor, muitas autoridades do Partido Comunista Chinês (PCC) foram expurgadas, deixando posições-chave desocupadas.

Desde que assumiu o poder em 2012, Xi Jinping removeu vários funcionários pertencentes a uma facção opositora leal ao ex-líder chinês Jiang Zemin.

Após o célebre conclave do Partido, o 19º Congresso Nacional, que concluiu em outubro, Xi Jinping instalou seus aliados em cargos de liderança, enquanto continuava a derrubar altos funcionários provinciais e municipais em todo o país por meio de investigações de corrupção.

Uma análise de anúncios oficiais revela que 12 cargos de nível provincial ainda não foram preenchidos depois que os correspondentes funcionários foram destituídos de seus postos.

De acordo com a convenção do Partido, exceto Xinjiang e Tibete, as outras 29 províncias (que incluem quatro municípios que são centralmente governados: Pequim, Tianjin, Chongqing e Xangai) têm dois secretários-adjuntos.

A cidade de Tianjin em 10 de outubro de 2013 (Ed Jones/AFP/Getty Images)
A cidade de Tianjin em 10 de outubro de 2013 (Ed Jones/AFP/Getty Images)

Atualmente, a cidade de Tianjin e a província de Fujian têm dois representantes a menos cada, enquanto as províncias de Hebei, Liaoning, Zhejiang, Guizhou e Shaanxi têm uma vacância cada.

Enquanto isso, Tianjin, Fujian e Shaanxi também carecem de um governador provincial ou um prefeito municipal.

Tianjin é considerada um núcleo dos funcionários da facção de Jiang Zemin. Analistas políticos observam que as posições vazias sugeririam que Li Hongzhong, o atual secretário do Partido em Tianjin que também é membro da facção de Jiang Zemin, estão dificultando a nomeação de aliados de Xi Jinping, ou que os funcionários do Partido não estão interessados ​​em trabalhar com aliados da facção de Jiang.

Outra posição-chave que ainda está vazia é a de presidente da Comissão Reguladora de Seguros da China. O ex-presidente Xiang Junbo foi demitido em abril.

Qin Yizhi, o ex-secretário do Partido na liderança da Liga da Juventude Comunista, foi rebaixado e eventualmente removido em setembro, e sua substituição ainda não ocorreu.

Li Hongzhong, o secretário do Partido Comunista Chinês em Tianjin, durante uma reunião do 19º Congresso Nacional no Grande Salão do Povo em Pequim em 19 de outubro de 2017 (Lintao Zhang/Getty Images)
Li Hongzhong, o secretário do Partido Comunista Chinês em Tianjin, durante uma reunião do 19º Congresso Nacional no Grande Salão do Povo em Pequim em 19 de outubro de 2017 (Lintao Zhang/Getty Images)

Enquanto isso, uma série de funcionários que foi demitida ainda aguarda seu destino. Vinte e cinco funcionários ainda não foram sentenciados: 22 foram expulsos do Partido e de seus cargos administrativos, mas ainda não foram julgados no tribunal; dois ainda estão sob investigação; e um foi julgado, mas sua sentença não foi pronunciada ainda.

Ma Jian, o ex-vice-ministro do Ministério da Segurança do Estado, tem estado no limbo por mais tempo. Ele foi investigado em janeiro de 2015 e depois expulso do Partido e de seu cargo em dezembro de 2016, o que soma 714 dias desde que foi demitido.

Seu caso é complexo, envolvendo muitos parentes e uma rede de subornos. Ma Jian era próximo do ex-vice-primeiro-ministro Zeng Qinghong, um forte aliado de Jiang Zemin, bem como do empresário dissidente exilado Guo Wengui.

Um destino desagradável provavelmente aguarda o ex-governador da província de Fujian, Su Shulin, que também tinha laços estreitos com Zeng Qinghong e Zhou Yongkang, o ex-chefe da segurança interna e outro assecla da facção de Jiang Zemin. Juntos, os três fizeram várias negociatas para lucrar com a indústria do petróleo.

Contribuíram: Fang Xiao e Xu Meng’er

 
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