Assessor do ex-líder chinês é alvo de investigação

Um assessor do ex-líder do Partido Comunista Chinês tem sido acusado de “sérias violações disciplinares” e está agora formalmente sob investigação das autoridades internas anticorrupção do Partido, segundo a mídia estatal em 22 de dezembro. Seu cargo mais recente, do qual ele já foi removido, era o de chefe do Departamento de Trabalho da Frente Unida, uma agência do Partido dedicada à propaganda, agitação e subversão no estrangeiro.

Ling Jihua, de 58 anos, era chefe do Secretariado do Partido Comunista Chinês (PCC), que lida diariamente com os segredos obscuros da elite. Um de seus maiores papéis no exercício do cargo teria sido ajudar a derrubar, no início de 2012, o poderoso político chinês Bo Xilai. Menos de um mês depois, o filho de Ling Jihua morreu num acidente de carro, numa Ferrari em alta velocidade em Pequim, com duas jovens no veículo. Fontes do PCC disseram ao Epoch Times na época que o acidente foi de fato um assassinato, para punir Ling por seu papel na derrubada de Bo Xilai, e para servir de alerta para outras pessoas que pudessem estar envolvidas no caso.

O atual líder chinês Xi Jinping chegou ao poder em novembro do mesmo ano e desde o início de seu mandato tem promovido uma intensa campanha anticorrupção, que incluiu detenção, interrogatório e prisão de altos funcionários.

Muitos observadores julgavam que estar associado à administração anterior – dos moderados Hu Jintao e seu primeiro-ministro Wen Jiabao – serviria de cobertura política. Grande parte do expurgo de Xi Jinping tem visado funcionários que ganharam enorme poder e fortuna ilícita por meio das maquinações de Jiang Zemin, que foi líder chinês formalmente entre 1989-2002, e de seu capanga Zeng Qinghong. Esses homens tinham enorme influência nas esferas do poder na China, e, portanto, representavam o maior risco para Xi Jinping.

O prelúdio do anúncio foi familiar: primeiramente, Ling Zhengce – o irmão mais velho de Ling Jihua e vice-presidente da Conferência Consultiva Política Popular de Shanxi, uma espécie de órgão consultivo de fachada na província ocidental rica em carvão – foi colocado sob investigação. Isso ocorreu em junho e foi oficialmente anunciado pela agência anticorrupção do PCC. Em outubro, seu irmão mais novo, Ling Wancheng, um entusiasta do golfe e empresário com conexões políticas, foi colocado sob investigação, segundo o Diário da Manhã do Sul da China (mas isso não foi anunciado pelas autoridades anticorrupção).

Os nomes dos três irmãos foram retirados do léxico político comunista chinês: ‘jihua’ significa ‘plano’; ‘zhengce’ significa ‘político’; e ‘wancheng’ significa ‘completo’, frequentemente usados em referência à realização bem-sucedida de uma tarefa política.

É incerto se Ling Jihua e seus dois irmãos serão entregues às autoridades judiciárias e punidos, e, se assim for, quão severamente. A motivação política para a purgação também não está clara, uma vez que Ling não seria um obstáculo ou uma ameaça à agenda política de Xi Jinping.

De fato, numa ineficaz exibição de bajulação que seria uma tentativa de prevenir seu infortúnio, Ling Jihua publicou um artigo na revista ideológica comunista “Buscando a Verdade”, no qual fez nada menos do que 16 referências subservientes aos discursos e teorias do novo líder chinês Xi Jinping.

O título também era muito estranho: “Decididamente permaneça no caminho correto usando características chinesas para resolver problemas étnicos; lutem em união para realizar o Sonho de China de rejuvenescimento étnico nacional”. A chamada secundária apelava aos leitores que participassem no “estudo profundo e execução ampla” das reflexões recentes de Xi Jinping sobre a política étnica chinesa.

Mas, aparentemente, Xi Jinping não se comoveu. Após o anúncio da investigação de Ling Jihua, o artigo foi censurado e suprimido.

 
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