Aretha Franklin, o último adeus à rainha do soul

Sua última apresentação foi em novembro de 2017, em Nova Iorque, em um evento da Fundação Elton John para o combate da Aids

Antonio Martín Guirado, Agência EFE

Aretha Franklin, a rainha do soul e uma das vozes mais impressionantes da história da música, morreu nesta quinta-feira (16), aos 76 anos, na sua casa em Detroit, nos Estados Unidos.

Nos últimos dias, a imprensa informou que Aretha, com a saúde muito debilitada devido a um câncer no pâncreas, estava em casa para ficar mais próxima dos familiares. Apesar de notícias sobre a sua doença circularem há bastante tempo, a cantora sempre foi muito discreta com o assunto e nunca confirmou o caso. Agora, se apaga uma voz eterna e incomparável, um verdadeiro símbolo americano.

Uma das artistas mais influentes da música, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade — a maior honraria civil concedida nos Estados Unidos — e a Medalha Nacional das Artes, além de receber 18 vezes o Grammy e ser a primeira mulher a entrar para o Hall da Fama do Rock & Roll. Mais de quatro décadas nos palcos e mais de 40 álbuns lançados colocaram Aretha Franklin como a melhor cantora da história eleita pela revista “Rolling Stone”.

Nascida em 25 de março de 1942 em Memphis, no Tennesee, ela começou cantando em Detroit, onde cresceu, na igreja do seu pai, o reverendo C. L. Franklin. As primeiras músicas foram gravadas ainda quando ela tinha 14 anos — através da gravadora Checker Records. Nessa época teve o primeiro filho, Edward. Dois anos depois nasceu Clarence. O pai de Aretha, casado então com a cantora Barbara Siggers, era conhecido como “a voz de 1 milhão de dólares” pelos seus sermões e era amigo de Martin Luther King.

Após rejeitar as ofertas da Motown Records e da RCA Label, Aretha assinou com a Columbia Records e se mudou para Nova Iorque. Lá gravou seu primeiro single, “Today I Sing the Blues”. Mas foi com a Atlantic Records que ela achou a sua verdadeira identidade e começou a saborear o sucesso. Em 1967, lançou “Respect”, de Otis Redding, e a inesquecível canção a colocou no topo de vendas nos Estados Unidos.

Acompanhada do The Muscle Shoals Sound Rhythm Section no estúdio, ela levou a intensidade e a paixão do gospel para músicas e espaços profanos, como as manifestações feministas e de igualdade racial. O salto fundamental da igreja à rua colocou Aretha Franklin nos anos 60 no mesmo nível de outros gênios, como Sam Cooke, Otis Redding e James Brown. Assim assinou clássicos como “I Say a Little Prayer”, “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman”, “Chain of Fools”, “I Never Loved A Man The Way I Loved You”, “Think” e “Day Dreaming” ao longo de uma carreira na qual não houve estilo que a restringisse, e ela também passeou pelo jazz, pelo rock e pelo blues.

Em 1998, ela publicou a autobiografia “Aretha: From These Roots” (sem tradução para o português). A expressividade, o poder e a personalidade que assumia na frente do microfone causariam impacto em artistas como Beyoncé, Whitney Houston e Mariah Carey.

Ao todo, teve dois casamentos, primeiro com Ted White — com quem teve Ted White Jr. — e depois com o ator Glynn Turman. Teve o quarto filho durante uma relação anterior com Ken Cunningham.

Aretha Franklin cantou nas cerimônias de posse dos ex-presidentes dos Estados Unidos Bill Clinton e Barack Obama. Em fevereiro de 2017, anunciou a saída dos palcos e aproveitou a ocasião para comunicar que gravaria um último álbum com Stevie Wonder. Esse disco, no entanto, nunca foi lançado.

Sua última apresentação foi em novembro de 2017, em Nova Iorque, em um evento da Fundação Elton John para o combate da Aids.

 
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