‘Breaking Bad’ é realidade na China

Imagine um professor de matemática do ensino médio, pai de família, com um filho de 3 anos de idade. Parece uma vida tranquila! Você ficaria chocado se esse professor fosse traficante de drogas? Provavelmente sim. O professor, conhecido como Sr. Sun, gerenciava uma rede de estudantes em 37 universidades chinesas que trabalhavam na comercialização e distribuição de maconha nacionalmente. Certamente, podemos afirmar que o seriado “Breaking Bad” não é apenas um exagero midiático, mas sim algo muito mais próximo da nossa realidade.

A história chegou ao seu clímax na segunda-feira (28), quando a polícia de Wenzhou, província de Zhejiang, prendeu 23 suspeitos, apreendendo mais de 200 quilos de drogas e destruindo mais de 6 mil pés de maconha, as quais foram cultivadas em diversas instalações que cobriam uma area de 3,3 acres, de acordo com o jornal ‘The Paper’, uma mídia estatal chinesa, baseada em Shanghai.

A descoberta deste cartel de drogas começou em maio deste ano, quando a polícia do distrito de Longwan em Wenzhou, cidade costeira no sudeste da China, encontrou indícios de tráfico de drogas em um grupo de bate-papo da rede social QQ, bastante popular na China.

Segundo a polícia local, as ofertas eram feitas utilizando programas de mensagens instantâneas. Os pagamentos eram feitos por sistemas similares ao PayPal. As drogas eram enviadas disfarçadas em folhas de chá ou embalagens de chocolates para todo país.

O Sr. Sun, cabeça da operação, é graduado em agricultura pela Universidade de Jilin, uma instituição de renome na China. Ele também havia sido admitido no programa de mestrado na Universidade da Academia Chinesa de Ciências, considerada uma das melhores no segmento científico do país.

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Entretanto, ele aplicou seu conhecimento agrícola e científico para o desenvolvimento de um tipo de maconha propícia para o cultivo doméstico.

O Sr. Sun provavelmente entrou no tráfico de drogas movido pela avareza. Em maio desse ano, ele comprou 30 gramas de maconha através da internet e revendeu a outros. Ele ficou surpreso com a rapidez que pôde gerar lucro e, então, resolveu tentar a sorte nesse ramo.

Ele iniciou as vendas através do bate-papo na rede QQ, mas como seus negócios expandiram rapidamente pela China, ele decidiu alugar uma casa para estocar, empacotar e despachar as drogas.

Sua família desconhecia seu envolvimento nas atividades criminosas. Além disso, menores de idade faziam parte da rede do tráfico. Segundo a polícia local, uma menina de 16 anos de idade, Srta Wu, que acabou de se formar no ensino médio, era uma das revendedora de drogas. Ela foi presa no final de junho.

Para realizar as vendas online, revendedores e usuários comunicavam-se através de códigos. Os usuários de drogas se identifivam como “piloto”, e aqueles que as vendiam eram o “capitão.” As drogas, de acordo com a qualidade, eram chamadas de “neve”, “abacaxi” ou “bomba”.

O Sr. Sun não foi o primeiro professor a se tornar traficante de drogas na China. Sra. Li, uma professora de arte em Shenyang, a maior cidade do nordeste da China, foi presa por vender metanfetamina para os seus alunos em dezembro de 2014, de acordo a mídia estatal chinesa.

 
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