Após ameaças de proibição nos EUA, CEO do TikTok pede demissão

Por EFE

Washington/Pequim, 27 ago – O CEO da empresa chinesa TikTok, Kevin Mayer, pediu demissão nesta quinta-feira, poucos dias depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou proibir o uso da rede social nos Estados Unidos.

O ex-executivo sênior da Disney se demitiu alguns meses após sua nomeação pela plataforma de vídeos curtos. A empresa chinesa foi acusada de ser um risco de segurança nacional para os EUA pelo governo Trump.

Mayer entrou na TikTok em junho após deixar seu cargo como chefe de serviços de radiodifusão na Disney. A companhia asiática recebeu recentemente um prazo de 90 dias para ser vendida a uma empresa americana ou enfrentar uma proibição de atuação no país.

“Nas últimas semanas, como o ambiente político mudou drasticamente, fiz uma reflexão significativa sobre o que as mudanças estruturais corporativas exigirão e o que elas significam para o papel global em que me inseri”, declarou Mayer em uma carta aos funcionários publicada por vários veículos de comunicação ao redor do mundo, como o jornal “Financial Times”.

No entanto, e apesar das conversas entre a empresa e Trump continuarem, Mayer disse por escrito que no contexto atual, mesmo com conversas que podem levar a uma resolução muito em breve, prefere sair.

Em um comunicado enviado à Agência Efe, a rede social afirmou respeitar plenamente a saída do diretor. “Pensamos que a dinâmica política dos últimos meses mudou significativamente o escopo do papel de Kevin no futuro”, considera o TikTok.

O TikTok, que tem mais de 80 milhões de usuários nos Estados Unidos, é uma das redes sociais que mais cresceu nos últimos anos e se tornou o principal entretenimento para muitos adolescentes e um canal de marketing para muitas celebridades.

O Ministério das Relações Exteriores da China se opõe à venda forçada da empresa, uma operação que, em sua opinião, viola os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC).

De fato, o governo chinês vê a intenção de vender o TikTok como mais um capítulo na guerra comercial entre Pequim e Washington, que tenta conter o crescente poder tecnológico do gigante asiático. Antes, a empresa de telecomunicações Huawei já havia enfrentado restrições, assim como a popular rede social WeChat, de propriedade do conglomerado digital Tencent.

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