Brasil oficializa procedimento sobre aparições de óvnis

Óvni registrado por pela FAB no final da década de 70 no norte do Brasil: 500 fotos e 16 horas de filmagem. (Revista UFO)Quem avistar objetos voadores não identificados deve informar a Força Aérea Brasileira que tornará público

Através de uma portaria publicada no diário oficial em 10 de agosto, o governo brasileiro orientou todo o pessoal da Força Aérea e da aviação civil e seus passageiros, para denunciarem casos de Objetos Voadores Não Identificados (OVNI). A decisão é feita em nome da segurança nacional e se aplica a todo o território brasileiro, incluindo as áreas marítimas.

O Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra) é quem executa essa disposição. Quem quer que veja, filme ou fotografe no céu brasileiro, tudo deve ser comunicado ao Comando da Aeronáutica, que por sua vez analisará os documentos para o Arquivo Nacional, permanecendo à disposição da sociedade para consulta.

Somente no setor de controle de tráfego aéreo estão diretamente envolvidas 12.800 pessoas, sem contar os pilotos, os funcionários encarregados do lançamento de foguetes, de disparo antiaéreo, etc., todos observam com atenção os ares do Brasil.

No passado, a Força Aérea Brasileira (FAB) já fez investigações oficiais sobre estes fenômenos no país. No entanto, os militares dizem que agora o papel da Força Aérea será somente registrar as ocorrências de óvnis, e não rastreá-los.

“O Comando da Força Aérea não tem uma estrutura especializada para realizar experimentos científicos sobre esses fenômenos aéreos”, disse a FAB, observando que o objetivo é “prover a sociedade com acesso a documentação que é gravada na aeronáutica”.

Esta é a primeira vez que um país regula um procedimento formal para isso, sempre tratado de forma confidencial. “Documentos reservados da FAB já davam orientações ao pessoal militar sobre como registrar casos de aparições de óvnis, mas não se falava de enviar ao Arquivo Nacional”, explicou um soldado de controle de tráfego aéreo ao jornal O Dia.

“Internamente, há relatos de ministros e mesmo um presidente que viu um óvni”, acrescentou um controlador de tráfego aéreo civil trabalhando no Rio de Janeiro.

A iniciativa foi bem acolhida pelos estudiosos de óvnis. Segundo o presidente do Centro Brasileiro de Investigação de Discos Voadores, o ufólogo Ademar José Gevaerd, o decreto surpreendeu e é uma forma do governo reconhecer a existência do fenômeno. “Com a decisão na terça-feira 10 de agosto, o Brasil assume uma posição de vanguarda no mundo”, disse ele em entrevista à revista Terra.

Para Gevaerd, a medida é uma consequência indireta da campanha “Óvnis: Liberdade de Informação Já”, promovida desde 2004 pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU).

Precedentes

Desde 2007, o governo brasileiro publicou documentos sobre avistamentos de OVNIs no espaço aéreo nacional, a pedido da CBU com base na lei que antecipou os prazos previstos para a divulgação de documentos classificados como secretos.

Após a publicação de documentos da década de 50, 60, 70 e 80, em 13 de agosto passado foi a vez dos anos 90. Ainda há expectativa sobre os relatos da década de 2000.

Segundo um integrante da CBU, Fernando Ramalho, o Ministério da Defesa garantiu que todos os documentos estarão disponíveis para consulta pública até o final deste mês.

Atualmente, sediado no Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional tem registrado mais de 4.000 eventos de avistamento de óvnis. Embora não haja nenhuma prova definitiva da presença dos “visitantes”, a disponibilização dos documentos é um marco na Aeronáutica Brasileira.

Segundo Gevaerd, o Brigadeiro José Carlos Pereira, ex-comandante da Comdabra, confessou que há 12 toneladas de documentos oficiais sobre óvnis.

