Ativista chinesa aleijada por tortura é libertada

Ni Yulan (centro) e seu marido Dong Jiqin (2º à direita), numa entrevista no Parque da Cidade Imperial em Pequim. Ni foi solta em 3 de outubro após servir um sentença de dois anos e meio por seu ativismo de direitos humanos (Robert J. Saiget/AFP/Getty Images)
Ni Yulan (centro) e seu marido Dong Jiqin (2º à direita), numa entrevista no Parque da Cidade Imperial em Pequim. Ni foi solta em 3 de outubro após servir um sentença de dois anos e meio por seu ativismo de direitos humanos (Robert J. Saiget/AFP/Getty Images)

Ni Yulan, uma conhecida ativista dos direitos de propriedades que foi torturada e espancada de tal maneira pela polícia que está numa cadeira de rodas, foi libertada após dois anos de prisão. Depois de ser recepcionada por familiares, amigos e jornalistas estrangeiros em 5 de outubro, ela prometeu continuar seu trabalho em defesa dos que têm estado no lado errado do poder exercido pelo Partido Comunista Chinês (PCC).

Ni, uma advogada de direitos humanos, foi presa pela primeira vez em abril de 2002, quando em campanha para ajudar os moradores do distrito de Chaoyang em Pequim, que foram forçados a abandonar suas casas. A polícia a deteve quando ela fotografava o local e bandidos roubaram sua câmera.

Eventualmente, descobriu-se que os bandidos eram Zhang Yulan, o secretário distrital do PCC, e um funcionário local do Departamento de Relocação, escreveu Ni numa carta de 2005.

“Estou finalmente livre! Tenho tanta saudade dos meus amigos”, disse Ni aos Defensores dos Direitos Humanos Chineses, um grupo de direitos civis, numa ligação telefônica. “Agradeço a todos pela preocupação e pelos apelos.”

A advogada chinesa e ativista Ni Yulan foi detida pelas autoridades chinesas em 2002 em sua casa em Pequim. Ni ficou aleijada devido à tortura e agora usa cadeira de rodas; ela foi presa mais recentemente em 2011 e solta em 3 de outubro de 2013 (AFP/AFP/Getty Images)
A advogada chinesa e ativista Ni Yulan foi detida pelas autoridades chinesas em 2002 em sua casa em Pequim. Ni ficou aleijada devido à tortura e agora usa cadeira de rodas; ela foi presa mais recentemente em 2011 e solta em 3 de outubro de 2013 (AFP/AFP/Getty Images)

Durante sua detenção em 2002, Ni teve os joelhos e os pés quebrados pela polícia de Pequim e agora está confinada a uma cadeira de rodas ou muletas. Em sua carta, ela contou como foi torturada e como fez amizades com outros prisioneiros. Muitos deles eram praticantes do Falun Gong, uma prática espiritual que foi proibida pelo regime comunista chinês em julho de 1999 e que tem sido perseguida brutalmente desde então.

“Eles foram sequestrados em todo o país”, escreveu Ni. “Eles são um grupo de pessoas que pratica o cultivo da mente e do corpo para melhorar a si mesmos… Por causa de suas crenças, eles são frequentemente maltratados e sofrem tortura física e psicológica… Eu vivi com praticantes do Falun Gong por um ano. Eu estava gravemente ferida nesse tempo e eles se revezavam cuidando de mim dia e noite”, escreveu Ni.

Em 2010, as autoridades forçaram Ni e seu marido Dong Jiqin a permanecerem numa prisão negra – neste caso, um hotel controlado pela polícia – após sua casa ser demolida em 2008. Prisões negras são locais de detenção extralegais usados para prender manifestantes e peticionários, negando-lhes representação legal. Em 2011, Ni foi novamente detida por “perturbar a ordem pública” e cumpriu uma pena de dois anos e meio.

Falando sobre seus planos para o futuro, Ni disse numa reportagem da Rádio Free Asia: “Continuaremos a apelar e a tomar medidas legais. Não é fácil proteger os direitos das pessoas.”

Um internauta comentou: “Na delegacia, ela foi algemada a um radiador de aquecimento. Um policial urinou nela. Quando ela gritou, ela foi acusada de agredir um oficial. Ela foi aleijada na prisão. A casa dela foi demolida à força. Por favor, lembre-se dessa mulher, ela merece o respeito de todos os chineses. No futuro, o nome de Ni Yulan estará nos livros chineses.”

Ni Yulan foi vencedora do prêmio Tulipa de Defesa dos Direitos Humanos de 2011 do governo holandês. Ela não foi autorizada a deixar a China para receber o prêmio, que lhe foi concedido em dezembro de 2012. Desde 2008, o governo holandês premia os indivíduos que defendem os direitos de seus concidadãos.

Em agosto, Uzra Zeya, a secretária-interina de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, criticou o regime chinês por seu terrível histórico de direitos humanos e citou a detenção de ativistas, incluindo Ni Yulan.

 
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