Bukele acusa Estados Unidos de apoiar a oposição ‘comunista’

Acusação chega após Departamento do Tesouro dos EUA acusar funcionários de alto escalão salvadorenhos por suposta corrupção

Por Noé Chartier

O presidente de El Salvador lançou uma acusação irônica contra o governo dos Estados Unidos no domingo, afirmando que o país tem financiado a oposição “comunista” contra ele.

“Os contribuintes dos EUA devem saber que seu governo está usando seu dinheiro para financiar movimentos comunistas contra um governo democrático eleito (e com 90% de aprovação) em El Salvador”, tuitou Nayib Bukele, que venceu facilmente as eleições presidenciais de 2019.

“No entanto, não está funcionando” afirmou Bukele, publicando quatro imagens abaixo de seu comentário, incluindo uma fotografia aérea que supostamente mostrava que o protesto contra ele, em 12 de dezembro, não possuía grande comparecimento.

Outros vídeos e imagens do protesto de 12 de dezembro sugerem que houve um público maior do que o descrito por Bukele.

As outras fotos divulgadas por Bukele incluem manifestantes ao lado de representações de bandeiras dos Estados Unidos e mostram supostos apoiadores do partido de oposição de esquerda Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN).

O FMLN travou uma guerra de guerrilha contra o governo apoiado pelos Estados Unidos durante a guerra civil salvadorenha (1979-1992). Atualmente, ele tem quatro cadeiras na Assembleia Legislativa de El Salvador, com 84 cadeiras, enquanto o partido de Bukele, Nueva Ideas, possui 56 cadeiras.

O protesto de 12 de dezembro contra Bukele teve como objetivo denunciar “a corrupção, a perseguição política, as mentiras e as políticas nocivas do governo fascista do ditador Bukele”, segundo um funcionário da FMLN.

Não se sabe quais informações específicas Bukele tem para vincular os Estados Unidos à oposição.

Em um tweet anterior a 12 de dezembro, o presidente salvadorenho declarou que  “O governo dos Estados Unidos comete um erro conceitual: você não pode ressuscitar uma pessoa morta, não importa quantos milhões de dólares sejam investidos. El Salvador não quer voltar ao passado”.

As alegações de Bukele sobre a intromissão dos Estados Unidos ocorreram após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusar funcionários de alto escalão salvadorenhos por suposta corrupção, nos dias 8 e 9 de dezembro.

O Departamento do Tesouro afirmou em um comunicado à imprensa que o governo Bukele forneceu dinheiro às organizações criminosas MS-13 e Barrio 18, em 2020, para reduzir a violência das gangues.

Os dois oficiais que lideraram as negociações com as gangues, Osiris Luna Meza, chefe do sistema penal, e Amilcar Marroquín, vice-ministro da Justiça e Segurança Pública, estão entre os punidos com sanções.

A chefe de gabinete de Bukele, Martha Carolina Recinos De Bernal, também foi alvo do Tesouro. Recinos supostamente outorgou milhões de dólares em contratos inflacionados relacionados à pandemia, fornecendo subornos a autoridades salvadorenhas e alguns dos conselheiros de Bukele.

Bukele comentou no Twitter: “Essas acusações diárias parecem absurdas. Não sabia que eles estavam tão interessados ​​em El Salvador. Talvez o que eles estejam interessados ​​é em parar o ‘mau exemplo’”.

El Salvador tornou-se o primeiro país do mundo a adotar a criptomoeda Bitcoin como moeda corrente junto com o dólar dos EUA, em setembro, e Bukele pretende transformar o país em um centro de criptografia e construir a “Cidade Bictoin” financiada pela emissão de títulos Bitcoin.

Apesar de toda a controvérsia, os índices de aprovação de Bukele são muito altos, com duas pesquisas em dezembro mostrando 93,5% e 96% de aprovação em seu tratamento da pandemia.

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