Bancários demitidos exigem compensação na China

Manifestantes se reúnem diante do Banco Industrial e Comercial da China em Pequim (Livelihood Watch)

Ex-funcionários de bancos estatais chineses se reuniram na frente de um banco na quarta-feira contra demissões injustas que prejudicaram várias famílias e, segundo os injustiçados, resultaram em várias mortes. A manifestação seguia-se a um protesto realizado dois dias antes diante da secretaria de apelação de Pequim e sob o olhar atento da polícia.

No início da manhã, cerca de 3 mil ex-funcionários visivelmente transtornados exibiram cartazes – que diziam “Injustiça” ou “Não à fome e à corrupção, Sim à subsistência e aos direitos humanos” – nos principais ramos do Banco Industrial e Comercial da China, o maior dos quatro bancos estatais na China. A polícia chegou logo depois para bloquear as estradas.

A perda repentina de seus postos de trabalho criou uma série de dificuldades para os ex-funcionários do banco, segundo o ex-bancário Wu Lijuan.

“As esposas de metade dos funcionários demitidos se divorciou e os deixou, além de levarem os filhos. Um quinto de nós ficou doente e morreu depois de ser demitido”, disse Wu ao Epoch Times. “Não estamos recebendo seguro; não podemos pagar um médico e mais de 20 pessoas já se mataram pulando de prédios ou bebendo veneno.”

A partir de 1999, os bancos chineses, incluindo os quatro maiores da China, teriam demitido mais de 600 mil funcionários sem seguir os procedimentos legais, enquanto os bancos se reformam em preparação para abertura de capital.

A média de idade dos empregados demitidos é de 40 a 50 anos, o que significa que em geral estão na fase final de suas carreiras, um período difícil para encontrar alternativas de emprego. Eles também provavelmente foram educados durante a Revolução Cultural, uma época tumultuada da China e que lhes teria conferido pouca habilidade técnica.

Por seus protestos persistentes, Wu foi detido mais de dez vezes, recebeu inúmeras intimações judiciais e foi enviado para um campo de reeducação pelo trabalho forçado. Da mesma forma, cerca de dois terços da multidão foram empacotados em ônibus por agentes de segurança enviados pela polícia e levados.

“Nós precisamos ganhar a vida”, disse Wu. “Eles nos demitiram ilegalmente e exigimos nossos empregos de volta. Enquanto gritamos e cantamos, todos estão chorando, homens e mulheres.”

Os bancos chineses oferecem aos demitidos uma indenização única de 50 a 60 mil yuanes (US$ 8.140 a 9.769) e um pagamento anual de 2.500 yuanes (US$ 407).

“Nós nos tornamos párias sociais”, disse um manifestante. “Ninguém se preocupa conosco. O banco nos ignora e a sociedade nos evita e repudia.”

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