Bolha na China parece prestes a explodir

Aumento do crédito e desaceleração do crescimento econômico sinalizam desastre
Bolsa de Valores de Hong Kong em 2 de janeiro de 2013; economistas estão preocupados com as consequências do imenso débito acumulado pela China (Antony Dickson/AFP/Getty Images)

Em 23 de abril, o HSBC Holdings plc, um banco multinacional e organização de serviços financeiros, publicou o Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor manufatureiro da China em abril, que foi de 50,5, bem como o índice de produção industrial de abril, que foi de 51,1. Ambos os índices foram menores do que os dos meses anteriores.

Naquele dia, o índice de títulos emitido na Bolsa de Valores de Shanghai e determinado na moeda local yuan caiu 2,57%. Este declínio é considerado abaixo da zona de conforto psicológico, que é de 2.200 pontos.

Não é preciso ser um especialista em mercado para conceber que o PMI não foi a única causa da queda do índice de títulos.

Uma semana antes de os índices serem publicados, a Secretaria de Estatísticas do regime chinês alegou que no primeiro trimestre de 2013 a taxa de crescimento econômico foi de 7,7%. Esta informação é muito menor do que os analistas estimavam.

Apesar do crescimento em desaceleração, as atividades de crédito no primeiro trimestre aumentaram 60% e o suprimento monetário M2 (oferta total de dinheiro na economia de um país, incluindo todo o dinheiro em espécie e depósitos bancários) aumentou 15,8%. Ambos atingiram níveis recordes, segundo um artigo de 15 de abril do Diário Nacional de Negócios da China.

A desaceleração do crescimento e o aumento das atividades de crédito são preocupantes para muitos analistas de mercado, porque o aumento de empréstimos não estimula o crescimento econômico.

Um artigo de 15 de abril no website Global Post citou Patrick Chovanec, estrategista-chefe da Silvercrest Asset Management, dizendo: “A desaceleração do crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2013, apesar da expansão em massa do crédito, em grande parte fora do balanço, sinaliza péssima notícia para a economia chinesa.”

Governo local e crise da dívida corporativa

Note-se que o regime comunista se depara com uma crise de dívida local. O auditor sênior Zhang Ke, presidente da empresa de contabilidade Shine Wing e vice-presidente da associação de contabilidade da China, advertiu que a dívida do governo local está “fora de controle” e poderia provocar uma crise financeira maior do que a crise do mercado imobiliário dos EUA, segundo um artigo de 16 de abril no Financial Times.

Além disso, a crise da dívida corporativa já está além do reparo, sugerindo que o gasto foi muito acima das receitas auferidas. Citando JP Morgan Chase, um artigo de 22 de abril no China Securities Journal afirma que a dívida corporativa da China atingiu 110-120% do Produto Interno Bruto (PIB), muito superior a 90%, que poderia ser interpretado como tendo alcançado um nível catastrófico. Tais trajetórias da dívida são consideradas um risco para o crescimento e a estabilidade em longo prazo.

Indústrias baseadas em commodities e indústrias cíclicas, como a construção naval, a indústria fotovoltaica e a indústria do aço, estão enfrentando desafios contundentes.

A dívida ruim acumulada na indústria do aço atingiu um nível incontrolável. Em março, 209 processos foram abertos contra os comerciantes de aço por 23 bancos de Shanghai. O Grupo Tianyuan, da Sinosteel, anunciou em 29 de agosto de 2012 que os produtos do aço tinham desaparecido dos estoques existentes, com mais cinco empresas relatando produtos em falta nos últimos cinco meses. Aparentemente, produtos avaliados em 1,3 bilhão de yuanes (US$ 210 milhões), envolvendo seis empresas de capital aberto, desapareceram. Alguns bancos especializados em empréstimos para o comércio de aço podem ter perdido dezenas de bilhões de yuanes, segundo um artigo de 23 de abril no Sina.

A crise da dívida também atingiu níveis incontroláveis na indústria fotovoltaica chinesa. De acordo com o jornal estatal Xinhua, o Grupo Shangde da cidade de Wuxi entrou em falência, pois ficou inadimplente em suas dívidas em 20 de março. Estatísticas indicam que a dívida do Grupo Shangde era de 3,58 bilhões de yuanes (US$ 580 milhões), ou 81,8% de seus ativos em março.

Um artigo no website Reason.com citou a revista chinesa Caijing: “Os 10 maiores fabricantes fotovoltaicos da China têm acumulado uma dívida combinada de US$ 17,5 bilhões até agora, conduzindo toda a indústria à beira da falência; dados da agência de investimento norte-americana Grupo Maxim mostram que […] a LDK Solar, a 2ª maior fabricante mundial de painéis solares, e a Suntech Power, o maior produtor mundial de painéis solares, são os mais prováveis a caminho da falência.”

Especialistas de mercado estão cínicos

A deterioração dos fundamentos do mercado é a razão para conhecidos investidores estarem abandonando a China.

Jim Chanos, conhecido por ser altamente crítico sobre as proezas econômicas da China, apresentou outra visão desfavorável sobre o país e suas maquinações econômicas durante uma apresentação sobre a China na Conferência Wine Country e na Fundação Les Turner ALS.

Outro analista proeminente, George Soros, que ganhou sua reputação durante a crise econômica do Sudeste Asiático, fez observações semelhantes às de Chanos durante o Fórum Boao para a Ásia no dia 8 de abril. Soros advertiu que os bancos colaterais da China, plataformas de financiamento apoiadas pelo governo e a dívida imobiliária criaram uma crise de dívida insustentável, que espelha o risco das hipotecas subprime que precedeu a crise econômica nos Estados Unidos. Soros previu que um pouso forçado para a economia chinesa está a caminho, segundo o First Financial Daily.

Confirmando a previsão de Soros estão os dados oficiais do regime, que mostram 524,3 bilhões de yuanes (US$ 85,05 bilhões) de dívida ruim detida pelos bancos comerciais da China no final de março. Isso representa um aumento de 20,7% em relação a março de 2012, segundo o First Financial Daily.

Além disso, todas as três agências internacionais de classificação de crédito – a Standard & Poors (S&P), a Fitch Ratings e a Moody’s – expressaram suas preocupações em relação à economia da China.

A S&P disse que Pequim terá de arcar com as consequências de sua política de estímulo econômico.

A Fitch rebaixou a indexação da moeda local em longo prazo da China de AA- para A+. Esta é a primeira vez que uma grande agência de indexação rebaixou a classificação da China.

A Moody’s afirmou seu índice de títulos Aa3 para o regime, mas reduziu as perspectivas sobre a China de positiva para estável.

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