Brasil tem uma das maiores ‘mortalidades’ de empresas do mundo

Segundo o IBGE, a cada dez empresas abertas no Brasil seis não sobrevivem após cinco anos

Por Diário do Poder

A maioria dos brasileiros que abrem uma empresa fecham as portas em menos de um ano, conforme dados do Sebrae. A inexperiência dos gestores e a ausência de capital de giro são os principais motivos para as falências, o que faz o Brasil um dos líderes mundiais em mortandade de empresas.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de cada dez empresas abertas no Brasil, seis não sobrevivem após cinco anos. Em 2014, apenas 52,5% dos negócios abertos em 2011, o correspondente a 347 mil de um total de 661 mil estabelecimentos, tinham sobrevivido.  Dois anos depois, essa parcela era ainda menor: somente 38% ou 251 mil das firmas abertas cinco anos antes ainda estavam ativas.

Pesquisa divulgada nesta quarta (4) pelo IBGE mostra que em  2016, 70,8 mil empresas fecharam suas portas. Ao todos eram 4,5 milhões de empresas que empregavam 38,5 milhões de pessoas, desses 32 milhões são assalariados e 6,5 milhões de proprietários ou sócios.

Para fazer uma análise desse quadro o Diário do Poder conversou com o especialista em gestão de crises e recuperação judicial Artur Lopes, que destacou a inexperiência dos gestores e a ausência de capital de giro com os principais motivos para que uma empresa não prospere. “Normalmente, o processo de abertura de uma companhia, ou do início de um novo negócio se dá pelo conhecimento técnico do empresário, porém isso não é suficiente para transformar aquela experiência em negócio lucrativo. Isso não significa que alguém que seja bom cozinheiro terá sucesso ao abrir um restaurante. Existem muitas variáveis na administração de um negócio”.

Em 2015, o Sebrae constatou que a maioria das empresas brasileiras fecham suas portas em menos de um ano de atuação. A crise política daquela época foi um fator determinante para esse quadro. “Basicamente, o mercado contraiu essa crise, o PIB caiu como nunca, a soma da riqueza do país diminuiu consideravelmente, o dinheiro circulou menos e o crédito foi mais contingenciado por receio de inadimplência. Isso resultou num circulo vicioso, onde a queda da economia potencializou a queda do giro das empresas, que por sua vez operaram menos, gerando detrimento da atividade econômica”.

Artur acredita que a saída da ex-presidente Dilma Rousseff piorou a situação. “Piorou não porque ela saiu, mas definitivamente porque estava em curso uma piora, uma deterioração, e se ela estivesse pioraria ainda mais”.

Artur Lopes dá dicas de como os empresários devem agir para superar a crise.”Primeira coisa, entender e implementar indicadores. Mesmo se a empresa for pequena, você consegue implementar alguns indicadores que te permitem, ou permanecer numa rota, ou mudar de rota. Segunda coisa, defender o caixa, manter o capital de giro para que a empresa possa ter uma atividade preservada e outra coisa efetivamente aprofundar seu conhecimento no mercado que atua. O que vai definir o sucesso ou fracasso, dada as duas condições anteriores, é o nível de criatividade e o conhecimento que se tem na condução do negócio”.

Lopes destaca que a mortalidade de empresas no Brasil é uma das maiores do mundo. “E se acentuou a partir da crise que estamos vivendo”.

Sobre o novo cenário político, que teremos em 2019 com o novo governo, Lopes acredita que a situação “pode piorar muito, muito”, questionado se essa seria uma visão pessimista, o especialista rebate, “não, acho que é uma visão realista. Nós temos muitos desafios na mesa, é necessário diminuir a trajetória da dívida pública e isso vai exigir algumas ações impopulares. E se o governante de plantão não tiver coragem de tomar essas decisões, o país pode ficar ingovernável”.

Para o especialista é necessário tratar de temas como a reforma da Previdência e dos cortes de benefícios de natureza fiscal, incentivo de natureza fiscal para empresas. “O novo presidente terá que ter coragem para não ser demagogo, para fazer o aquilo que tem que ser feito para efetivamente prover um ajuste nas contas públicas, pois fora desse ajuste, nós vamos só piorar”. E complementa “Vamos torcer para que ele tenha coragem, apenas isso”.

Hoje no Dia do Empreendedor e Dia da Micro e Pequena Empresa, a mensagem para enfrentar essa fase de transição política é “Perseverança. A mensagem é de perseverança, o executivo e os empresários brasileiros, apesar desse índice de mortalidade, são extremamente criativos. Esse ambiente inóspito nos forja num ambiente de criatividade, e o que tem que se fazer é controlar a alteração, criando indicadores, preservando o caixa e sendo criativo nas soluções “.

*Artur Lopes é especialista em gestão de crises e recuperação judicial. Tem mais de 20 anos de experiência em gestão financeira, é fundador da IWER Capital, empresa de consultoria para recuperação, consolidação e ampliação de negócios. Autor dos livros “Recuperação judicial” e “Quem matar na hora da crise-Como resgatar sua empresa e fazê-la crescer”.

 
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