Assessor de ex-líder chinês descoberto com bilhões em posses ilegais

Investigadores chineses encheram seis caminhões com ouro, obras de arte e caligrafia e antiguidades de um de seus esconderijos. Essas posses, valendo 83,7 bilhões de yuanes (c. US$ 13,4 bilhões), eram apenas uma parcela da riqueza ilegal que Ling Jihua acumulou. Ling era um dos principais assessores de Hu Jintao, quando este foi secretário-geral do Partido Comunista Chinês e presidente da China.

Ling Wancheng, o irmão de Ling Jihua, revelou o esconderijo às autoridades por motivos não revelados, informou o website chinês de notícias Boxun em 8 de dezembro de 2014. Ling Wancheng sabia a localização porque ele era a pessoa de contato para quem desejasse subornar Ling Jihua em troca de posições oficiais e favores, revelou o Boxun.

Assim, não é surpresa que Ling Jihua esteja sendo investigado por corrupção e tenha sido destituído do poder como vice-presidente da Conferência Consultiva Política Popular (CCPP), que serve como um órgão legislativo informal do Partido Comunista Chinês (PCC). Ling foi acusado de “graves violações disciplinares” em dezembro do ano passado, segundo a mídia estatal Xinhua em 20 de janeiro.

A expressão “graves violações disciplinares” é frequentemente sinônimo de corrupção na China.

As autoridades congelaram 12 contas bancárias de Ling com saldo de 8,2 milhões de yuanes (c. US$ 1,3 milhão), embora Ling já houvesse transferido mais de US$ 4,5 bilhões para outros países, informou o jornal Oriental Daily de Hong Kong em 21 de janeiro.

Ling também tinha várias propriedades de luxo por toda a China – em Tianjin, uma metrópole no Norte da China; em Wuxi, uma cidade antiga na província sulina de Jiangsu; em Zhuhai, uma cidade costeira na província sulina de Guangdong; em Taiyuan, capital da província do Shanxi; e em Dalian, a cidade portuária da província nordeste de Liaoning.

Ling também possuía valiosos bens imobiliários no estrangeiro. Duas mansões luxuosas em Kyoto, Japão, com valor de mercado de US$ 500 milhões, e que também foram confiscadas pelas autoridades do regime.

Aproveitando-se de seus cargos políticos, Ling construiu um grande império de negócios envolvendo diversos setores como imobiliário, propaganda, segurança, fundos privados, cibersegurança e transporte.

A família de Ling não só enriqueceu por meio da província de Shanxi rica em carvão, mas a esposa de Ling, Gu Liping, ganhou 4 bilhões de yuanes (c. US$ 643 milhões) com um projeto ferroviário de alta velocidade, trabalhando em parceria com Liu Zhijun, o ex-ministro das Ferrovias, informou a revista Trend de Hong Kong em janeiro de 2015.

Liu Zhijun, o ex-chefe das Ferrovias na China, foi julgado por corrupção em junho de 2013.

Gu Liping também acumulou grande riqueza por meio de investimento imobiliário e evasão fiscal com a criação de um fundo privado de “caridade”, conhecido como “Ying Gong Yi”, em 2010. Em menos de um ano, o fundo tinha angariado 3 bilhões de yuanes (c. US$ 483 milhões) para a família de Ling, relatou o DWnews.com, um website chinês sediado nos EUA, em 19 de janeiro.

O fundo também operava e gerava grande renda para os Ling nos mercados imobiliários de Pequim; Wuhan, capital da província oriental de Hubei; Shanghai; e Anshan, uma cidade na província nordestina de Liaoning.

As revelações sobre a vasta riqueza e corrupção de Ling seguem relatórios semelhantes em dezembro de 2014 sobre o butim e a queda de Zhou Yongkang, o ex-chefe da segurança interna da China e ex-membro do Politburo do PCC.

 
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