Bradley Manning absolvido de “ajudar o inimigo” nos EUA

O militar norte-americano Bradley Manning é escoltado para questionamento (Chip Somodevilla/Getty Images)

Apesar da absolvição do soldado Bradley Manning da acusação mais grave, a de “ajudar ao inimigo”, a sentença de ontem (30) revela as errôneas prioridades das autoridades norte-americanas em matéria de segurança nacional ao declará-lo culpado de várias outras acusações, declarou a Anistia Internacional.

“A formulação, por parte das autoridades, da acusação de ‘ajudar o inimigo’ foi uma extrapolação da lei, não havia provas críveis da tentativa de Manning de prejudicar os Estados Unidos revelando informações classificadas ao WikiLeaks”, disse Widney Brown, diretora-geral de Legislação e Política da Anistia Internacional.

De acordo com Widney, as prioridades do governo estão invertidas, já que o governo norte-americano se negou a investigar informações verossímeis de tortura e outros crimes previstos no direito internacional, apesar das evidências esmagadoras. Mas decidiu julgar Manning, que aparentemente tentou fazer a coisa certa: revelar provas críveis da conduta ilegítima do governo. “Os que devem ser investigados e julgados são aqueles que destroem a credibilidade do governo cometendo atos como a tortura, proibida pela Constituição dos Estados Unidos e pelo direito internacional”, afirmou.

Entre centenas de milhares de documentos revelados por Manning ao WikiLeaks estavam vídeos e expedientes que indicavam violações dos direitos humanos – incluindo violações ao direito internacional humanitário – pelas tropas norte-americanas no estrangeiro e pela CIA, mas perto dos Estados Unidos.

O tribunal declarou Manning culpado de várias outras acusações, incluindo dez menores, relativas ao uso indevido de informação classificada, às quais Manning havia se declarado culpado. Qualquer condenação que se imponha pelas demais acusações deve levar em conta a informação sobre a crença razoável de Manning de que estava revelando violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário.

O governo norte-americano menospreza sua credibilidade quando é tão seletivo sobre o que decide investigar e julgar, declarou a Anistia Internacional. Isso parece verdade quando vemos que o governo parece decidido a punir os que revelam (suas) condutas ilegítimas e proteger os que participam de tais condutas ou as ordenaram.

“Desde os atentados de 11 de setembro, vemos que o governo dos Estados Unidos usa a questão da segurança nacional para defender várias ações que são ilegítimas em virtude das leis internacionais e nacionais. É difícil não chegar à conclusão de que o julgamento de Manning transmitia uma mensagem: o governo dos Estados Unidos te perseguirá, sem piedade, se estiver pensando em revelar provas de sua conduta ilegítima”, finalizou Brown.

Esta matéria foi originalmente publicada pela Anistia Internacional

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