Bolsonaro apoia reeleição de Trump

Mike Pompeo alertou que, à medida que Estados Unidos e o Brasil fortalecem sua parceria comercial, eles devem reduzir sua dependência das importações da China para sua própria segurança

Por Tom Ozimek

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro endossou a reeleição do presidente Donald Trump na terça-feira e, de acordo com a mídia local, Bolsonaro disse a jornalistas após a assinatura de um acordo de investimentos entre os EUA e o Brasil que espera participar da segunda posse de Trump.

“Certamente espero que, se Deus quiser, estarei presente na posse do presidente, que em breve será reeleito nos Estados Unidos”, disse Bolsonaro, segundo o Diario de Pernambuco.

Bolsonaro acrescentou que “não precisa esconder” seu apoio a Trump, que ele disse ter vindo “do coração”.

O presidente sempre elogiou Trump, chamando-o de modelo político e traçando paralelos entre suas agendas conservadoras. Em julho, Bolsonaro disse da mesma forma que esperava que Trump ganhasse sua candidatura à reeleição.

As declarações de Bolsonaro vieram após a assinatura de um memorando de entendimento entre a presidente do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (EXIM), Kimberly Reed, e o Itamaraty, em evento em Brasília, capital do Brasil. Segundo o acordo, as partes concordaram em explorar maneiras de usar até US$ 1 milhão em financiamento EXIM em áreas como telecomunicações, energia, infraestrutura e manufatura, disse a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil em um comunicado.

O evento contou com a presença do assessor de segurança nacional Robert O’Brien, a quem o Politico citou dizendo: “Acho que nunca tivemos um relacionamento melhor com o Brasil do que temos hoje”.

O memorando de entendimento de terça-feira é a continuação de um novo mini acordo comercial entre os dois países anunciado na segunda-feira. Este memorando, denominado Protocolo Estados Unidos-Brasil sobre Regras Comerciais e Transparência, visa reduzir a burocracia nas fronteiras, facilitar o comércio e melhorar as medidas anticorrupção.

“Este protocolo é um passo importante na criação de uma base sólida para o comércio aberto entre os Estados Unidos e o Brasil”, disse o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, em um comunicado. “Como as duas maiores economias do Hemisfério Ocidental, estamos criando um ambiente para que nossos negócios prosperem e se recuperem dos impactos negativos da pandemia que afetou nossos países”, acrescentou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o presidente brasileiro Jair Bolsonaro durante um jantar em Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, em 7 de março de 2020 (JIM WATSON / AFP via Getty Imagens)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o presidente brasileiro Jair Bolsonaro durante um jantar em Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, em 7 de março de 2020 (JIM WATSON / AFP via Getty Imagens)

Na segunda-feira, o secretário de Estado Mike Pompeo alertou que, à medida que Estados Unidos e o Brasil fortalecem sua parceria comercial, eles devem reduzir sua dependência das importações da China para sua própria segurança.

Em uma cúpula virtual sobre uma maior cooperação entre os Estados Unidos e o Brasil para a recuperação pós-pandemia, Pompeo destacou a importância de expandir os laços econômicos bilaterais, dado o que chamou de “risco enorme” derivado da participação significativa da China em suas economias.

“Na medida em que possamos encontrar maneiras de aumentar o comércio entre nossos dois países, podemos … diminuir a dependência de cada uma de nossas duas nações de itens essenciais” da China, disse ele.

“Cada um dos nossos dois povos estará mais seguro e cada uma das nossas duas nações será muito mais próspera, seja daqui a dois, cinco ou dez anos”, acrescentou.

Na terça-feira, o governo dos Estados Unidos intensificou a repressão para manter a chinesa Huawei Technologies fora do mercado 5G do Brasil, e Washington ofereceu-se para financiar a compra de equipamentos de telecomunicações feitos por empresas brasileiras de seus concorrentes.

Em Washington, altos funcionários dos EUA instaram o Brasil a monitorar cuidadosamente os investimentos chineses no Brasil e as ações de Pequim para expandir sua influência na maior economia da América Latina por meio da venda de tecnologia 5G pela Huawei.

“Incentivamos o Brasil … a tentar trabalhar em conjunto para garantir que monitoremos de perto a China em relação a todos os tipos de tecnologia, telefonia e 5G”, disse o conselheiro econômico da Casa Branca Larry Kudlow no evento.

“Temos atuado aqui nos Estados Unidos; continuamos avançando e tenho grande esperança de que o Brasil se mova conosco”, acrescentou. “Esperamos que o Brasil também mantenha um olhar crítico e cuidadoso sobre os investimentos chineses”.

Washington acredita que a Huawei entregaria dados ao governo chinês para espionagem, uma afirmação que a Huawei nega.

O governo Trump está trabalhando para fortalecer os laços com o Brasil e fornecer um contrapeso para a China.

O comércio de bens e serviços dos Estados Unidos com o Brasil totalizou cerca de US$ 105,1 bilhões em 2019.

Com informações da Reuters.

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