Casos de óvnis são abundantes no Brasil. Os mais conhecidos são:

Operação Prato

De setembro a dezembro 1977, durante a ditadura militar, a FAB realizou uma investigação chamada “Operação Prato” na floresta amazônica, considerada “Zona de Segurança Nacional”. A missão foi estabelecida após constantes denúncias de moradores vizinhos da ilha de Colares, na cidade de Vigia, estado do Pará, sobre ataques de óvnis cujos raios causavam entorpecimento, queimaduras de primeiro grau e que chupavam sangue. O episódio ficou conhecido como “chupa-chupa” e entrou para a história da ufologia mundial. A operação recolheu 130 histórias de avistamentos de óvnis por militares e civis, 500 fotos e 16 horas de filmagem.

Segundo o Coronel Uyrangê Hollanda, que comandou a operação, os incidentes ocorreram de forma sistemática desde a costa atlântica até a região dos Andes da Bolívia, evoluindo por toda a Amazônia. No total, 400 pessoas foram atacadas.

Noite dos óvnis

Em maio de 1986, o então ministro da Aeronáutica, o Brigadeiro Octávio Moreira Lima, convocou a imprensa para declarar que todo o sistema de defesa aéreo nacional tinha sido colocado em alerta devido ao aparecimento de pelo menos 21 óvnis nos céus de São Paulo, o que ficou conhecido como “A noite dos óvnis”.

Aviões de caça da FAB acompanharam alguns dos objetos e tentaram interceptá-los. De acordo com os pilotos, os óvnis voavam a velocidades de 250 a 1.500 km/h.

“Os fenômenos são sólidos e refletem, de certa forma, inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores”, concluiu o relatório enviado ao então Ministério da Aeronáutica para o Comando de Defesa Aérea.

ET de Varginha

Em 20 de janeiro de 1996, duas criaturas estranhas foram avistadas num terreno baldio por três testemunhas na cidade de Varginha, sul de Minas Gerais. Segundo eles, seriam espécies humanoides com grandes olhos vermelhos, pele marrom oleosa, três chifres na cabeça e estavam agachados e ofegantes. Eles foram capturados e levados para a Escola de Sargentos das Armas, que nega o incidente.

Outras testemunhas da região afirmam ter visto um óvni no mesmo dia liberando fumaça e dirigindo-se à cidade, onde ele caiu. O incidente de Varginha é considerado pelos ufólogos como o “Roswell brasileiro” e fez a cidade mundialmente famosa.

O que dizem os cientistas

Conway Morris, um paleontólogo da Universidade de Cambridge, refletiu numa entrevista à BBC, que numa biosfera pode surgir inteligência e, portanto, podem existir tecnologias alienígenas. Isso indicaria que pode haver “muitas civilizações extraterrestres. Pelo menos esse seria o princípio, mas onde estão eles?” perguntou Morris.

O físico Stanton Friedman, que trabalhou para algumas das principais agências espaciais do mundo, disse à revista Ciência Viva que os alienígenas existem, visitam-nos há muito tempo e logo a verdade será revelada.

Segundo Marek Kukula, astrônomo do Observatório Real de Greenwich, no Reino Unido, no entanto, não há evidência de que a vida extraterrestre seja “sábia e pacífica”. Para evitar riscos de contatos, deve-se contar com o apoio dos “governos e das Nações Unidas”, acrescentou o cientista, em depoimento ao jornal britânico The Sunday Times.

O ufólogo brasileiro Ubirajara Franco Rodrigues, num documentário sobre o assunto publicado no portal web da Revista UFO, diz que para conhecer a verdade sobre este fenômeno chamado de “não identificado”, o homem deve mudar seu pensamento, “Acreditamos que as ciências mais sérias e profundas, com mais metodologia, possam estudar esse fenômeno algum dia; ou, talvez, até mesmo uma percepção mais refinada do próprio homem, por um caminho diferente de conhecimento, possa decifrar esses fenômenos.”

Três óvnis nos céus de São Paulo, Brasil. (Michel Reneto)

Óvni no litoral do Paraná. (Edilson Tadeu Giordano)

 
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