Banco da China é julgado por cumplicidade com terrorismo

Banco da China transferiu dinheiro apesar dos avisos de que os fundos iam para terroristas
A sede do Banco da China em Pequim. A instituição estatal está sendo processada no Supremo Tribunal de Nova York por 50 pessoas que alegam que transferências financeiras intermediadas pelo banco beneficiaram grupos terroristas e resultaram em ataques mortais em Israel (Mark Ralston/AFP/Getty Images)
A sede do Banco da China em Pequim. A instituição estatal está sendo processada no Supremo Tribunal de Nova York por 50 pessoas que alegam que transferências financeiras intermediadas pelo banco beneficiaram grupos terroristas e resultaram em ataques mortais em Israel (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

O Banco da China está sendo processado por 50 pessoas no Supremo Tribunal Federal em Nova York sob a acusação de transferir conscientemente fundos para organizações terroristas, que resultaram em ataques terroristas mortais em Israel entre 2004 e 2007.

O Banco da China tentou repelir a acusação em 8 de julho de 2011, mas o Tribunal de Apelação de Nova York decidiu no dia 17 de setembro que o julgamento prosseguirá.

O banco estatal da República Popular da China (RPC) é um dos quatro maiores bancos do país. Ele supostamente transferiu milhões de dólares para duas organizações terroristas: o Hamas e o Jihad Islâmico da Palestina. O financiamento teria sido então usado para financiar ataques palestinos com foguetes e atentados suicidas.

Os demandantes incluem vítimas dos ataques e famílias das vítimas. Eles buscam indenizações compensatórias e punições e alegam que, desde 2003, o Banco da China realizou dezenas de transferências bancárias de vários milhões de dólares para o Hamas e o Jihad Islâmico da Palestina.

O dinheiro teria sido transferido de líderes terroristas no Irã e na Síria e enviado para uma conta do Banco da China em Pequim, utilizada por membros seniores dos grupos terroristas. De lá, o dinheiro foi transferido para os líderes dos grupos terroristas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, onde o dinheiro teria sido usado para realizar os ataques.

Os demandantes disseram que em abril de 2005, os oficiais israelenses de contraterrorismo reuniram-se com funcionários do Ministério da Segurança Pública da China e do Banco Central da China para tratar sobre as transferências bancárias e exigiram ação das autoridades chinesas e que o Banco da China impedisse novas transferências de fundos para grupos terroristas.

“Apesar dos alertas israelenses, ele [o Banco da China] – com a aprovação do governo chinês – continuou a transferir fundos para terroristas do Hamas e [do Jihad Islâmico da Palestina]”, segundo um comunicado de imprensa enviado em nome dos demandantes.

A decisão da Divisão de Apelação do tribunal do estado de Nova York sustenta que, no próximo julgamento, o tribunal de Nova York deverá aplicar a lei israelense. Réus do Banco da China argumentaram que a lei chinesa deveria ser aplicada neste caso, pois o banco tem sede em Pequim, mas o pedido foi negado. A decisão do tribunal diz: “Nós achamos que não há nada de repugnante à política pública de Nova York ao considerar que a lei israelense seja aplicada a esta ação.”

O tribunal disse que o especialista dos demandantes explicou que “alegada transferência de fundos [do Banco da China] é suficiente para submetê-lo a sanções por ‘dar’ ou ‘pagar’ fundos a grupos terroristas” segundo a lei israelense. A decisão do Tribunal de Apelação assegura agora que o processo contra o Banco da China voltará ao Supremo Tribunal Federal para investigação e julgamento.

 
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