BepiColombo, uma missão espacial para estudar Mercúrio

A missão BepiColombo, com início de operação previsto para Julho de 2016, deverá chegar a Mercúrio em Janeiro de 2024. A missão utilizará duas naves sonda para alcançar seus objetivos científicos: uma, a Mercury Planetary Orbiter (MPO), fabricada na Europa, e a outra, a Magnetospheric Mercury Orbiter (MMO), fabricada no Japão. O projeto é conduzido pela European Space Agency, ESA, em cooperação com a Japan Aerospace Exploration Agency, JAXA. BepiColombo terá um custo de cerca de 1 bilhão de dólares.

Vídeo simulando a viagem da sonda MPO até Mercúrio:

A sonda MPO estudará a superfície e composição interna de Mercúrio e a MMO estudará sua magnetosfera, região magnética ao redor do planeta. O vídeo abaixo simula as sondas MPO e MMO em órbitas de observação ao redor de Mercúrio, com órbitas respectivamente entre 400 e 11.824 km, período de 9,3 horas, e entre 400 e 1.508 km, período de 2,3 horas. Nas imagens pode-se ver a magnetosfera ao redor de Mercúrio.

Objetivos da Missão:

1- Investigar a origem e evolução de Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol;
2- Estudar sua forma, estrutura interior, geologia, composição e crateras;
3- Examinar a composição e estrutura de sua exosfera;
4- Examinar a estrutura e dinâmica de sua magnetosfera;
5- Determinar a origem e dinâmica de seu campo magnético;
6- Investigar a composição e origem de seus depósitos polares;
7- Realizar teste sobre a Teoria Geral da Relatividade, de Einstein.

Os objetivos estão implícitos nas seguintes 12 perguntas:

1- Ao estudar Mercúrio, o que podemos aprender sobre a origem e composição da nebulosa solar e sobre a formação do sistema solar?
2- Porque a densidade de Mercúrio é significativamente maior que a dos  outros planetas?
3- O núcleo de Mercúrio é líquido ou sólido?
4- Mercúrio é ainda tectonicamente ativo?
5- Por que um planeta tão pequeno (Mercúrio) possui um campo magnético intrínseco, enquanto, por exemplo, Vênus, Marte e a Lua não?
6- Por que observações espectroscópicas não revelaram a presença de ferro em Mercúrio, embora esse elemento seja supostamente o principal constituinte de Mercúrio?
7- As crateras permanentemente das regiões polares contêm enxofre ou água gelada?
8- É o hemisfério não visto de Mercúrio bem diferente daquele imaginada pelo Mariner 10?
9- Quais são os mecanismos que produzem sua exosfera?
10- Na ausência de ionosfera, como é que um campo magnético interage com o vento solar?
11- O ambiente magnetizado de Mercúrio tem características que se relacionam com às das auroras, às dos cinturões de radiação e às das sub-tormentas de magnetosfera observadas na Terra?
12- Uma vez que o avanço do periélio de Mercúrio foi explicado em termos de curvatura do espaço-tempo, é possível aproveitar a proximidade do Sol para testar a relatividade geral com maior precisão?

 Os conhecimentos que virão com a missão ampliarão nossa compreensão de nosso planeta e de nosso sistema solar, informações que não podem ser obtidas através de observações feitas a partir da Terra.

Mercúrio é um planeta ainda pouco explorado. Até agora, apenas duas sondas foram até lá: a Mariner 10 (em 1974) e a sonda Messenger (em 2008), ambas da NASA. As informações obtidas por BepiColombo lançarão luz não só sobre a composição e a história de Mercúrio bem como sobre a história e formação dos planetas mais próximos ao Sol, o que inclui a Terra. Mercúrio é um planeta de extremos, com elevada densidade e elevada temperatura de superfície, e tem forte interação com os ventos solares.

A missão terá enormes desafios pela frente. Por ser realizada numa região próxima ao Sol, as sondar funcionarão sob duras condições, onde a radiação é cerca de dez vezes mais intensa do que nas proximidades da Terra. As sondas terão de suportar e operar em temperaturas superiores a 450 °C. Uma série de tecnologias novas e críticas tiveram que ser desenvolvidos para seus painéis solares, seu sistema de propulsão, suas antenas e seu sistema de gerenciamento térmico. Depois de chegar a Mercúrio (2022), as ondas estudarão o planeta durante pelo menos um ano.

Certamente trará informações valiosas. Vamos aguardar.

Site oficial do projeto BepiColombo.

 
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