Autoridades europeias investigam “verdadeiro alcance” do vazamento de informações do Facebook

Por Agência EFE

Autoridades nacionais europeias, dentre elas a Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD), investigam “o verdadeiro alcance” do vazamento de dados dos usuários do Facebook para uma consultoria ligada à campanha eleitoral nos Estados Unidos que supostamente teria dado a vitória a Donald Trump.

“Estamos investigando o caso em coordenação com as autoridades britânica e irlandesa”, ainda na dependência dos resultados das investigações realizadas por várias autoridades nacionais de proteção de dados e vários tribunais e instâncias, disse ontem (17) a diretora da AEPD, Mar España, durante sua participação no Fórum da Nova Economia.

Caso se confirmem “os primeiros indícios” nas investigações sobre a consultoria Cambridge Analytica, isto seria não só um exemplo de uso “ilegal” por parte da empresa de dados pessoais de usuários do Facebook, como também “terão sido atacados os próprios fundamentos do Estado democrático” devido ao uso “não autorizado” das informações do qual seus donos não tiveram nenhum conhecimento.

E tudo isso, acrescenta, sob o “conceito” de serviços gratuitos oferecidos por provedores da Internet e que — de acordo com a diretora da AEPD — não é nada mais do que a monetização da informação pessoal dos usuários, comercializada com o objetivo de uma publicidade cada vez mais “micro-segmentada” de acordo com o perfil pessoal que cada um deixa como impressão digital ao navegar na Internet.

Mar España alertou que, na esfera pública, onde os interesses não são movidos por incentivos econômicos, o acesso indiscriminado a informações pessoais aumenta o risco de concentração de dados por parte das autoridades públicas sobre a vida dos cidadãos, como já denunciou o ex-analista da CIA Edward Snowden.

A tendência para reter e utilizar informações graças às novas tecnologias que facilitam o processo de reutilização da mesma acarreta o risco de que certas áreas da esfera pública pretendam “criar bases de dados” com elas ou “preservá-las” em volumes desproporcionais para utilizá-las para outros fins diversos da política pública.

Nos últimos oito meses, a Agência Espanhola de Proteção de Dados impôs sanções ao Facebook no valor de 1,6 milhão de euros (1,2 milhões de dólares) devido ao uso impróprio de dados pessoais ou por lidar com dados sensíveis sem o consentimento dos seus proprietários e por guardá-los por períodos excessivos, apesar do pedido dos usuários para sua exclusão.

 
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